quarta-feira, 21 de abril de 2010

CQC - Band segundas 22:15

Vai ser fácil reconhecer a trupe do CQC.

Afinal de contas, são sete homens vestidos de terno preto, usando inseparáveis óculos escuros. Mas a principal marca do time "Custe o que custar" é a irreverência.

Com humor inteligente, audacioso e muitas vezes ácido, o programa faz um resumo semanal das notícias, e nessa varredura dos fatos importantes, sob o olhar atento do CQC, ninguém escapa. No estúdio, quartelgeneral do CQC,Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque assumem a bancada, e além de conduzir o programa ao vivo terão a missão de comentar livremente os principais assuntos da semana.

Imperdível!

Moradores de favelas de Niterói/RJ tomam o centro da cidade pelo direito à moradia





Na tarde de quinta-feira, dia 15 de abril, cerca de 2500 pessoas ocuparam as ruas do centro de Niterói em manifestação pela garantia de moradia digna para a população pobre da cidade. O protesto Luto por Niterói foi organizado por moradores de 13 comunidades do município, além de sindicatos, movimento estudantil, organizações de defesa dos direitos humanos e mandatos populares reunidos no Comitê de Solidariedade e Mobilização das Favelas.
Vestidos de preto, portando cruzes, lírios brancos e velas, além de faixas e cartazes, os manifestantes caminharam até a sede da prefeitura municipal, onde tentaram apresentar uma pauta de reivindicações ao prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT).Uma comissão de dez representantes de comunidades foi recebida pelo secretário de governo, Michel Saad e outros secretários municipais, mas o prefeito não estava presente.
Em reunião fechada durante mais de duas horas, (a imprensa não pôde acompanhar, apenas fazer imagens) os moradores das favelas apresentaram aos representantes do poder público municipal a pauta de reivindicações do movimento. E também relataram as dificuldades pelas quais estão passando nas comunidades e bairros que mais sofreram desabamentos e alagamentos com as chuvas da semana passada.
Uma nova reunião ficou pré-agendada para a próxima semana, desta vez com a garantia dos secretários de que o prefeito estará presente. Conforme prometeram os representantes do executivo municipal, a data do encontro será confirmada ainda hoje.
“Eles tentaram nos enrolar para que o povo aqui embaixo fosse embora. Me surpreendeu muito a reunião porque eu não sei se havia desinformação ou muito cinismo, porque anotaram ponto a ponto o que relatamos que está acontecendo nesta cidade. É um governo que tem quatro mandatos em Niterói e não sabe onde estão os pontos críticos! Na próxima semana estaremos aqui de novo, vamos dobrar o número de pessoas de hoje”, afirmou Isabel Firmino, moradora da comunidade da Barreirinha, uma das participantes da reunião com os representantes da administração municipal.
(...)
Entre as reivindicações entregues pelos manifestantes ao governo municipal estão “a apresentação de um plano imediato de moradia popular”, bem como a “ocupação de todos os imóveis desocupados”, a “inspeção imediata das áreas de risco”, e o fim das remoções compulsórias.
No percurso até a prefeitura, do alto do carro de som, um dos moradores chamou a atenção da população para um edifício vazio, à Rua da Conceição, uma das vias do coração da cidade. O imóvel serviu de exemplo para os manifestantes mostrarem que há prédios no município sem cumprir a função social, como determina a constituição, e que poderiam se tornar moradias.
“Mas eles[os representantes da prefeitura] mudaram a cara quando nós falamos que sabíamos que em Niterói há prédios vazios e que nós queremos esses prédios para nós morarmos e não para servirem à especulação imobiliária”, relatou Izabel.
(...)

Expediente modificado para não receber manifestantes

Funcionários da prefeitura afirmaram que no dia de ontem o expediente de trabalho no local terminou antes do que era o costume – às 15h, quando geralmente vai até 19h. De acordo com os moradores que participaram da reunião com representantes do governo municipal, foi afirmado que o prefeito não esperou os manifestantes porque os “ânimos estavam exaltados” e, por conta disso, era melhor marcar uma reunião em outro dia.
O protesto, que começou antes de 16h e chegou à porta da prefeitura por volta de 17:30h, só terminou por volta de 21h, quando os representantes das comunidades desceram da reunião e repassaram as informações para os participantes do ato que ainda esperavam.
Apesar da tentativa de vários jornalistas, de diversas mídias, de obterem posições oficiais do executivo municipal acerca da reunião e outras informações, a prefeitura não falou com a imprensa até o final da manifestação.
Fonte: Fazendo Media (www.fazendomedia.com)



http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=1641&Itemid=1

Discordo das opiniões abaixo do Sr Osvaldo Maneschy, mas publico!

De temporais e políticas: o morro não tem vez?

