sábado, 28 de maio de 2011

Os Sem Praça


Foto Luiz Sergio Pires morador do Bairro
O Bairro Peixoto, localizado no limite do Parque Estadual da Serra da Tiririca, ainda representa um ambiente pouco adensado, abrigando residências unifamiliares e alguns espaços públicos de uso comum. Há cerca de cinco anos, o bairro teve um desses espaços ‘desafetado’ pela Prefeitura e ‘alienado’ para a construção de cinco casas, privatizando o que era público, garantido nos registros do loteamento, para favorecer a especulação imobiliária, já tão intensa em toda a região oceânica de Niterói. A luta pela preservação das terras públicas no bairro registra outro momento de alto risco, na década de 1990, quando a proposta, já aprovada pelo poder executivo municipal, de construção de um condomínio na área do Córrego dos Colibris foi barrada com base no parecer muito bem elaborado pelo Vereador João Baptista Petersen, o que motivou uma grande mobilização popular contra o empreendimento imobiliário. Nesse caso, venceu a preservação ambiental. Mas, atualmente, com a proliferação de licenças municipais para a construção de prédios em toda a região do entorno da serra e da lagoa de Itaipu, sem considerar a fragilidade dos ecossistemas e sua biodiversidade, as ameaças voltam a rondar os espaços coletivos de preservação ambiental.
Foto Luiz Sergio Pires morador do Bairro
Nessa última semana, moradores do Bairro Peixoto foram surpreendidos por mais uma manobra da Prefeitura, com uma mensagem do executivo para o legislativo determinando a ‘desafetação’ da Praça Miguel Couto, inaugurada em 1956, em homenagem ao ex-Governador do antigo Estado do Rio de Janeiro. A mensagem contou com a aprovação quase unânime dos vereadores, a não ser pelo questionamento do Vereador Renatinho (PSOL), que requereu a realização de audiência pública para garantir uma legítima consulta pública e a devida transparência sobre as questões de interesse da população.
A audiência foi marcada para o dia 26, às 20 h, no plenário da Câmara, mas, em mais uma manobra dos aliados do Prefeito, sem garantia de debate unificado, incluindo outras desafetações de espaços públicos da cidade. No entanto, como não houve o comparecimento de representantes da Prefeitura para apresentar suas versões oficiais para todas as propostas, as demais desafetações tiveram as audiências canceladas.Assim, como o executivo afirma que pretende construir uma escola no espaço da Praça Miguel Couto, a Secretária Municipal de Educação compareceu para apresentar uma planta de uma unidade escolar com quadra de esportes, “visando atender a comunidade local, em especial da região do Bairro Peixoto”, objetivo assim descrito na Mensagem assinada pelo Prefeito. Mas, a outra área pública ‘desafetada’ no bairro perdeu sua condição de espaço coletivo, sendo incorporada ao patrimônio de uma construtora particular, sem qualquer justificativa, de forma ilegal.
A Associação de Moradores – AMBAPE – solicitou uma outra audiência pública, a ser realizada no bairro, permitindo o comparecimento de todos os afetados pela perda de mais um espaço coletivo, a Praça Miguel Couto, entre outros ‘desafetados’.
Os moradores do Bairro Peixoto recusam o ‘presente’ da Prefeitura? “Uma escola com recursos do Governo Federal já depositados na conta da PMN/FME”? Os fatos passados e recentes determinam as reações contrárias da comunidade, que não entende os ‘porquês’, as manobras, os passos escondidos, sorrateiros e rápidos, apenas barrados / questionados por raros mandatos éticos.
- Mensagem 10/11 - PL 120/11= Sinal  claro de outra área verde, pública, de preservação ambiental, em risco: especulação imobiliária presente! Basta!


