sábado, 27 de novembro de 2010

Se curiosidade matasse...

17 visualizações da Holanda e 13 do Brasil..isso não quer dizer 17 pessoas diferentes, mas de qualquer forma
é no mínimo curioso... 
Hi guys, façam contato!! Say something! I wanna hear from you too!..
26/11/2010 21:00 – 27/11/2010 20:00
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Permacultura

   Mandala da Permaculturaa
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

permacultura é um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardinsvilasaldeias e comunidadesambientalmentesustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.
Foi criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970. O termo, cunhado na Austrália, veio de permanent agriculture(agricultura permanente), e mais tarde se estendeu para significar permanent culture (cultura permanente). A sustentabilidade ecológica, idéia inicial, estendeu-se para a sustentabilidade dos assentamentos humanos.
Os princípios da Permacultura vem da posição de Mollison de que "a única decisão verdadeiramente ética é cada um tomar para si a responsabilidade de sua própria existência e da de seus filhos" (Mollison, 1990). A ênfase está na aplicação criativa dos princípios básicos da natureza, integrando plantas, animais, construções, e pessoas em um ambiente produtivo e com estética e harmonia. E, neste ponto encontra paralelos com a Agricultura Natural, que sendo difundida intencionalmente pelas pesquisas de Masanabu Fukuoka por todo o mundo, chegaram as mãos dos senhores fundadores da permacultura e foram por eles desenvolvidas.
Permacultura é uma síntese das práticas agrícolas tradicionais com idéias inovadoras. Unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar.
A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial.
Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável.
A Permacultura origina-se de uma cultura permanente do ambiente. Estabelecer em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos - um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidianamente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energias sustentáveis.
Pode se dizer que os três pilares da Permacultura são: Cuidado com a Terra, Cuidado com as Pessoas e Repartir os excedentes

Assista ao vídeo sobre Permacultura - LINHA DA FRENTE - REGRESSO ÀS ORIGENS


REGRESSO ÀS ORIGENS

Numa altura em que a crise coloca graves constrangimentos nos orçamentos das famílias portuguesas, a RTP foi à procura de gente que acautelou o futuro, mudando hábitos de consumo, comportamentos, no sentido de garantir um modo de vida auto-sustentável.
Histórias de pessoas que se tornaram mais felizes com menos.
Seguem os princípios da Permacultura, isto é, a cultura da natureza.
Nesta reportagem do Linha da Frente, acompanhamos o quotidiano de uma conhecida manequim dos anos oitenta, que deixou Lisboa e está instalada no Montijo.Mudou todos os seus hábitos.
Optou por uma vida ligada à natureza.
Tem um jardim comestível. Dedica-se à agricultura biológica.
E agora, quando tem de fazer compras, não faz grandes gastos.
Um casal que vive no centro de Lisboa, transformou o quintal do apartamento numa horta com dezenas de plantas e flores.
Durante uma parte do ano.Este casal vive do que produz na horta.
Histórias cruzadas que se ligam com a Loja do Vizinho, em Pombal. Um lugar de troca de produtos e objectos em segunda mão.
"Regresso às Origens é um trabalho do jornalista Alberto Serra com imagem de Rui Rodrigues, Carlos Oliveira e Rui Cesar.
Edição de Sérgio Tomás.
Emissão mais recente - Vídeo
Linha da Frente > 2010-11-24


Este vídeo deu algum problema.. :-( mas pode ser visto no blog:
http://mariaafonsosancho.blogspot.com/2010/11/eu-e-permacultura-na-rtp-1.html



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sacolas plásticas: maioria aprova proibição

Flávia Albuquerque - 26/11/2010 - Agência Brasil
A proibição do uso de sacolas plásticas para carregar compras é aprovada por 60% da população, segundo a pesquisa Sustentabilidade Aqui e Agora, feita pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Supermercado Walmart. O levantamento, que ouviu 1.100 pessoas em 11 capitais, constatou também que 21% não saberiam como descartar o lixo doméstico sem os saquinhos, 40% acreditam que limpeza pública é o principal problema ambiental nas suas cidades ou bairros, 61% acham que a responsabilidade é dos órgãos públicos e 18% que o meio ambiente é responsabilidade dos indivíduos. 