Por Osvaldo Maneschy (*)

Moro na Travessa Beltrão em Niterói e vivi a tragédia das chuvas torrenciais do dia 6 de abril último. Acordei naquela madrugada com o deslizamento a menos de 200 metros da minha janela de classe média, no 12° andar, que arrastou 11 casas e matou 13 pessoas. Naquele momento a única coisa que me veio à cabeça foi o temporal de janeiro de 1966, ao pé da pedra de Santo Inácio, no Saco de São Francisco, onde também morei. Os gritos, o desespero e a angústia dos sobreviventes foram iguais.

Dois dias depois (8/4) dessa madrugada difícil passei em frente ao Morro do Bumba duas horas antes de ele se desmanchar em parte, ampliando em dezenas o número das vítimas fatais em Niterói. Passei na estrada do Viçoso Jardim a caminho de Maria Paula porque naquele dia e naquela hora era a única opção para se chegar a Pendotiba e a Região Oceânica. Todos os outros acessos – inclusive a subida da Caixa d’Água, rodovia estadual - estavam fechados. Não havia opção.

Hoje, dias depois das tragédias, lendo jornais e vendo TV, não dá para ficar calado diante do esforço de alguns em responsabilizar por tudo o que aconteceu ao prefeito Jorge Roberto Silveira e as políticas públicas de Leonel Brizola. Puro oportunismo político que só tem repercussão no mau jornalismo: os niteroienses não merecem as acusações levianas ao prefeito que elegeram quatro vezes, muito menos a memória de Brizola – um homem que dedicou sua vida aos brasileiros desfavorecidos.

O fato de Jorge Roberto não ter tido a presença do prefeito Eduardo Paes que, bem assessorado, convocou coletiva para as cinco da manhã do dia 6/4 e pediu para os cariocas não saírem de casa; não significa que ele só governe para ricos, como o acusam ex-adversários derrotados nas urnas. Não existe pesquisa mais representativa do que voto e os pobres de Niterói sempre prestigiaram Jorge Roberto para desgosto desses falsos críticos – alguns surfando a tragédia agora – em declarações à mídia.

Jogar pedras, depois de escalar o “culpado”, é fácil. A agilidade de alguns em tentar se livrar de responsabilidades também explica muita coisa: como é que o Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Pedro Machado, afirma no “Globo” de 9/4 que a corporação fez duas vistorias no Morro do Bumba antes da queda, uma no dia anterior e a outra no próprio dia do desabamento, mas não interditou o lugar porque isso era tarefa da Defesa Civil municipal - que tem três funcionários e é comandada por um policial civil?

Como é que o jornal “O Globo”, que por três dias seguidos dedicou sua manchete principal aos acontecimentos de Niterói, sempre com acusações ao governo municipal e ao “populismo” brizolista, ignorou que o estudo preparado por professores da UFF sobre encostas problemáticas na cidade não citava o Bumba?

E por que o “Jornal Nacional” da Rede Globo de Televisão questionou e mostrou a milhões de telespectadores a maquete da torre projetada por Oscar Niemeyer, parte do Caminho que leva o nome do grande arquiteto que está sendo construído em Niterói, para desqualificar Jorge Roberto como prefeito e ser humano por ter, numa reunião com o governador Sérgio Cabral dia 7/4, solicitado “apenas” 15 milhões para os desabrigados enquanto pretendia gastar, só para erguer a torre, R$ 19 milhões?

Se isto não é editorializar noticiário, como a “Veja” também fez pondo em sua capa o Cristo Redentor em lágrimas por conta das chuvas e da “irresponsabilidade” das políticas de inclusão social de Brizola, não aprendi nada em minha vida de jornalista que começou quando tinha 12 anos e ainda estudava no Liceu “Nilo Peçanha”. Há carne embaixo desse angu, como diria o velho Raul Ryff, Secretário de Imprensa do Presidente João Goulart, que tive a honra de conviver na redação do velho JB.

André Fernandes, da Agência de Notícias das Favelas, em artigo publicado no “Globo” da última segunda (19/4), relatou algo que desconhecia: a Prefeitura do Rio, de olho nas Olimpíadas de 2016 e na Copa do Mundo de 2014, antes das chuvas torrenciais do início de abril havia pautado a remoção de 119 favelas. Agora, depois da tragédia que abalou o Brasil, aumentou o número de comunidades a serem removidas para 158.

Não sou contra a retirada de pessoas que vivem em áreas comprovadamente de risco. Mas é preciso andar devagar com o andor porque o santo é de barro. Percebo claramente que há pessoas enxergando na tragédia ótima oportunidade para botar para fora velhos planos de remoção de favelas. Se possível para bem longe dos bairros nobres do Rio de Janeiro.