Foto Luiz Sergio Pires morador do Bairro
Laura França – ambientalista – moradora do Bairro Peixoto

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 Outro sinal evidente de desrespeito ao meio ambiente e ao espaço coletivo de uso da
comunidade – a Praça Miguel Couto ‘soterrada’ por ‘dunas’ de saibro e pedras


Dunas de saibro ocupam o espaço coletivo da Praça Miguel Couto, ‘enterrando’ árvores,

no Bairro Peixoto. Há cerca de três anos, diariamente, caminhões, a serviço da Prefeitura e outros por ela autorizados, depositam na praça toneladas de saibro e pedras, o ‘bota-fora’ do desmonte para a construção do Hospital da Unimed na altura do trevo de Piratininga. Na semana da Páscoa, em um único dia, foram flagrados 38 caminhões despejando entulho na praça. Além do soterramento da área de lazer, o trânsito constante provoca poluição sonora e do ar, na área do Parque Estadual da Serra da Tiririca, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Tudo isso afeta o equilíbrio ecológico da Unidade de Conservação, sua fauna e sua flora, inclusive algumas espécies endêmicas. E a saúde da população. E a tão divulgada qualidade de vida de Niterói!

Poucas ações, apesar de R$ 70 milhões em caixa

ORÇAMENTO PÚBLICO 
n'OGlobo por Flávia Milhorance e Isabel de Araujo -28.05.2011

Os dois primeiros anos do governo Jorge Roberto Silveira terminaram, juntos, com um saldo orçamentário de cerca de R$ 70 milhões — uma verba cuja utilização foi prevista, mas não foi utilizada, como mostrou levantamento do GLOBO-Niterói na edição passada. Deste montante, chama a atenção a cifra de quase R$ 50 milhões que sobrou para Educação (R$ 22,2 milhões), Saúde (R$ 9,4 milhões), Saneamento (R$ 7,9 milhões), Transporte (R$ 1,1 milhão), Habitação (R$ 5,1 milhões) e Urbanismo (R$ 3,4 milhões), setores que permanecem com projetos e obras inacabadas ou que sequer saíram do papel. 

Na Educação, há um exemplo $ático. Na entrada do colégio municipal Leonel Franca, no Viradouro, uma placa deteriorada pelo tempo indica a reforma e a ampliação da unidade pela prefeitura. Mas no interior, em vez de obras, alunos ou professores, há cômodos abandonados. Em uma das salas de aula, uma montanha de livros se mistura com entulho. A escola está interditada desde as chuvas de abril de 2010 e, enquanto isso, os estudantes dali assistem a aulas em outra unidade.

— Meus filhos de 10 e 7 anos foram transferidos. Tive que pedir demissão da casa onde trabalhava para poder levá-los e buscá-los na nova escola, que fica a cinco pontos de ônibus de onde moro — reclama Ana Paula Tavares.


Anteriormente às tragédias das chuvas, o colégio já demonstrava precisar de reformas. Não à toa, em 12 de dezembro de 2009, foi publicado no Diário Oficial o resultado da licitação, no valor de R$ 767 mil, para a execução de obras na unidade. Outra licitação, cujo resultado foi publicado no dia 15 de fevereiro deste ano, dispensava R$ 3,2 milhões para intervenções em seis escolas municipais, entre elas, a Leonel Franca. Moradores, no entanto, garantem que nenhum serviço foi executado nas instalações da escola.

— As placaS estão aí de enfeite. Todo dia os pais nos questionam sobre a reabertura do colégio — critica Alina de Jesus, diretora de associação de moradores da Viradouro.

Na Saúde, obra emergencial realizada sem pressa


Por meio de nota, a prefeitura explica que os 343 alunos do Leonel Franca frequentam as aulas nas dependências do extinto colégio Daflon Ferraz, em Santa Rosa. A previsão é que eles retornem ao antigo imóvel no segundo semestre, prazo estimado para a finalização da contenção da encosta no entorno. Sobre os livros amontoados nas instalações, a prefeitura diz que “estão guardados no local” e que “fazem parte do acervo da escola e serão armazenados na biblioteca tão logo o espaço seja reativado”.

Promessa de campanha de Jorge Roberto Silveira, a reforma do Hospital Municipal Carlos Tortelly (antigo CPN), no Bairro de Fátima, que incluía a entrada da emergência e o primeiro piso, teve seu prazo de conclusão expirado em abril do ano passado. A obra com valor de R$ 1,8 milhão chegou a ser interrompida por cerca de seis meses e foi retomada em março. 