Ainda de acordo com a pesquisa, 82% dos cidadãos se dispõem a participar de abaixo-assinados para responder a questões ambientais, mas sem atuar diretamente na solução dos problemas. A pesquisa mostrou que 70% das pessoas jogam pilhas e baterias em lixo comum, 66% descartam remédios em lixo doméstico, 33% não dão a destinação correta para sobra de tintas e solventes. Além disso, 39% descartam óleo usado na pia da cozinha e 17% têm lixo eletrônico em casa. Mesmo assim, a pesquisa apontou que 59% dos entrevistados disseram que o meio ambiente deve ter prioridade sobre o crescimento econômico. 

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os dados da pesquisa são importantes porque sinalizam que a questão ambiental está no dia a dia do cidadão brasileiro, mostra mudanças de comportamento e que não é preciso gerar produtos que vão parar no lixo causando danos ambientais. “O número de pessoas que aprovam a proibição das sacolas plásticas é bastante promissor”. 

Izabella ressaltou que para mudar o comportamento das pessoas que acham a sacola essencial para o descarte do lixo doméstico é preciso informar sobre o que fazer para eliminar o lixo e ter estrutura para recepcionar os resíduos. “Isso tem a ver com nossa capacidade de gerar menos resíduo, ou seja, nós temos que exigir embalagens práticas, mais eficientes e coleta seletiva. Nós precisamos informar mais, dotar as cidades de maior infraestrutura para tratar do resíduo, mobilizar outros atores, como os catadores de lixo estruturando cooperativas para agregar valor a essa atividade”. 

O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Sanzovo, usou como exemplo um projeto implantado em Jundiaí, interior de São Paulo, onde a prefeitura fez um acordo com os mercados que tiraram de circulação as sacolinhas desde o mês de setembro. Reduzindo em 80 mil sacolas por mês o consumo. “Estamos agora fazendo o passo a passo para implantar o projeto em outras cidades”. Ele sugere que seja elaborada uma lei para implantar o projeto em outras localidades e disse que no estado de São Paulo os supermercados já estão preparados para atender a exigência. 

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, disse que a entidade tem um plano de redução das sacolas em 30% até 2013 e 40% até 2015. Segundo ele, de 2007 a 2009 o consumo desse tipo de embalagem caiu 30%. “Cobrar pelas sacolas é um caminho para reduzir o uso. A sociedade está preparada para esse trabalho. Mas é preciso trabalhar ainda a questão da educação e implantar novas tecnologias de plástico verde”.

Antes tarde do que nunca!


Do twitter da Nittrans:



Violência é caso para inteligência

Marcelo Freixo
 
Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.

Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo.

É preciso lembrar que existem outras coisas importantes que temos que pensar neste momento. Primeiro, não precisa ser nenhum especialista para imaginar que as ações das UPPs teriam essa consequência em algum momento. Não precisa ser especialista para fazer essa previsão. Era óbvio que em algum momento, ou no momento da instalação, quando não houve, ou num momento futuro, uma reação seria muito provável. Então, era importante que o governo estivesse um pouco mais preparado para esse momento. Dizer que está sendo pego de surpresa porque no final do ano está acontecendo isso não me parece algo muito razoável, porque era evidente que isso poderia acontecer.

Neste sentido, seria fundamental que, junto com a lógica das ocupações – eu não vou aqui debater sobre as UPPs, mas tenho os meus questionamentos –, acontecesse o incremento de um serviço de inteligência. Na verdade, o governo do Rio de Janeiro investe muito pouco no serviço de inteligência da polícia, investe muito pouco na estrutura de inteligência.

Vou dar um exemplo. Quem quer visitar a Draco, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, portanto, uma delegacia estratégica? Se alguém tem alguma dúvida de que a Segurança Pública não faz investimento nos lugares devidos, vá a essa delegacia, que deveria ser muito bem equipada e estruturada, com boa equipe, bem remunerada, com bons instrumentos. Essa delegacia é uma pocilga, é um lixo! Ela fica nos fundos da antiga Polinter, na Praça Mauá, sem qualquer condição de trabalho para os policiais. Estou falando da Draco, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado, uma das mais importantes que tem o Rio de Janeiro.

Não adianta a Segurança Pública ser instrumento de propaganda política quando, na verdade, os investimentos mais importantes e necessários não são feitos nos lugares corretos, não atendem aos lugares corretos. Se o Governo do Estado do Rio de Janeiro investisse na produção de inteligência e na inteligência da ação policial, certamente, muito do que está acontecendo – não totalmente, para ser honesto, mas muito do que está acontecendo – poderia ser previsto. A ação poderia ser mais preventiva do que reativa.

