sábado, 1 de janeiro de 2011

A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Os grileiros, ah os grileiros. Espalham cercas e dizem: isso aqui é meu!
Mas quem é dono da terra?!

Isso me lembra a carta de um índio...
Chefe Sioux Touro Sentado - Clique sobre a imagem para vê-la ampliada



A Carta do Cacique Seattle, em 1855
Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos 
(Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já 
147 anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta: 





"O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande 
chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, 
pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois 
sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O 
grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza 
com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha 
palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.


Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não 
somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de
nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o 
meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas 
escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do 
meu povo.

    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão 
de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo 
quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai 
embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, 
nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a 
terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do 
homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que 
nada compreende.

Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa 
ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser 
um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E 
que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a 
conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o 
espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma 
de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o 
mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar 
que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como 
se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. 
Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os 
abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante 
cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos 
apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos 
os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto 
acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também 
os filhos da terra.

    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem 
sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo 
com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos 
os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns 
invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado 
em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um 
dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus 
é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja 
possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira 
ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é 
demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais 
depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma 
noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados 
todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as 
colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão 
acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; 
o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.


    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais 
as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro 
oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos 
selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos 
que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas 
que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois 
que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma 
nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas 
e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. 
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. 
Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, 
e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. 
Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem 
mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."
    

Niterói e a Baía de Guanabara

Imperdível entrevista com Luís Antônio Pimentel, historiador que tem muito a contar sobre Niterói e a Baía de Guanabara Blog de Niterói 13 ago2010 

Encontrei essa entrevista por acaso num documento de texto, perdido entre tantos outros documentos antigos. Trata-se de uma entrevista realmente fenomenal, que você não se arrependerá de ler. A entrevista é conduzida por Pedro Argemiro e Webber Lopes e foi feita no início dos anos 2000. Infelizmente, continua atual.
Como não a encontrei na web, resolvi republicá-la na íntegra, devido ao seu valor histórico e cultural.

Baía de Guanabara: Água Escondida entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico

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De lindas paisagens que recebem turistas em luxuosos transatlânticos a línguas negras despejando milhões de litros de esgoto em suas águas, a Baía de Guanabara convive, diariamente, com situações diametralmente opostas. Muito mais do que o cartão postal mais famoso do Brasil, ela guarda por trás de seus incontáveis encantos, histórias de sangrentas batalhas pela sua posse. Lutas que perduram até hoje, só que desta vez para salvá-la da poluição e do descaso das autoridades. E para desvendar estes mistérios ninguém melhor do que o jornalista e historiador Luís Antônio Pimentel, homem de rara bravura e determinação que na década de 30, do século passado, viveu, no Japão, os momentos que antecederam a Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

O primeiro nome da Baía de Guanabara foi Niterói?

Sim, foram os índios que deram. Eles chegaram pelo mar, pela boca da Baía e não por terra. Desta forma, você vê bem que ela é Água Escondida. A sua entrada que é demarcada pelo Pão de Açúcar de um lado e a Fortaleza Santa Cruz do outro é muito pequena. E quem entra por um sistema geográfico de boca tão estreita assim, não pode imaginar que exista lá dentro – e continua existindo, apesar de todos os aterros criminosos – essa imensidão de água. Inclusive com uma ilha do tamanho da Ilha do Governador.

Este era o nome mais correto para a Baía?

Niterói quer dizer Água Escondida, Água Oculta. E digo mais, Água Oculta é a tradução mais apropriada. Água que está por se descobrir. Mas de qualquer maneira, Água Oculta ou Água Escondida é a mesma coisa em tupi, porque esta língua não tem sinonímia rica. A sinonímia vem do português.

Como o nome Niterói deixou de ser o da Baía e passou a ser o da cidade?

