sábado, 15 de janeiro de 2011

Atitudes simples fazem diferença

n'OGLobo por Renata Leite - 
15.01.2011

Duas latas de lixo bastam para inserir um hábito ecologicamente correto na rotina: a separação do lixo. Resíduos secos, ou seja, recicláveis, para um lado; resíduos molhados, os alimentos, para o outro. Parece simples... e é, dizem niteroienses que fazem sua parte para diminuir a quantidade de lixo jogado, diariamente, em aterros, lixões, encostas e rios. 

Se em muitos países europeus, mais da metade do lixo é separado entre orgânicos e inorgânicos antes do descarte final, esse número não chega a 3% no Brasil, segundo ONGs ligadas ao meio ambiente. Falta adesão de muitos empresários e cidadãos para que a questão avance no país.

— As pessoas consideram um desconforto. Reclamam quando encontram lixo na praia, mas nem sempre assumem a responsabilidade individual. Se você não faz a sua parte, como vai cobrar do coletivo? — questiona Axel Grael, que separa o lixo em sua casa há mais de 25 anos.
Integrante da famosa família niteroiense de velejadores, Axel diz que o lixo é uma dor de cabeça para qualquer adepto do esporte. Embalagens que costumam flutuar na Baía de Guanabara prendem nas embarcações, causando transtornos para quem deseja deslizar sobre as águas.
Saiba o que outros Niteroienses estão fazendo para minimizar os impactos do lixo no meio ambiente e embarque nessa onda verde. A matéria completa está no especial publicado pelo GLOBO-Niterói neste domingo e no GLOBO-Digital (serviço exclusivo para assinantes).

Blog promove protesto na orla de Icaraí

N'OGlobo por Fabíola Gerbase - 
15.01.2011
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19h10m
Quem circular pela Praia de Icaraí na manhã deste domingo, encontrar uma manifestação e perguntar quem a mobilizou, não terá como resposta uma associação de moradores ou uma ONG. O protesto, batizado de “Niterói merece respeito”, tem como organizador o Blog de Niterói, que, desde 2007, é o espaço no qual o professor de Geografia Luciano Dalcol fala sobre problemas e virtudes da cidade. A impressão dele e de outros niteroienses que a prefeitura tem sido pouco atuante faz multiplicar blogs e perfis em sites de relacionamentos. Criado recentemente no Facebook, o “Niterói denuncia” se propõe a ser um espaço “dedicado a nós (...), que não aguentamos mais tantos abusos, roubos, falta de planejamento e descaso”. Outros exemplos, entre blogs e perfis em comunidades, têm nomes divertidos como "Acorda, Jorge", "Explana, Niterói" e "Desabafos niteroienses".
No caso do Blog de Niterói, a ideia é extrapolar a esfera virtual. Dalcol convocou a manifestação para as 10h do domingo (dia 16), na orla de Icaraí, em frente à guarita da PM que fica na altura da Rua Miguel de Frias. “Queremos protestar contra essa política do ‘vamos ver’”, escreveu Dalcol. Seu perfil no Twitter, o @BlogNiteroi, já tem 1.710 seguidores.
A íntegra desta reportagem está no GLOBO-Niterói deste domingo.
O que você acha da iniciativa do blog? Comente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Justiça obriga Município de Niterói a apresentar ações de prevenção


Comentando matéria de Raquel Rolnik: Em Niterói acontece algo no mínimo curioso...

Em Niterói acontece algo no mínimo curioso... 
Enquanto a Prefeitura faz desapropriações em áreas de risco, totalmente comprometidas e contra indicadas pelos mais diversos laudos técnicos, e/ou em evidentes áreas ambientais, inclusive planejando remover uma população de posseiros que vão muito bem obrigada em suas moradias sólidas e bem construídas substituindo seu modo de viver - inclusive com criação de pequenos animais - para apartamentos de 45m2.. 
Essa mesma Prefeitura quer 'revitalizar' o centro da cidade, muito degradado, querendo incentivar lá  a construção de grandes prédios comerciais e atrair classes mais abastadas para ir morar em novos prédios residenciais...
Diz assim parte da reportagem n'OFluminense de 9/01/2011:

(..) “"O Centro de Niterói tem um grande potencial, pois é um local plano, com toda a infraestrutura necessária para receber os moradores (ênfase minha!) e conta com uma bela vista da cidade do Rio. Há a possibilidade de construção tanto de empreendimentos residenciais, voltados para as classes média e alta, quanto de prédios comerciais”, avalia.