As ações emergenciais diante uma situação como essa, é evidente que precisam ser tomadas. É evidente que a polícia tem que ir para rua, é evidente que você tem que ter uma atenção maior, tem que haver a comunicação com o Secretário permanente com a sociedade, isso ele está fazendo, eu acho que é um mérito, acho que ele não está fugindo do problema, está debatendo, isso é importante. Mas nós temos também que perceber nesse momento o que não funcionou porque não adianta nesse momento a gente falar: “a culpa é da bandidagem”, isso me parece um tanto quanto óbvio, mas, o que de responsabilidade tem no Poder Público que falhou e que não pode mais falhar? Uma boa parte dos prisioneiros do chamado “varejo da droga” foi transferida para Catanduvas, o que, diga-se de passagem, é um atestado de incompetência do nosso sistema prisional que transfere para Catanduvas, porque no Rio de Janeiro a gente não consegue manter os bandidos presos, afinal de contas, há uma série de problemas: de limitações, de uma corrupção incontrolável... agora, transfere para Catanduvas e aí a solução e o diagnóstico dados pela Secretaria de Segurança é que partiu de Catanduvas a ordem para que tudo isso aconteça. Enfim, agora que o problema é de Catanduvas, a gente transfere os delinquentes para Marte?

Então, qual é a solução? O que está acontecendo de fato nesse momento? Essa juventude do varejo da droga nunca se organizou em movimento de igreja; nunca se organizou em movimento estudantil - até porque nem para escola boa parte foi -, nunca se organizou em movimento sindical; não é uma juventude que tem uma tradição, uma cultura de organização, não tem. Agora, querer achar que eles passam a se organizar e organizar muito bem, que representam o tráfico internacional?  É uma tolice. Essa juventude é uma juventude violenta que só entende a lógica da barbárie e é com a barbárie que eles estão reagindo a essa situação que está colocada no Rio de Janeiro, está longe, muito longe de ser o verdadeiro “crime organizado”.

Fica uma pergunta: quantas vezes a polícia do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Federal, em parceria com a Marinha, em parceria com quem quer que seja, fez ações de enfrentamento ao tráfico de armas na Baía de Guanabara? Quantas vezes a Baía de Guanabara foi palco das ações de enfrentamento ao tráfico de armas e ao tráfico de drogas? Nunca! Não é feito porque não interessa o enfrentamento ao tráfico de armas, o que interessa é o enfrentamento aos lugares pobres, que são mais fáceis, mais vulneráveis para que essa coisa aconteça, e ficam “enxugando gelo”. Quem é que vende esse armamento para esses lugares? São setores que passam por dentro do próprio Estado, todo mundo sabe disso. A gente precisa interromper um processo hipócrita antes de debater qualquer saída de Segurança Pública. Nós temos que, nesse momento de grave crise do Rio de Janeiro, discutir as políticas públicas de Segurança que não estão funcionando. Não dá para o Governo chegar agora e dizer: “está ruim porque está bom”, “está um horror porque estão reagindo a algo que está muito bom”. É pouco e irresponsável diante do que a população está passando. Nós temos que, neste momento, ser honestos e mais republicanos e admitir onde falhamos para que possamos avançar, num debate que não pode ser partidário, mas responsável, com a população do Rio de Janeiro.

A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime

A Polícia Federal faz cerco ao Complexo do Alemão no Rio. Foto: Marco Antonio Teixeira
imagem postada pelo blog DN


José Cláudio Souza Alves - 25/11/2010
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.

Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.

O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.

De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.

Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.

Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.

Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.

Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.

Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.

Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.

Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farça da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.

Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?

Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.

Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.

Troca de elite, mas os inimigos ainda são os mesmos!