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Niterói surgiu como o povoado de São Lourenço dos Índios. Depois, ela se estendeu e ficou sendo a Praia Grande. A rigor, essa Praia Grande se estendia do Gragoatá até a Ponta da Armação, na Ponta D’Areia. Quando ganhou este nome, já era intenso o movimento de gente da corte vindo para Niterói. Inclusive com visitas constantes de Dom João VI. Ele tinha uma doença de pele que sofria sensíveis melhoras ao tomar banhos de mar na Praia de São Domingos. Deram para ele, neste bairro, um casarão de três andares que perdurou, mais ou menos, até 1908. Pela tradição da época toda vez que o rei dormia em uma região, ela passava a ser chamada de real. Então, a cidade ganhou o título de Vila Real da Praia Grande. Por sinal Dom João VI gostava muito de Niterói e a projetava bastante. Certa vez, ele passou em revista tropas militares, que iam para ao Sul, em Niterói. Debret registrou o acontecimento em uma de suas gravuras.

Depois a Vila Real da Praia Grande passou a se chamar Niterói?

Isto foi em 1835. Os governantes da época queriam um nome mais imponente e escolheram Niterói. Só que a sua tradução, Água Escondida, ficou meio imprópria. Se esse nome fosse aplicado mais recentemente, ficaria mais próprio porque a CEDAE escondia a água. Essa nova companhia (referindo-se a Águas de Niterói – nota da redação), eu não sei ainda se esconde água.

Houve um poeta que também se referia Baía de Guanabara como Niterói?

Foi o Visconde de Araguaia. Ele fez um poema que dizia assim: “Niterói, Niterói como és formosa. Eu me glorio de dever-te o berço…” E o Visconde de Araguaia nunca teria vindo a Niterói. Ele estava se referindo a Baía de Guanabara.

De onde veio o nome Guanabara?

Também veio dos índios. Significa Braço de Mar. Então você vê, não é muito próprio. Mas, enfim é como ela se chama hoje.

O que você lembra em termos de fauna de quando as águas da Baía eram limpas?

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Acabaram com tudo. Os primeiros a sumir foram os grandes bandos de golfinhos. Quando eu era jovem e pegava a barca, os golfinhos vinham brincando na esteira de espuma deixada pela embarcação. Já não se vê a mesma quantidade de golfinhos, na Baía de Guanabara, há mais de 40 anos. Depois, a poluição foi afastando outras espécies.

As baleias vinham visitar a Baía de Guanabara freqüentemente?

Em seus escritos Anchieta afirma que via as baleias passear, soltando esguichos, e penetrar na Baía de Guanabara. Recentemente, uma baleia refez o trajeto descrito pelo jesuíta. Mas, hoje isto é uma exceção. A baleia é outro animal que também foi afastado pelo homem. Quando, eu era jovem uma baleia foi parar na Praia das Flechas e morreu encalhada. De vez em quando isto ocorria, porque existiam muitas baleias.

Havia caça a baleia na Baía de Guanabara?

Havia uma indústria que explorava a caça da baleia. Eles também construíam e reparavam pequenos baleeiros. Depois de arpoado, o animal era retalhado na Ponta da Armação. Seu óleo era muito procurado para diversas finalidades: iluminação, lubrificação, fazer tinta, além de ser comestível entre outras coisas.

Era também usado na construção civil.

Como não existia cimento na época. Era usada para construir os prédios, igrejas e o viaduto dos arcos uma mistura de óleo de baleia e cal de concha.

Você lembra a última vez que se banhou na Baía de Guanabara?

Me lembro, mas já me banhei com muito nojo. Foi na enseada de São Francisco e estava cheio de gente lá.
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Quando foi isto?

Há uns cinco ou seis anos. Fui por extravagância, lugar correto para se banhar é em uma praia oceânica. A Baía de Guanabara, hoje, é um mar de dejetos, um mar de cocô.

Mas, você se lembra da época em que se banhava tranqüilamente?

Ah, eu me lembro. A Praia de Icaraí, a de Boa Viagem, o Saco de São Francisco e até a Praia de Adão e Eva eram muito boas. E eu percorria tudo isso, nadando, em canoas e barcos. Também pescava. Fiz muita camaradagem com os pescadores. Era uma coisa formidável. As águas eram limpíssimas, sabe.