Prefeitura de Niterói começa a revitalizar o Centro
De acordo com o diretor da Ademi-Niterói, a Prefeitura está começando a implementar medidas de revitalização na área, mas é necessário atrair moradores para a região e, consequentemente, mais investimentos. Segundo ele, é necessária uma revisão na legislação construtiva do Centro." (..) 

Pergunta: por que não alterar a legislação, caso necessário, e implantar lá o Programa Minha Casa Minha Vida, para receber os desabrigados e o dito deficit habitacional niteroiense?? As características são excelentes para a população que mais precisa de atenção a pelo menos 9 meses!!...
Para quê atrair novos moradores para uma área que já foi residencial, de classe mais baixa, e revitalizar para esse mesmo segmento? Basta aproveita a infraestrutura, a localização, tudo que eles se esforçarão para atrair NOVO público!!!... Não é preciso. Basta juntar o bom senso com a vontade de comer!
A única resposta que tenho é: pra ganhar dinheiro! Muito dinheiro!! Não culpo empresários da construção civil em querer ganhar muito dinheiro...pelo menos seu objetivo é claro, ainda que questionável... Mas... mais uma pergunta: a Prefeitura de Niterói deve investir na sua população carente por movimento, no mínimo há 9 meses, ou apoiar o empresariado da construção civil?! 

veja a íntegra da reportagem citada em http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/habitacao/centro-de-niteroi-se-renova?314400083=1

A gestão e o planejamento do solo parece que não fazem parte da política urbana no Brasil

Ontem à tarde participei do Jornal da Globo News, novamente falando sobre a questão das chuvas. O vídeo está disponível aqui.
A apresentadora Leilane Neubarth começou a entrevista me perguntando o que pode ser feito para mudar essa situação. Segue abaixo a transcrição do trecho inicial:
Essa tragédia tem a ver com o fato de que a ocupação do território se dá de forma completamente negligente. No fundo nós estamos construindo cidades sem nenhuma consideração em relação à vulnerabilidade dos espaços. E quando se fala nisso, imediatamente, as pessoas pensam: “mas por que é que esse povo foi morar em área de risco?”.
Nós precisamos entender que não foi dada nenhuma oportunidade para que os moradores urbanos brasileiros pudessem se instalar num local com qualidade, urbanidade e segurança. Na verdade, a maior parte das nossas cidades foi autoproduzida por seus moradores nos piores lugares, que são os lugares mais baratos, já que o salário dos trabalhadores brasileiros jamais foi suficiente pra cobrir o custo da moradia numa área adequada.
Mas essa tragédia na região serrana do Rio de Janeiro está mostrando que não são só os bairros populares irregulares e autoconstruídos que estão sujeitos a esse tipo de problema. Nós vimos condomínios de luxo desabando, instalados em áreas inadequadas.
E isso leva a uma outra questão, que é a gestão do solo urbano. E esse é um problema ainda não tocado. Fala-se em política de habitação, em construção de casas, em saneamento, em obra disso e daquilo, em dinheiro para isso e aquilo, mas a gestão e o planejamento do solo é um assunto que parece que não faz parte da agenda de política urbana no Brasil.
A gestão é precária e os efeitos disso é o que nós estamos vendo agora, e que se repete todos os anos e vai continuar se repetindo se esse modelo e essa lógica não for superada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Antes tarde do que nunca!! Guardas Municipais de Niterói treinam para socorrer em catástrofes


n'OFluminense em 11/01/2011
De acordo com o secretário de Defesa Civil, o curso tem por objetivo ensinar técnicas de reconhecimento de estruturas em colapso, primeiros socorros e proteção ambiental


A Defesa Civil de Niterói iniciou nesta segunda-feira um curso de socorro à vítimas de catástrofes para 100 Guardas Municipais, na sede da guarda na Rua Coronel Machado, 18, Ponta da Areia. De acordo com o secretário de Defesa Civil, coronel Adilson Alves, o curso, tem por objetivo ensinar técnicas de reconhecimento de estruturas em colapso, primeiros socorros e proteção ambiental.
O secretário de Segurança e Controle Urbano, Wolney Trindade, acrescentou que os membros de associações de moradores, de áreas consideradas de risco, que desejarem participar do curso podem se inscrever na sede da Guarda Municipal.
O curso terá duração de um mês. As aulas serão realizado diariamente de segunda a sexta, de 9h às 12h.