— A emergência voltou a “caminhar”, mas ainda não houve intervenção no interior do prédio — diz Charles Gonçalves, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência Social (Sindsprev).


Mas as obras inacabadas no Carlos Tortelly não impediram que outra, num pavimento diferente do hospital, também fosse anunciada, a do Centro Integrado de Pacientes com Aids (Cipa), que funciona no segundo piso. Orçada em R$ 1,4 milhão, ela estava prevista para começar no dia 16 de maio, o que não ocorreu, segundo o Sindsprev.

— Como pode um hospital atender os pacientes sem ter o básico funcionando? — reclama a dona de casa, Sandra Maria Cilene, que esperou duas horas fila da emergência, na segunda-feira passada, com suspeita de pneumonia, e foi informada que o aparelho Raio-X está quebrado.

Sobre as obras do primeiro piso, a prefeitura garante que “estão sendo terminadas”, e estabelece o prazo de três meses para a conclusão do andar superior do prédio, onde está sendo feita uma impermeabilização e haverá uma área de lazer para pacientes soropositivos.


A difícil tarefa das desapropriações
Projetos nos setores de Habitação, Transporte, Urbanismo e Saneamento também estão emperrados. Moradores do Morro da Caixa D’água, no Fonseca, convivem diariamente com seus imóveis em áreas de risco, e não há previsão de intervenção para a área. Já no Morro do Estado, a construção de 720 unidades habitacionais do programa federal Minha Casa, Minha Vida, orçado em R$ 46 milhões, depende da desapropriação de imóveis. A reportagem esteve no local há duas semanas e constatou que as obras estão paradas.

Responsável pela pavimentação do acesso à área, o governo do estado — que realiza os intervenções em parceria com a prefeitura — diz que já foram colocados 250 metros de asfalto, faltando agora outros cem metros. Para finalizar, depende agora da “desapropriação de imóveis que estão no traçado decidido pela prefeitura”. Esta garante que os processos de desapropriação correm dentro dos prazos legais, embora os moradores garantam que sequer começaram. A prefeitura informa ainda que o tempo estimado para a construção dos imóveis é entre 12 e 18 meses. 

A dificuldade de efetivar desapropriações de imóveis também se dá no trecho da Avenida Marquês de Paraná, no Centro, onde será implantado o sistema BRT (Bus Rapid Transit). Lá, 50 casas do lado par — entre as ruas Doutor Celestino e Miguel de Frias — serão demolidas. 

“Ocorrem graves falhas de planejamento”, diz especialista  
A íntegra da matéria está na edição deste domingo do GLOBO-Niterói.
Comente! O que você acha da execução do orçamento da prefeitura?

Podas equivocadas


Árvore cai na R. Edmundo March, na Boa Viagem hoje, 28 de maio.
As árvores são podadas só de um lado e ficam tortas. 

O desequilibrio acaba vencendo e quando a terra amolece em dias de chuva, as raízes não aguentam  e ela tomba !
Quem faz as podas deveria entender mais de árvores. Existe alguém especializado cuidando das árvores de Niterói?
Alô Parques e Jardins, quem é o responsável pela poda?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Construção garante mobilidade urbana em Niterói

n'OSãoGonçalo 6/4/2011 21:17:24

O impacto da construção de novos empreendimentos na cidade de Niterói. Este foi o tema da palestra realizada na sede da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói (Ademi-Niterói). Durante o evento, o presidente da empresa Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans), Sérgio Marcolini, apresentou o resultado de uma pesquisa realizada pelo órgão, em outubro de 2010, a respeito do assunto.

Entre as conclusões do estudo, ele destacou que nas regiões onde predominam as construções residenciais, como Pendotiba e Região Oceânica, a dependência do carro é maior.
“Nas áreas de Santa Rosa, Icaraí e Centro, onde há, além das moradias, edifícios comerciais, o deslocamento a pé e em transportes públicos é maior”, comparou.

