sexta-feira, 15 de junho de 2012

Desabafo de Leitora. Concessionária é NADA!

Depois das recentes propagandas da prefeitura de Niterói, proibidas pelo TRE e enganosas, inclusive sobre o serviço de águas e esgoto na cidade, nada melhor que o exemplo abaixo enviado pela leitora.
Agradecemos imenso sua colaboração em denunciar o desserviço à comunidade. 

Atenciosamente,
editores DN










Desabafos Niteroienses,

Um desabafo em relação ao serviço da Águas de Niterói, empresa que trata do cidadão com falta de respeito e arrogância, que nega a remover um lixo (sim. apenas isso!) abandonado por ela após as obras para instalação do esgoto no Jardim Fluminese, Itaipu.

Em anexo, fotografias feitas por mim do local, para o qual solicito a remoção do monte de terra que soterrou a entrada das águas pluviais! Como pode uma empresa responsável pelas águas fazer tamanha lambança? Também envio a resposta da empresa via e-mail com fotografias que seus funcionários fizeram de locais que não pedi remoção de entulho e terra (mostrei o local para os funcionários que bateram à minha porta quando eu fiz a solicitação), ou seja, agem de forma desonesta.

Há meses atrás, a Águas de Niterói fez obras de instalação de esgoto no Jd Fluminense (Itaipu). Terminadas as obras, como uma boa empresa porca, largou o lixo pela região. Atitude absurda e que se torna pior ao se tratar de uma área abrangida por reserva, Parque Estadual da Serra da Tiririca. Muitos dos restos de obras estão no pé da mata!

Solicitei duas vezes a coleta do lixo à empresa, que nas duas vezes bateu em minha porta pedindo para eu indicar os locais do entulho by Águas: na 1ª disfarçaram e apenas levaram os canos, na 2ª mostrei a montanha de terra e ouvi dos funcionários que o serviço seria feito por uma equipe com o caminhão capaz de remover a terra.

Essa montanha de terra (que deve ter restos de obra em seu interior) está tampando a boca de lobo (águas pluviais)! Portanto, além do escoamento da chuva estar bloqueado, terra com lixo está caindo nas águas pluviais com o passar do tempo. Quanto descaso!

Os montes de terras largados pela empresa são resultado da remoção para abrir as passagens das tubulações de esgoto. Ao final da obra, não é preciso ser gênio para concluir, tudo isso teria que ter voltado para o seu local de origem: o chão de terra batida. Porém, a empresa opta pela lei do menor esforço, tampou os buracos com metade dessa terra sem passar um trator para compactar o chão e largou a outra metade espalhada por diversos pontos da Rua 07. Resultado, mais um acabamento de quinta categoria: com as chuvas buracos estão se abrindo, lamaçal, chão afundando a cada passo e bueiros de esgoto estão acima do nível da rua (estaria a empresa proporcionando barreiras para os moradores praticarem rally ou motocross?)!!!!!!

Porém, a falta de respeito da empresa não tem limites. Dia 06/06. recebi e-mail da empresa avisando-me que o serviço foi feito e com fotos que diz ser do local (o que não é verdade, as fotos enviadas não são do local que mostrei aos funcionários). Hoje, dia 15/06, recebo telefone da empresa informando-me que o caso está encerrado, pois o local foi vistoriado e não há mais restos das obras (que cara de pau!!!). O local onde há a montanha de terra, que a Águas de Niterói removeu do chão e abandonou sobre a boca de lobo não são os das fotos enviadas pela empresa (as fotos remetidas são da rua 05 e da Rua 08, p/ esta última rua não solicitei remoção de entulho)!!!!! Mostrei o local para os funcionários (os acompanhei feito uma tonta) que aqui estiveram, inclusive eles simularam tirar fotografias na minha frente (trata-se da Rua 7, em frente à rua 5)!!!

Esse pessoal constatou o que eu disse (afinal, estavam em frente à montanha de terra), avisou-me que não removeriam a terra naquele momento por não possuírem os equipamentos necessários e que estava gerando uma ordem de serviço solicitando a outra equipe a remoção da terra!!! Aliás, um trabalho fácil porque basta retornar com a terra para o chão e compactá-lo.