Segurança Pessoal e Direitos Humanos 
Ricardo Crô
Ricardo Crô
Não tarda, nem falha. Em pouco tempo os efeitos colaterais dessa belicosa, midiática e ineficiente "política de segurança" do governo Cabral, estão sendo detectados. Aliás, por aqui não existe o que podemos chamar de política de segurança pública. O que se pratica com vigor renovado é a criminalização da pobreza, como costumam dizer alguns estudiosos. Aqueles poucos que ainda guardam um mínimo de senso crítico. Esses mesmos que não costumam se inebriar pelo canto da sereia, encantando-se com os choques de ordem, nas suas mais diversas feições. Uns e outros que encaram os fatos, de frente, sem lançar mão do discurso fácil, eleitoreiro e mais palatável. Remando na contracorrente do "opinionismo" distorcido de parte da sociedade apavorada e da mídia grande que, notadamente interessada, fornece parte do suporte necessário para a proliferação de políticas elitistas e segregadoras.
Exageradamente falando, claro, temos um Rio em chamas: veículos incendiados, onda de assaltos, mortes, atos de vandalismo, bloqueios de vias públicas, explosões. Inevitavelmente o medo floresce, o pânico não está só na tevê. A paz tão apregoada mostrou-se mera peça de ficção. Mas convenhamos: isso não é de agora! Evidente que os acontecimentos feitos de forma "planejada" causam maior impacto. Todavia, isso não acontece somente nos locais ora visitados pelos facínoras de plantão. Esse clima generalizado de terror que a população vivencia - em maior ou menor grau - faz parte do cotidiano das diversas comunidades, onde o Estado é totalmente omisso. Onde o poder despótico do tráfico ainda impera. Onde as milícias - braço criminoso do verdadeiro poder paralelo estatal - reinam absolutas. É que a dor dessa gente nem sempre sai nos jornais. Enquanto a "lei de murici" - onde cada um trata de si - continuar vigorando em nossas mentes autocentradas, esses e outros pesadelos seguirão nos atormentando, a todos.
É óbvio que o Estado deve dar respostas enérgicas e rápidas à população. Não podemos admitir que bandidos, presos ou não, queiram nos ditar regras, controlar territórios - nas favelas ou no "asfalto" - e intimidar governo e cidadania. Não é aceitável que meliantes inescrupulosos vivam cotidianamente nos constrangendo, passeando com bananas de dinamite, bazucas, armamento de guerra.  A repressão a esses e a outros atos proto-terroristas deve ser intensificada.
Está patente que o Poder Público deve se precaver, lançando mão dos setores de inteligência das polícias estaduais, em parceria com entes federais (Polícia Federal, Receita, Exército, Marinha e Aeronáutica). Não é razoável que não se tenha um mínimo de interatividade e planejamento. Até para que se possa fiscalizar rigorosamente portos, aeroportos e rodovias. É de se estranhar que a polícia fluminense não se dedique à permanente vigilância da Baia de Guanabara, por onde grande parte do armamento utilizado por criminosos entra. Aí sim estaríamos combatendo, com eficácia, o verdadeiro crime organizado e identificando os legítimos "senhores das armas e das drogas". Iríamos ao cerne da questão. Quem fornece e quem lucra com tudo isso? Ao invés de estarmos enxugando gelo, fazendo operações espetaculosas nos morros e favelas. Combatendo um dos efeitos, não a causa.
A verdade é que o Governo do Rio investe muitíssimo pouco em inteligência. A DRACO (Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado), por exemplo, que é de fundamental importância, está jogada às traças. Esse não é um caso isolado.
Nossa polícia é a que mais mata e a que mais morre. O que nos fornece pistas robustas, se quisermos averiguar sua medíocre eficiência e seu despreparo. Junte-se aí um dos mais baixos salários pagos à categoria, no Brasil, o que se torna um dos fatores para o desestímulo dos profissionais. O sistema carcerário está falido. Não "ressocializa", não "reeduca". O que temos hoje são grandes depósitos, onde se despeja um bando de gente, na sua grande maioria negros e pobres. Pessoas que cometeram pequenos delitos convivem lado a lado, com assassinos violentos, traficantes inescrupulosos, bandidos de altíssima periculosidade. O sub-humanismo a que estão submetidos nossos presos, transforma-os em verdadeiras feras feridas. Seus familiares, por outro lado, sofrem todo tipo de conseqüência. Mas isso nossas vistas nem sempre alcançam, consequentemente, o coração não sente.
As UPPs, tão cantadas em verso e prosa, certamente, foram uma espécie de nau capitânia da frota Cabrália, rumo ao porto seguro do Guanabara. Política considerada, por muitos, como uma solução para a falta de segurança. Um bom paliativo, convenhamos, mas não o remédio. O que avistamos, no dia a dia, não é um horizonte pacificado, como aquele mostrado nos programas coloridos da televisão. Num retrato em branco e preto... com seus mesmos tristes, velhos fatos, que num álbum de retratos, teimo em colecionar... Somente o poeta para nos socorrer da reinante hipocrisia.