Maricá –
 A Prefeitura de Maricá vai iniciar a pavimentação das ruas do bairro Pedreiras, no Centro da cidade. A obra teve seu cronograma prejudicado por causa das chuvas e está sendo realizada em parceria com o Governo do Estado. Essa obra faz parte dos projetos que foram aprovados pelo Ministério da Integração Nacional, que liberou uma verba emergencial no valor de R$ 10 milhões para Maricá no ano passado. As obras começam na Rua Nilton Tornelles de Souza e na Avenida Beira Rio.De acordo com o secretário de Defesa Civil, coronel Adilson Alves, o curso, tem por objetivo ensinar técnicas de reconhecimento de estruturas em colapso, primeiros socorros e proteção ambiental. Foto: Arquivo

O antropoceno: uma nova era geológica

in Plurale 11/01/2011 | 06:07 
Leonardo Boff - Filósofo e Teólogodestaques
As crises clássicas conhecidas, como por exemplo a de 1929, afetaram profundamente todas as sociedades. A crise atual é mais radical, pois está atacando o nosso modus essendi: as bases da vida e de nossa civilização. Antes, dava-se por descontado que a Terra estava aí, intacta e com recursos inesgotáveis. Agora não podemos mais contar com a Terra sã e abundante em recursos. Ela é finita, degradada e com febre não suportando mais um projeto infinito de progresso.
A presente crise desnuda a enganosa compreensão dominante da história, da natureza e da Terra. Ela colocava o ser humano fora e acima da natureza com a excepcionalidade de sua missão, a de dominá-la. Perdemos a noção de todos os povos originários de que pertencemos à natureza. Hoje diríamos, somos parte do sistema solar, de nossa galáxia que, por sua vez, é parte do universo. Todos surgimos ao longo de um imenso processo evolucionário. Tudo é alimentado pela energia de fundo e pelas quatro interações que sempre atuam juntas: a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear fraca e forte. A vida e a consciência são emergências desse processo. Nós humanos, representamos a parte consciente e inteligente da Via-Láctea e da própria Terra, com a missão, não de dominá-la mas de cuidar dela para manter as condições ecológicas que nos permitem levar avante nossa vida e a civilização.
Ora, estas condições estão sendo minadas pelo atual processo produtivista e consumista. Já não se trata de salvar nosso bem estar, mas a vida humana e a civilização. Se não moderarmos nossa voracidade e não entrarmos em sinergia com a natureza dificilmente sairemos da atual situação. Ou substituímos estas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco de nos autodestruir.A consciência do risco não é ainda coletiva.
Importa reconhecer um dado do processo evolucionário que nos perturba: junto com grande harmonia, coexiste também extrema violência A Terra mesma no seu percurso de 4,5 bilhões de anos, passou por várias devastações. Em algumas delas perdeu quase 90% de seu capital biótico. Mas a vida sempre se manteve e se refez com renovado vigor.
A última grande dizimação, um verdadeiro Armagedon ambiental, ocorreu há 67 milhões de anos, quando no Caribe, próximo a Yucatán no México, caiu um meteoro de quase 10 km de extensão. Produziu um tsunami com ondas do tamanho de altos edifícios. Ocasionou um tremor que afetou todo o planeta, ativando a maioria dos vulcões. Uma imensa nuvem de poeira e de gases foi ejetada ao céu, alterando, por dezenas de anos, todo o clima da Terra. Os dinossauros que por mais de cem milhões de anos reinavam, soberanos, por sobre toda a Terra, desapareceram totalmente. Chegava ao fim a Era Mesozóica, dos répteis e começava a Era Cenozóica, dos mamíferos. Como que se vingando, a Terra produziu uma floração de vida como nunca antes. Nossos ancestrais primatas surgiram por esta época. Somos do gênero dos mamíferos .
Mas eis que nos últimos trezentos anos o homo sapiens/demens montou uma investida poderosíssima sobre todas as comunidades ecossistêmicas do planeta, explorando-as e canalizando grande parte do produto terrestre bruto para os sistemas humanos de consumo. A conseqüência equivale a uma dizimação como outrora. O biólogo E. Wilson fala que a “humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica” destruidora. A taxa de extinção de espécies produzidas pela atividade humana é cinquenta vezes maior do que aquela anterior à intervenção humana. Com a atual aceleração, dentro de pouco – continua Wilson – podemos alcançar a cifra de mil até dez mil vezes mais espécies exterminadas pelo voraz processo consumista. O caos climático atual é um dos efeitos.
O prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul J. Crutzen, aterrorizado pela magnitude do atual ecocídio, afirmou que inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno. É a idade das grandes dizimações perpetradas pela irracionalidade do ser humano (em grego ántropos). Assim termina tristemente a aventura de 66 milhões de anos de história da Era Cenozóica. Começa o tempo da obscuridade.
Para onde nos conduz o antropoceno? Cabe refletir seriamente.