Além disso, mais uma vez insisto que essa terra teria que voltar para o seu local de origem: o chão de terra batida. Porém, a empresa opta pela lei do menor esforço, tampou os buracos com metade dessa terra sem passar um trator para compactar o chão e largou a outra metade espalhada por diversos pontos da Rua 07. Resultado, mais um acabamento de quinta categoria: com as chuvas buracos estão se abrindo, lamaçal, chão afundando a cada passo e bueiros de esgoto estão acima do nível da rua (estaria a empresa proporcionando barreiras para os moradores praticarem rally ou motocross?)!!!!!!

Desculpe-me, mas se realmente fizeram uma vistoria pelo loteamento Jardim Fluminense conforme relatam na resposta que me mandaram, erraram o endereço. Há outros pontos com montes de terras abandonados pela empresa. Um morador, no dia em que eu mostrava a montanha by Águas de Niterói aos funcionários, exibiu a eles mais entulho abandonado após as obras e pediu que também retirasse esse lixo. Porém, esses funcionários “super prestativos” se negaram a anotar na ordem de serviço sobre mais esse lixo, alegando que para tanto era preciso o morador ligar para a empresa e pedir o recolhimento da imundície (diga-se de passagem, os clientes jamais precisariam fazer isso se a empresa tivesse um trabalho decente, afinal faz parte de qualquer obra recolher o lixo que a mesma produz)!!! Que burocracia absurda, quanta falta de respeito!!!

Diante da posição da empresa, totalmente contrária ao que relatei no e-mail, resta-me concluir que ou estão, sutilmente, sugerindo que sou algum tipo de insana desocupada, ou sou mentirosa. Tenho fotografias feitas por mim do local real (Rua 07, em frente a rua 05, dias após o fim das obras e atualmente, a única diferença é que removeram o lixo sobre a montanha), mas é impossível enviar para essa empresa porque não disponibilizam e-mail com possibilidade de anexar documentos, ou seja, trata-se de mais uma empresa ditadora e arrogante que não oferece um verdadeiro meio de comunicação com os clientes, que não os ouve de fato, apenas toma as atitudes que acha melhor. Resta-me publicar as fotografias na Internet, informando aos cidadãos mais um descaso da Águas de Niterói.

Estou muito indignada com toda atitude dessa empresa: descaso, trabalho porco e desrespeito com os clientes e com a minha solicitação. Parece que há uma dificuldade de compreensão de texto ou trata-se de uma desconsideração atroz com o pedido de uma cliente.

Águas de Niterói, empresa cidadã da imundície e parceira em acabar com o meio ambiente, ISO 1.000.000 em falta de respeito.

Agradeço a gentil atenção,
Alessandra Marques




terça-feira, 12 de junho de 2012

O Turismo vai Salvar Niterói.. Vai?!..


A reunião do COMPUR ontem sobre a Lei de Hotelaria, ou "Espaços de Hospedagem" conforme sugere seu maior entusiasta o presidente da NELTUR, foi muito esclarecedora para entender como funciona a lógica de governos descuidados e comprometidos com grupos e atividades de exploração, que vêm espoliando essa cidade sem piedade. Sob a conivência de parte de seus cidadãos, que só agora, ao experimentarem a violência, o desrespeito e a degradação acelerada, sob a máscara de progresso, ainda tímida e desnorteadamente despertam.
Foto junho2011
O eloqüente empresário José Haddad, secretário de turismo, presidente da NELTUR expõe sedutoramente um 'belíssimo' projeto de turismo para a cidade, e que tenta implantá-lo ainda que desarticulado das outras secretarias. Em sua visão a vocação da cidade para o turismo é clara. Também sua compreensão da variedade de modelos de hospedagem, como os Cama & Café, as Pousadas e Resorts, além dos grandes Hotéis, garante uma possibilidade real de desenvolvimento sustentável da atividade turística. É fácil concordar que devemos tratar dos espaços urbanos com uma mesma lógica de intervenção e muito menos com um único modelo de hospedagem, assim, para cada bairro, respeitando-se as suas características, é possível pensar de modo adequado o tipo de intervenção e de modalidade de hospedagem que irá funcionar melhor.
José Haddad
Infelizmente sua visão para o turismo só almeja de longe o que outros países hoje já atingiram, preservando o seu passado e adequando o futuro, compatibilizando-os e incentivando a sua sustentabilidade. Aparentemente, Haddad despreza os espaços antigos, vendo-os como empecilhos -  em suas palavras "lixo" - ao famigerado progresso. Parece bem intencionado, mas sua visão é estreita ou estreitada pelas suas condições de possibilidades, determinadas pela atuação de outras secretarias, que não cumprem suas funções, sob uma batuta caduca, de um prefeito ausente e subserviente aos poderes econômicos privados e que não valorizam nossa história, nossa memória e nossa dignidade.