Afinal, centenas de homens e mulheres viram extirpada sua "atividade laboral". Não mudaram de ramo. Não, nem todos! Apenas se deslocaram para outras localidades, onde o tráfico varejista de entorpecentes, armado até os dentes, corre solto. Onde o "bagulho é doido". Estão varrendo a "sujeira" para longe dos nossos olímpicos olhos. Da "Copa", para a cozinha e, da cozinha, para os "aglomerados de lixo tóxico não reciclável", para a periferia relegada ao permanente abandono.
Quantas prisões foram efetuadas e quanto armamento e entorpecentes foram apreendidos - quando da tomada dos territórios "conflagrados" - pelos policiais? Santa Marta, Cidade de Deus, Borel, Macacos, Formiga, Salgueiro, Andaraí, Turano, entre outros... A polícia entrou, o bandido "saiu"? E aí? Na maioria dos casos, sem a ocorrência de grandes confrontos, ainda bem. Porém a bandidagem simplesmente fez suas malas, recolheu drogas e armas, despediu-se dos familiares e foi cantar em outra freguesia. Simples assim!
O que até agora não chegou, nessas ou em outras favelas, com ou sem o "advento das pacificadoras", foi o braço social do Estado. Creches, escolas, postos de saúde, inexistem ou estão, com raras exceções, entregues às baratas. Falta água, não tem esgoto encanado. Iluminação pública é luxo. Lixo é cartão postal. Mais isso não consta do discurso. Entra a polícia, a sociedade aplaude, pede bis... E aí?
Nossos governos também estão "investindo" na construção de muros nas favelas. Constroem monumentais teleféricos e exorbitantes barreiras acústicas ao longo das vias circundadas por comunidades. Nesse último caso, com o intuito único de tornar a vista mais limpinha, para os que saem do aeroporto em direção à Barra e Zona Sul.
O discurso de nossas autoridades é feito de forma a convencer a população de que estamos numa guerra. Onde o inimigo do Estado deve ser aniquilado. Morto, exterminado. Quem são nossos verdadeiros inimigos? Que Estado queremos? A população apavorada, claro, induzida, principalmente, pelos jornalões televisivos, embarca nessa onda e "apoia" todo e qualquer tipo de atrocidade que se cometa em nome da volta a "normalidade". Desde que essas atrocidades não sejam cometidas contra os "seus" e nem aconteçam em seu "território", claro.
O que pode implicitamente entrar nesse jogo para endurecer, ainda mais, a criminalização da pobreza, com certeza, são a realização dos Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. Os patrocinadores das campanhas eleitorais milionárias de nossos "políticos", grandes empreiteiros, personalidades do meio social e esportivo, já estão cobrando as faturas. Isso é líquido e certo! E, por óbvio, quem é o dono da grana é o dono da bola. Daí só joga quem estiver focado no objetivo único da conquista das medalhas de ouro. As mega obras. Os grandes empreendimentos. A privatização dos espaços públicos. Quem viu a Marina pode não ver mais a Glória... graças ao grande patrono Eiqui Batista. A "abertura" dos portos e suas maravilhas às nações amigas. As vilas olímpicas com belas pistas. Onde quem dança é o povão. As remoções indiscriminadas já estão em curso e esse processo tende a se radicalizar. Está dada a largada para a intimidação e cooptação de lideranças comunitárias. Os movimentos sociais, desde sempre, estão marginalizados. É, meu camarada!
E aí? Será que a sociedade, como um todo, vai se mobilizar contra essa assepsia social que nos atropela? Será que esses cidadãos que hoje assistem atônitos (com toda razão) a tudo que está acontecendo, vão compor a vanguarda da defesa dos direitos dos menos aquinhoados? Ou, como de costume - excetuando-se as raras e importantíssimas exceções - vão se recolher, vão para a retaguarda a espera de uma resultante que os beneficiem? É uma reflexão que deve ser buscada.
Enfim... a temática da segurança pública é extremamente complexa. Transita pelas mais diversas avenidas, ruelas e becos da vida social. Não se trata meramente de um problema de polícia. Trata-se de políticas que devem interagir, convergir, sempre visando o bem comum. Não os bens de poucos, ou os negócios de alguns.
Historicamente observamos - me cantava um Passarinho - que o "capital" constantemente se renova, se reinventa. As elites permanecem "organizadas" e contam eternamente com o apoio luxuoso da mídia grande. E, paradoxalmente, os aprendizes pés de chinelo de terroristas alimentam esse sistema poderoso com seus feitos imbecíl-troglodita. De certo esses fatores conjugados nos impõem uma sutil e tenebrosa "troca de elite", mas os inimigos ainda são os mesmos. Mas, como disse, nesse exato momento, um jornalista da tevê dos Marinho: apesar de toda essa tragédia a população está otimista. Vai vendo...
Ricardo Crô é escritor e compositor