Você acha que um dia vai poder voltar a tomar banho nas águas Baía de Guanabara?  Há como e interesse em despoluí-la?

Como despoluí-la há. Agora, eles não deixam. Li nos jornais que chegaram grandes recursos financeiros do estrangeiro para a despoluição. Mas os anos se passaram e onde estão os resultados?

Quem apenas vê as belezas da Baía de Guanabara, não sabe que por trás delas há uma história muito sangrenta. Fale um pouco disto.

Morreu muita gente. Ocorreram batalhas desde os tempos imemoriais, de antes do descobrimento. Durante a Revolta da Armada, do Floriano, em 1893, os revoltosos bombardearam muito Niterói, fazendo um grande estrago na cidade. No bairro do Barreto havia uma prainha, de uns 20 a 30 metros, chamada Porto do Meyer. Lá, os revoltosos concentraram muitas embarcações, para tentar desembarcar. Mas, as forças em terra, que eram contra eles, já estavam preparadas. Armaram em cima de uma pedra, que passou a se chamar Pedra do Holofote, o maior holofote da Marinha que existia na época. Quando os revoltosos estavam desembarcando, durante a noite, o holofote foi ligado. Surpreendidos e com a visão ofuscada pela luz, eles foram liquidados ali mesmo.

Foi uma carnificina?

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Ah foi! Acabaram com o pessoal ali mesmo. Mas, muito mais sangue foi derramado nestes 500 anos. Após o descobrimento, ocorreram muitas batalhas sangrentas entre portugueses e franceses, envolvendo tribos indígenas que já eram inimigas naturais. Os franceses chegaram a praticamente controlar a Baía de Guanabara, restando como último reduto português a Ilha da Boa Viagem. Depois com a ajuda deAraribóia, cacique da tribo Temiminó, os portugueses conseguiram expulsar os franceses. Foram muitas e tremendas batalhas, com muito sangue derramado, se matou muita gente. Foi o que eu chamo de a batalha da igara contra a belonave, da flecha contra a arma de fogo. Depois conversaram com o Antônio Maris ou Marins, marido de Isabel velha, que era dono da Capitania Hereditária daqui para que ele cedesse para Araribóia terras em Niterói. Instalaram Araribóia no morro onde ele tinha visibilidade de toda a entrada da Baía. Naquela época dava para se ver tudo, hoje não. Ali, ele se radicou e começou um povoado. Depois da morte de Araribóia, as terras foram griladas por brancos e mestiços.

Como os últimos índios da Baía de Guanabara foram exterminados?

De várias formas. Mas uma das maneiras mais fáceis, mais eficientes e mais criminosas de destruir uma civilização é acabar com seus costumes, com seus hábitos, com sua religião, com sua residência, com suas lendas, com sua música, com suas vestes. Acabar com sua cultura. Acaba a cultura, acaba o povo.

Tinha índio canibal na Baía de Guanabara?

Todo índio nosso era antropófago. Estes povos primitivos eram todos canibais mesmo. A princípio, eles comiam os heróis do inimigo, na esperança estulta de que comendo aquilo, ele ia ficar valente também. Mas, acabou gostando de comer carne humana.
Fotos: A foto da Baía de Guanabara à noite é de Caio Feres. E a foto do por-do-sol na Baía de Guanabara é de Dani Gama. As fotos de Luis Antônio Pimentel são reproduções.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Arrogância de Cancun

texto postado por Cláudio Oliver no blog Na Rua Com Deus http://naruacomdeus.blogspot.com/2010/12/arrogancia-de-cancun.html