 
De um ponto de vista profissional não há dúvida de que não existe política de turismo com desenvolvimento sustentável sem uma política de memória com extremo cuidado com o passado registrado, material e imaterialmente, nas tradições, costumes, prédios e monumentos da nossa experiência individual e coletiva. Isso se alinha com a fala do Professor e Arquiteto Wagner Morgan, que apresentou propostas de redesenho e requalificação dos espaços urbanos, com profunda atenção ao que já foi destruído, ao que já foi equivocadamente alterado e o que ainda existe e merece ser preservado.
Wagner Morgan
Sua explanação sobre o centro histórico de São Domingos, com muitas ilustrações e sugestões inteligentes para o salvamento desse patrimônio cultural da cidade foi realmente inspirador. No entanto algumas de suas sugestões, como uma intervenção pontual de torres com gabarito elevado, foram rejeitadas por parte da platéia que se preocupa com os impactos de trânsito e de aumento da densidade urbana.

Foto junho2011
Foto junho 2011
Foto jun2011

Uma coisa, no entanto, no decorrer das explicações e imagens - onde se libera o gabarito para trinta andares, onde não se faz pousadas, qual a vocação para o bairro tal e onde se constrói a praça - alguma coisa ali não parecia correta. Uma voz denuncia o amadorismo primário da proposta. Acusa a defasagem do Plano Diretor, de 1992, e que carece de revisão urgente, de acordo com indicações explícitas do Ministério das Cidades, sobretudo pelos remendos irresponsáveis que sofreu com a liberação de gabaritos em 2002 e as (in)adequações que sofreu em 2005, e outros golpes na surdina com alterações pontuais das leis para ajustar a cidade aos interesses de poderosos.

 E aí as coisas entraram em foco! A cidade deve assumir sua vocação turística assim nos estertores de um desgoverno que agonizante tenta se agarrar às últimas possibilidades de vender a cidade? E ainda usa para isso, um discurso que parece ter real interesse no desenvolvimento da cidade através da proposta de turismo? Antes de fazer isso, não é preciso definir democratica e modernamente as áreas de interesse social? Ou queremos que os trabalhadores mais pobres morem cada vez mais longe e demorem meio dia no transporte? Essas áreas de interesse social, devem ser definidas a partir de diagnósticos que devem ser realizados a partir da observação da vocação dos bairros, da sua arquitetura e história; deve ser feito um inventário de bens de interesse histórico, cultural e artístico e principalmente envolver a população nas suas expectativas e experiências.

Fazendo as coisas como estão sendo feitas, vamos acabar com mais elefantes brancos atravancando nossa vida cotidiana e espaços mal utilizados, que não falam com ninguém e pelos quais ninguém luta, e vamos seguir tentando retirar famílias centenárias de lugares como Fazendinha, no Sapê para implantar 'bairros modelos', cuja descrição dá até medo! O adensamento proposto no meio de área de preservação ambiental, sem nenhum compromisso nem com a permanência dos moradores, nem com a segurança, saúde e educação já caóticas! Os transportes estão em petição de miséria e os engarrafamentos monstruosos.

Isso tudo já seria o suficiente para dar um basta naquela situação, não fosse a lembrança mais grave que aponta para a permanência de centenas de desabrigados desde 2010 que ainda estão em condições sub-humanas no 3º BI. Essa é a marca do desgoverno, do amadorismo, do oportunismo eleitoreiro que planta propagandas por todo lado sem de fato oferecer tais serviços. Será que o Ministério Público acata um processo baseado no código de defesa do consumidor? PROPAGANDA ENGANOSA!!!

Mas uma pena mesmo é ver que ali acorreram muito poucos cidadãos e isso quase nos levou ao silêncio e a repensar a permanência nessa cidade. Depois de toda a divulgação e apelo, depois de toda a mobilização, as pessoas simplesmente não compareceram e com isso não encaram os problemas e não percebem que deixam o espaço aberto para a venda dessa cidade! Com a palavra o cidadão.