Os dados devem ser utilizados como base para a elaboração de um estudo de impacto na vizinhança, que passou a ser exigido pela Prefeitura de Niterói para autorizar a construção de novos empreendimentos imobiliários. A intenção é garantir que as construções não prejudiquem a mobilidade na cidade.

O presidente da Ademi-Niterói, José Carlos Monteiro André, afirmou que o ramo da construção tem contribuído para reduzir os problemas do trânsito niteroiense.
“Quando há investimentos para tornar as áreas mistas, ou seja, com quantidade equilibrada de empreendimentos residenciais e comerciais, os moradores não precisam sair de carro, o que contribuir para desafogar o trânsito”, explicou.

Já a secretária de Urbanismo de Niterói, Christina Monnerat, apresentou propostas para revitalizar alguns pontos da cidade. Entre os projetos estão a revisão do plano urbanístico de Niterói; a revitalização da Rua da Conceição, no Centro, de praças e do mercado popular; a padronização do comércio informal e a remodelação de praias. “Os projetos visam a tornar a cidade mais agradável para se viver”.

Olhar de Perto a Administração de Niterói

É muito curioso estar presente em uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Niterói. Sugiro a todos os leitores que pelo menos uma vez na vida se permitam observar o que ocorre naquele espaço do povo e para povo.
Porque ali fica flagrante, diante dos discursos dos convidados à mesa, ou mesmo na tribuna, a desarticulação que é a administração niteroiense. Sem subterfúgios.


Em outra oportunidade, no fim do ano passado, também constatei isso em um debate com a população do Pé Pequeno e o responsável pela NITTrans, sobre o trânsito no bairro e adjacências.Isso eu conto mais adiante..


Na Audiência Pública de ontem, sobre a desafetação de uma área pública, uma praça no Bairro Peixoto, em Itaipu, a autoridade presente diretamente ligada ao projeto era apenas a secretária de Educação, uma vez que a desafetação envolvia a ocupação de parte de praça por uma escola pública. 
Pasmem: Não tinha ninguém da secretaria de Urbanismo presente, ninguém. 
Então, a secretária de Educação se esforçou, e muito, pra justificar a escolha da área, sem saber que a mesma encontra-se na área de amortecimento de impacto da Serra da Tiririca; sem saber que a área alaga diante de qualquer chuva, e ao mesmo tempo - olhem que curioso! - ela dizia que não podia escolher áreas à direita da Estrada Francisco da Cruz Nunes porque estas, devido à proximidade com a lagoa de Itaipu, alagam!!... 
Ora, mas por que alagam?!
Uma vergonha lembrarmos do perímetro original dessa lagoa, da ocupação desordenada e criminosa das suas margens, assim também como a de Piratininga, invasão esta permitida e incentivada pela prefeitura  desta mesma cidade que fica, com perdão da má palavra, mas não me poupo de usar a expressão, de bunda de fora nessa hora em que a secretária ainda que sem querer, expõe que a cidade é mal administrada! 

E ainda se justifica, supostamente querendo morrer de arrependimento por ter assumido o cargo, ao ter que dizer que não pode se responsabilizar pelas demais secretarias... Não pode mesmo!
Mais adiante a secretária fala do trabalho ambiental que faz nas escolas, e minha amiga na cadeira ao lado levanta com medo de passar mal diante de tamanha incoerência...

Segurei meu estomâgo para seguir ouvindo a explanação da professora enquanto na minha cabeça só vinham os exemplos mais recentes onde a prefeitura dessa cidade sorriso desapropria área da Reserva Ambiental Darcy Ribeiro para construir edifícios e supostamente para desabrigados; onde uma enorme área no bairro do Sapê está também para ser desapropriada para o mesmo fim, em total desrespeito à Mata Atlântica ali remanescente, rios e nascentes.. 
E todas as feridas que acompanhamos nas nossas encostas, já encobertas pelo mato que cresceu ao redor, e que escodem o abandono ambiental em que vive nossas matas, parques e cidadãos, entregues à própria sorte... 
O que a secretária, com seu trabalho ambiental, tem a ver com isso? Talvez nada, mas é muito interessante perceber a desconexão de toda estrutura administrativa da cidade, e obviamente isso é totalmente adequado para que as mais diversas falcatruas possam ocorrer sem que se ligue muito isso com aquilo.. 
A população ainda que um pouco mais ruidosa hoje em dia, continua adormecida.. 