O texto abaixo foi traduzido do original que pode ser lido aqui e expressa de maneira muito clara as agendas com as quais estou pessoalmente envolvido. Ler Gustavo Esteva, a quem considero um mestre querido e um amigo oriundo dos contatos durante minhas pesquisas, é um privilégio especial. Inseri links em cada citação caso o leitor deseje aprofundar seu conhecimento sobre os temas citados.
As lições deste fraco acordo climático? Os Governos tem brincado de Deus e falharam. Agora é com os ativistas.
No esforço de proteger o planeta de nós mesmos… As discussões de alto nível em Cancún eram nossa última chance ... e elas falharam. Mas podemos aprender com este triste episódio: devemos parar de pedir aos governos e às organizações internacionais soluções que eles não querem - e não podem - implementar. E devemos parar de fingir ser Deus pensando que podemos “consertar” o planeta.
Dezoito anos atrás, a pressão do movimento ambiental obrigou a ONU a convocar a Cúpula da Terra (RIO 92): 120 chefes de Estado, 8 mil funcionários e inúmeros ambientalistas se reuniram no Rio; e uma imagem da orquestra tocando enquanto o Titanic afundava inevitavelmente vem à mente.
A conferência, como a Ecologist relatou na época, apenas reforçou a mitologia predominante e destacou os poderosos investimentos disfarçados trabalhando contra uma solução. Com efeito, os cordeiros foram colocados para cuidarem dos lobos. “Após chegarem à conferência, cada caminho tomou um rumo para baixo”, observou o líder ambientalista Juan José Consejo. Ele alertou os ambientalista para o fato de que sua causa havia sido cooptada e que as políticas e ações tomadas em nome da ecologia eram de fato muito danosas ao ambiente.
Mas ainda não aprendemos o suficiente. Continuamos olhando para os poderosos para resolver as coisas. A conferência de Kyoto, em 1997, foi um passo tímido na direção certa, mas as promessas nunca foram cumpridas. Este ano, na Conferência do Povo, em Cochabamba, Bolívia, propostas interessantes foram apresentadas, mas Cancún não levou isso em consideração, e o fraco acordo, eventualmente remendado, não conseguiu superar o fracasso do ano passado em Copenhague. Conforme observou a Via Campesina, o movimento camponês internacional: chegar a nenhum acordo teria sido bem melhor do que um assim tão pobre.
Enquanto isso, o Fórum Internacional de Justiça Climática, convocado por centenas de organizações de vários países, fez outra declaração de Cancún, alternativa e mais valiosa. Com o slogan “Vamos mudar o sistema, não o planeta”, a declaração revelou a verdadeira natureza contra-produtiva das propostas oficiais, que estavam presas no “mercado ambiental”. A declaração defende que deveríamos abandonar o desenvolvimentismo, estabelecer limites, concentrar-nos em espaços locais, e regenerar tradições válidas. Tudo isso, entretanto, cai na armadilha política e intelectual da mentalidade dominante por ainda se pendurar nas instituições e em seus slogans abstratos.
Afirmar ou negar a mudança climática pressupõe que nós compreendemos bem o nosso planeta, Que sabemos como o mesmo reage – tanto agora como nos próximos 100 anos – e que nós possuímos a tecnologia apropriada para o consertar. Isso é pura e simplesmente sem sentido, e intoleravelmente arrogante.
Continuar depositando nossa confiança e esperança em instituições que esperamos que façam as coisas certas vai contra toda nossa experiência e foca a nossa energia no lugar errado. Sim, nós ainda precisamos lutar algumas batalhas institucionais. Por exemplo, nós podemos celebrar o acordo recém assinado em Nagoya, onde 193 membros das Nações Unidas criaram uma moratória de fato para projetos de geoengenharia, condenando qualquer tentativa de alterar o termostato do planeta. Mas devemos entrar em tais batalhas sem rendermos nossa vontade aos administradores governamentais do capital, que continuarão protegendo os principais causadores da destruição ambiental.
Todos os governos, mesmo os mais majestosos, são compostos de mortais comuns, presos em labirintos burocráticos e brigando contra interesses disfarçados que atam suas mãos, cabeças e ideais. Mesmo se Evo Morales governasse o planeta inteiro nós não seríamos capazes de consertar os atuais problemas ambientais.
Precisamos olhar para baixo e para a esquerda, como dizem oszapatistas do México: para as pessoas, e para o que nós mesmos podemos fazer. Por exemplo, parar de produzir lixo em vez de reciclá-lo. Isto requer uma série de coisas, de rejeitar sacolas plásticas e embrulhos até abandonar radicalmente o uso do vaso sanitário com descarga – um dos hábitos mais destrutivos do mundo, absorvendo 40% da água disponível para o consumo doméstico e contaminando tudo que passar por seu caminho. E, em vez do excesso de uso de veículos poluentes, vamos recuperar a auto-mobilidade, a pé ou em bicicletas. Assim como nos esforçamos para comer e beber de forma sensata, vamos viver nossas vidas de uma maneira diferente.
Se definirmos as questões nesses termos, lidar com elas estará em nossas mãos, não nas mãos daquelas criaturas globais institucionais que nunca farão o que é necessário. ELAS NÃO PODEM FINGIR SER DEUS, NÃO IMPORTA O QUANTO ELAS TENTEM.
O tempo veio para mudar o sistema, não o planeta. Só depende de nós, não daqueles que ganham status e renda do sistema. Como o escritor brasileiro Leonardo Boff observou, ativistas deixaram Cancún muito decepcionados com o resultado, mas estavam determinados a finalmente tomar o controle de toda a questão e a viverem suas vidas de seu modo, não da maneira ditada pelo mercado ou pelo Estado.
* Gustavo Esteva é um amigo, um intelectual dos mais brilhantes que o México já produziu, desinstitucionalizado, fundador da Universidade da Terra, em Oaxaca, México. Foi estudante e depois amigo de Ivan Illich e uma das mentes mais influentes no pensamento anti-sistêmico.