A questão das chuvas na visão dos... leitores de Raquel Rolnik

A questão das chuvas na visão de nossos leitores 


10/01/11 raquelrolnik
Nos últimos meses escrevi alguns textos sobre as chuvas que afetam determinadas regiões do país nesta época do ano. Falei sobre as iniciativas dos municípios para evitar mais tragédias, a situação das vítimas das chuvas do ano passado em Niterói e os desafios de São Paulo para mudar essa situação. Nesse período, recebi também comentários interessantes de leitores de diferentes cidades do Brasil.
Alexandre Pessoa, engenheiro da Fiocruz, ressaltou a importância do saneamento básico para equacionar esta questão no Rio de Janeiro. Segundo ele, o “o estado propõe no chamado Pacto pelo Saneamento obras de esgotamento sanitário junto com drenagem o chamado sistema unitário, que amplia os riscos sanitários e ambientais. O mais grave é que o Pacto Pelo Saneamento demanda diversas obras, mas estas não são fundamentadas nem por um Plano Diretor de Manejo de Aguas Pluviais e nem pela atualização do Plano Diretor de Esgoto Sanitario, datado ainda de 1997.”
Segundo Alexandre, “o sistema adequado para o RJ seria o separador absoluto, ainda regulamentado em diversas legislações no país. Para isso, seria necessário priorizar o saneamento no estado e nao há atalhos”. Já Celem Mohallem, presidente do comitê da bacia hidrográfica do rio Sapucaí, em Minas Gerais, diz que concorda com Alexandre e conta que está em estudo em sua região “a implantação de um plano de drenagem nas áreas urbanas usando recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – Fhidro.”.
Celem destacou ainda o sistema de alerta de cheias que foi implementado na bacia do Sapucaí com recursos da Copasa e assessoria da Universidade Federal de Itajubá. “O sistema se baseia em 18 estações fúlvio-pluviométricas e um programa de manchas de inundação, que no caso de Itajubá, nos dá condições de previsão das possíveis áreas atingidas com até 8 horas de antecedência. No caso das cidades de Sta. Rita e Pouso Alegre o tempo é maior. Por 3 anos o sistema já foi testado e se mostrou plenamente eficiente.”, afirma.
Já Sergio Gollnick, de Santa Catarina, afirma que ainda hoje existem 1.200 famílias em abrigos improvisados na cidade e critica a burocracia do governo federal no repasse de verbas. Segundo ele, “dos quase 700 milhões que foram anunciados pelo Governo Federal, pouco chegou ao destino, interrompidos pela “burrocracia” dos técnicos da Caixa Econômica Federal ou de disputas político partidárias”.
Ana Carolina, de Belo Horizonte, compara a morosidade do poder público para resolver a questão das chuvas com a rapidez na aprovação de medidas que facilitarão as obras para a Copa do Mundo. “Os subsídios para hoteis e estádios de futebol – esses sim! – são rapidamente aprovados e liberados! Pensar naqueles que já estão desabrigados e nos desabrigados que infelizmente ainda estão por vir, parece realmente não fazer parte da agenda de nossos gestores nos 03 níveis de governo, independente da filiação partidária”, afirma.
Jorge Carvalho, de Niterói, diz que as pessoas que foram vítimas das chuvas do ano passado “por puro desespero e falta de alternativa, voltaram paras os mesmos lugares onde perderam familiares e amigos na ocasião da catástrofe” e que a “única obra de contenção de encostas está sendo feita para salvar o anexo do museu do MAC (o Maquinho), este construído em área de risco, na área que tem o solo mais instável do município segundo geólogos”.
Marcelo Soares resumiu muito bem essa história que já estamos vendo se repetir: “todo ano a chuva tem data marcada pra pegar os governos de surpresa.”