No tal debate do fim do ano passado a Nittrans, na pessoa do sr Marcolini que tentava gentilmente anotar as observações dos cidadãos ali presentes, visivelmente empenhado em solucionar o caos do trânsito que acompanhamos todo dia, e sugeria mudanças de trajeto salvadoras da pátria.. mas não havia a menor vinculação daquela estrutura viária, tráfego, com as vias propriamnete ditas que carecem de rede de dreangem em estado de eficiência... E naquela ocasião lembrei a ele e ao deputado ali presente, antigo morador do bairro, que o acompanhava: 
Como solucionar um problema de trânsito se esta administração permite a cada dia que se construa mais e mais?! 
Como desafogar o trânsito das vias maiores para menores, se estas não resistem à menor chuva? 
O sr Marcolini não teve nem oportunidade de me responder. A ironia é que começou a cair um temporal - era dezembro - e tive que sair rapidinho e preocupada em não conseguir chegar em casa, duas quadras ali adiante. Aquela rua costuma encher a qualquer sinal de água.. Isso desde dezembro até hoje...


Agora a prefeitura fará um mergulhão. Quanto tempo esta solução vai durar, quanto tempo vai atender à demanda dos carros, que não param de aparecer a cada dia nessa cidade de meu-deus?
Por que continua a prefeitura dessa abandonada cidade a atender a demanda de carros, e não a de outros veículos comprovadamente melhores para a situação de caos onde nos encontramos?!
Quando que vão parar de cavar buraco e consertar o buraco cavado?! 
Porque quando se ganha dinheiro com a especulação imobiliária, a cidade cresce e muito. Sem preparo, sem planejamento, só querendo ganhar, e muito!, e a curtíssimo prazo, só há mais pessoas demandando mais serviços, mais infraestrutra, e mais caos... e nos últimos minutos hábeis de um mandato vergonhoso, lá vem seu china na ponta do pé, lé com lé, cré com cré, para salvar a pátria e deixar nos estertores da gestão uma obra mega.. será um elefante branco, ou melhor, uma baleia encalhada? 

Mas não vamos ser pessimistas, meu povo, vamos acreditar mais um vez que tudo há de dar certo... 

Citei uns poucos exemplos que me lembrei agora. Esta tribuna também está aberta . Quem se candidata?


A Cidade Parou


“Stop.
A vida parou
Ou foi o automóvel?”
                Carlos Drummond de Andrade – Alguma Poesia, 1930

Foi exatamente deste poema anti-futurista de Drummond que surgiu a ideia para o título deste blog. No entanto, aviso aos navegantes que não sou nem anti-futurista nem tampouco procurarei endemoniar a figura do automóvel, apenas acredito que a sua utilização em determinadas situações deva ser repensada.

A sensação de todos é a de que acidadeparou, engarrafou, mas qual é o significado disto?

Significa que, “ocorreu uma saturação, ou seja, que o volume de tráfego gerou uma demanda por espaço maior que a disponibilidade deste”[i].

E por falar em espaço, os principais espaços de circulação de pessoas e mercadorias são as vias[ii], mas, também, os pontos de parada, estações e terminais, assim como diversos outros espaços da cidade.

Cada meio de transporte em movimento, ou mesmo parado, consome um determinado espaço, e há realmente uma grande desigualdade de intensidade de consumo entre os diferentes modos, como podemos perceber no mosaico de fotografias abaixo.



A imagem não representa, de fato, o espaço que é consumido por cada uma das três formas de deslocamento, pois se trata de uma série de fotografias que registram pessoas e veículos parados e não em movimento.  De qualquer forma, é uma excelente ferramenta para comparar a grande diferença de espaço que cada modo demanda.