Ocupação irregular na encosta do Morro da Viração

Como não sabia a "quem", "onde" ou a "que orgão público" recorrer, resolvi escrever ao Desabafos Niteroienses, onde acompanho registros, protestos e reclamações dos moradores de Niterói com relação a falta de fiscalização das autoridades competentes quanto ao crescimento desordenado da cidade trazendo perda de qualidade de vida para todos.
Venho registrar o início da ocupação irregular na encosta do Morro da Viração, abaixo da rampa de salto do Parque da Cidade. O início verificava-se uma única luz por debaixo da vegetação e, atualmente, já são somam três luzes bem visíveis. Vale destacar que, durante as chuvas de abril, houve o deslizamento de terra nessa área causando prejuízos a moradores do Condominio Aruã. As pessoas que estão construindo moradias nessa área, estão desmatando uma região preservada e, além ilegal não tem consciência do risco que estão submetendo aos que moram abaixo.

Maria Regina Vaz Piña Rodrigues


DN:
Maria Regina,
Primeiro quero agradecer a preferência, ainda que meio 'por exclusão'!! :)
Como você sabe o objetivo do blog é comunicar, denunciar, colocar a 'boca no trombone', 'no mundo'!
Infelizmente nossa cidade continua entregue às traças e nosso prefeito deu uma declaração recentemente onde diz querer fazer de 2011 tres anos em um só... 
Só? só rindo, né?
Bom, a prefeitura tem um canal oficial, a ouvidoria, que não sei ainda como e nem para quê serve, mas sugiro que envie também esta sua denuncia para lá.
Aqui está sendo divulgado para meus 'seguidores' do Facebook e Twitter. 
E algumas 'autoridades' podem ler e tomar conhecimento e quem sabe fazer alguma coisa?! 
Mas pelo estado de desleixo e descaso geral em que se encontra Niterói... recomendo sempre colocar as  barbas de molho, em Ola!

Seguem os endereços:
PMN - ouvidoria@niteroi.rj.gov.br 
Secretaria  Municipal de Urbanismo - urbanismo@niteroi.rj.gov.br
Secretaria Municipal de Habitação - habitacao@niteroi.rj.gov.br
Secretaria Municipal de Controle Urbano - Sr. Gilberto Almeida Rua São João, nº 214 Centro – Niterói – RJ. (21) 2621-1900 (Direto) / 2719-5986 / 2620-8560
Secretaria Municipal de Defesa Civil  Adilson Alves de Souza (21) 2717-2631

Ou seja no site http://www.niteroi.rj.gov.br/ e no item 'secretarias', 
poderá encontrar muitos nomes, endereços, e alguns telefones..
Sugiro insistir.
Grande abraço, 
CG