Podemos dividir o espaço da mobilidade basicamente em duas categorias de uso: restrito e compartilhado. Um exemplo de uso restrito é o metrô, que não divide seu espaço de circulação com nenhum outro tipo de veículo. Por outro lado, grande parte das ruas de uma cidade tem o uso compartilhado por ônibus, automóveis, motos, bicicletas e pedestres.

A constante saturação de uma via compartilhada, o conhecido engarrafamento é apenas um dos sinais de que a convivência entre os distintos modos já não é mais possível. O senso comum faz pensar que a solução do conflito está na ampliação do espaço de circulação das vias existentes ou mesmo na construção indiscriminada de novas vias, quando, na verdade, em grande parte das vezes é possível resolver o problema apenas reorganizado a rede existente.

No próximo post discutirei um pouco sobre o conflito entre os meios de transporte público e privado nas ruas do Rio de Janeiro. Comentários são sempre bem vindos.


[ii] Detran RJ, Uma via é, a superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central”.

Obras do mergulhão da Marquês do Paraná vão alterar trânsito no centro


Com o início das obras do mergulhão da Avenida Marquês do Paraná, haverá um esquema especial de trânsito, a partir da próxima quarta-feira (1º de junho), para garantir o acesso ao Centro da cidade. O mergulhão faz parte do Plano elaborado pelo urbanista Jaime Lerner para reestruturação do Sistema de Trânsito e Transportes de Niterói.

Automóveis e caminhões procedentes de Icaraí terão acesso ao Centro através das ruas Euzébio de Queiróz e Marquês de Olinda, chegando à Avenida Amaral Peixoto. Nesta primeira fase, os ônibus não terão seus itinerários alterados e continuarão entrando diretamente na Avenida Amaral Peixoto pela faixa exclusiva.

Os veículos que se dirigirem à Ponte Rio-Niterói ou à Região Norte da cidade não terão qualquer alteração no trajeto e deverão seguir pelas avenidas Marquês do Paraná e Jansen de Melo. Já no sentido contrário, da Ponte para Icaraí, os veículos deverão fazer o contorno pela Avenida Amaral Peixoto e Rua Dr. Celestino, como já fazem atualmente das 6 às 17 horas.

Este esquema permanecerá em vigor durante a primeira fase da obra, quando serão feitos os remanejamentos das redes de serviços públicos de água, esgoto, telefonia, gás e águas pluviais. Na segunda fase, quando será iniciada a terraplenagem e cravação de estacas, novo esquema será implantado.

A Nittrans acredita que, com o novo esquema, o trânsito deverá fluir normalmente no período da manhã, mas deverá ter algumas retenções no pico da tarde e recomenda aos motoristas, itinerários alternativos, sempre que for possível. Uma das possibilidades para trânsito entre o Centro e Zona Sul é por barcas, Gragoatá e Boa Viagem e orla do Ingá e Icaraí.
 
Abaixo, confira o gráfico com as mudanças.
Fonte: Prefeitura de Niterói

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Preservação da Memória, Preservação da Vida

Achei que não seria capaz de escrever à altura... então fui buscar algo que sabia que tinha sido escrito..
Nos meus tempos de faculdade - de arquitetura - lembro de ter lido um texto de um professor, inesquecível, chamado Joca Serran, acho que publicado no Jornal do Brasil, onde ele falava sobre a importância da memória e de sua preservação, ou algo assim... 
Faz muito tempo... Não achei. 
Mas achei o texto abaixo que soluciona em parte minha agonia em ver uma cidade sendo dia após dia dilapidada em sua memória, no patrimônio de cada um que vive há anos numa mesma cidade...
Hoje uma amiga me perguntava sobre o 'valor' do Lido.. O Lido não tem nenhum 'valor' arquitetônico, mas o valor afetivo, o valor que cabe na memória de cada um que de alguma maneira tinha aquele canto guardado na memória. 
Vale lembrar que isso vem acontecendo em Niterói em uma rapidez absurda, e a cada canto que se deixe de passar por uns poucos meses, ao se retornar é possivel que seja incapaz de reconhecer.. Isso faz mal à saúde!
Posto alguns depoimentos que obtive hoje no Facebook, que, como não pedi autorização para publicar, coloco só as iniciais:

LPM: "Quando eu era criança, eu ia no Lido com meu pai, minha mãe e meu irmão pra comer filé de peixe com molho de camarão. Me lembro das mesas, das toalhas brancas e do prazer de sair com a família para comer coisa gostosa. O Lido vai ficar pra sempre no meu coração."
SLM: Que tristeza quando não vi o que tinha restado do Lido. No restaurante, ia sempre com meus avós paternos, meus pais e meus irmãos...Eram momentos muito gostosos em família....E aquela maionese de camarão que nunca encontrei igual....Pena, muita pena...A Niterói da minha infância está ficando só na minha memória...
MS: "Fiquei mais uma vez chocada qdo passei lá outro dia e vi que não restava mais nada." 

 
 Publicado em 17/02/10 às 09h00
  Preservação da Memória, Preservação da Vida
 
“If you know your history / Then you would know where you coming from / Then you wouldn´t have to ask me / Who the heck do I think I am…” Bob Marley
 
A História e sua ligação com a Memória e a Preservação Patrimonial podem ser encaradas, em um mundo tão conturbado e carente, como algo que deveria ser alvo de preocupação apenas quando as necessidades básicas – moradia, alimentação, saúde, saneamento básico e educação – já estivessem supridas.
 
A memória, matéria prima da história, é fluida, dinâmica, capaz de criar vínculos entre o passado e o presente e está em constante construção. O patrimônio depositado em museus, arquivos, bibliotecas e centros de memória tem a possibilidade potencial de ser vetor de evocação de memórias. Livros, coleções museológicas ou pessoais tais como cartas, fotografias e mesmo objetos inusitados, sem apelo por sua origem, material ou forma de produção são guardados como formas de registro, lembranças, fragmentos capazes de fazer ressurgir memórias próximas ou distantes. Portanto, a preservação de índices de memória é um direito tão vital quanto qualquer outra necessidade básica.
 
As recentes catástrofes ocorridas em nosso país, como em São Luís do Paraitinga e as mais dramáticas como conseqüência dos vários terremotos no Haiti são alguns exemplos que revelam que a cultura é o que pode fazer a diferença na recuperação de valores humanos. Além destas, inevitáveis, há as infames catástrofes provocadas pelo ser humano tais como os conflitos armados, a corrupção, a destruição de habitats naturais e os desastres tecnológicos cujos impactos provocam mortes, situações de abandono, desequilíbrio ecológico além de causar elevados prejuízos econômicos.
 
Nesses momentos, a preservação do patrimônio é invocada sempre que esperamos que a humanidade não repita os mesmos erros, buscando projetar um futuro que seja mais justo e sustentável para todas as formas de vida.
 
O Patrimônio Cultural é uma das manifestações de nosso ser e estar na vida. Seja ele material ou imaterial, dá sentido às nossas ações e permite que possamos refletir sobre quem somos, onde estamos e para onde desejamos seguir. O patrimônio é tão significativo que, ao ser retirado do seu local de origem por motivo de furto, roubo, vandalismo ou por ser atingido em situações extremas, as populações sentem sua perda como potencialização do grau da tragédia, principalmente quando há perda de vidas humanas, pois a coesão e a identidade do indivíduo na sociedade se perde.
 
Por isso, justifica-se o esforço de vários organismos nacionais e internacionais e das instituições de guarda, na preservação e restauração de acervos comprometidos, bem como o esforço no combate ao tráfico ilícito e ao salvamento de bens atingidos em situações de catástrofes. Essas ações podem significar a restituição de referenciais, o retorno da esperança, da dignidade e um facilitador nos processos de reconquista da autoestima e da reconstrução de identidades pessoais e coletivas das comunidades atingidas.
 
Por Marilúcia Bottallo, coordenadora do Centro de Memória Bunge