Daí também, na minha suspeita opinião, esse trabalho sistemático de parte da mídia de tentar desconstruir politicamente o filho de Roberto Silveira, um dos herdeiros políticos do legado de Vargas, Jango e Brizola. Jorge é um campeão de votos, um trabalhista histórico e é aí que mora o perigo. Se Jorge não fosse quem ele é, não teriam interesse em expô-lo e obrigá-lo a se defender, até de qualquer jeito. Parece mais uma estratégia de marketing para creditar a Niterói o noticiário que deveria estar se ocupando do Rio de Janeiro, foco que não interessa diante da proximidade da Copa e das Olimpíadas.

Naquele final de tarde em que o Bumba desabou, vi um carro de som passar na Jerônimo Afonso avisando as pessoas de que a vida delas, bem maior que dispunham, estava em risco. Precisavam sair de casa por causa do perigo. Não adiantou. Muitas ficaram e morreram soterradas. Não sei se o carro de som era municipal, estadual ou de alguma associação de morador. O fato é que ele avisou a todos da tragédia antes que ela acontecesse e quem não seguiu a sua recomendação sofreu as conseqüências.

Neste momento em que os governos, todos, anunciam aos quatro ventos a remoção de famílias das áreas de risco, e também a construção de milhares de moradias populares para reassentamento dessas famílias, não é um bom momento para a sociedade discutir as questões envolvidas? Uma delas, básica, onde conseguirão morar, com o aluguel social de R$ 400,00 pago pelo governo estadual, as famílias que forem removidas das áreas de risco? Em outros barracos em outras encostas? Ou longe de seus trabalhos e das escolas de filhos?

Como resolver o problema? Qual é a saída?

Já se perguntaram por que as pessoas que sofreram com as chuvas e desabamentos, como os sobreviventes dos morros, estão voltando para suas casas inseguras agora que recomeçou a fazer Sol, mesmo estando sujeitas a remoção compulsória com o uso de força policial? Já se perguntaram por que essas pessoas fazem isto? Falta a elas amor à vida? São irresponsáveis com os seus filhos? Ou falta a elas opção melhor?

Que os poderes públicos, estadual e municipal, pensem bem nisto tudo antes de obrigarem os pobres a saírem de suas casas – construídas sempre com muito sacrifício, alguns depois de perderem bens como camas, fogões, geladeiras e tevês - sempre comprados à prazo.

Remover é fácil, garantir moradia decente e perto do trabalho para quem realmente precisa, é que é difícil. A política de remoção de favelas de Carlos Lacerda já foi para o lixo da história há tempos. Vila Kennedy, nunca mais.

(*) Osvaldo Maneschy é jornalista.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Assinar o que escreveu

Senhoras e senhores,
Como administradora deste blog me reservo o direito de moderar os comentários.
Assim sendo solicito que cada um que queira deixar seus comentários ao fim de alguma postagem, ainda que escolham a opção formal de 'anônimo', oferecida pelo blog, que ao fim de seu comentário, possa assinar o mesmo.
Por uma questão de respeito ao texto anterior que está comentando. Seja para concordar ou discordar.
Acabo de aceitar um comentário de um 'anônimo' completamente anônimo!!...
Aceitei por considerar que a pessoa não agiu de má fé, mas que possa simplesmente ter esquecido de assinar.
Às vezes fica difícil mesmo entender o que devemos fazer em se tratando de internet, blogs, etc. Interpretei assim, até por ter sido o primeiro caso.
Daqui por diante, rejeitarei comentários não assinados.
Reclamações para a portaria deste blog!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quem diria...

O blog andou meio desativado... desde fins de 2009..
Mas atendendo a pressões, hei-lo que ressurge!!..

Aberto a comentários sobre o já postado e a novos artigos.

Sua colaboração / participação é fundamental.

Respostas rápidas:
1. Parabéns!!!! Vitor Cabral
2. Graças aos deuses!!!
Com o buchicho que está rolando em relação ao famigerado "Conselho Consultivo",lembrei com pesar do fim deste blog - amem que ele voltou.
Obrigada,Cyntia,por ter reativado nosso canal de contato com os que não se conformam com as baboseiras desta administração municipal.
Abraços da
Fátima Nunes.
3. Oi Cynthia,

Siga então, com os melhores votos de que os apelos da cidade tenham a repercussão devida.

Eder Accorsi
4.Boa pedida! Continue agindo como todos os cidadãos deveriam fazer.
Vera
5. Cynthia,
É isto aí, vamos lutar por esta cidade linda!!!! Ficar de olho e cobrar melhorias...
Graziela

Aviso importante

Este blog estava associado a um grupo do Google que enviava um email a todos os inscritos quando qualquer novidade tinha sido postada.
Fui avisada que estavam recebendo vírus e spam por conta isso. Então fui obrigada a desativar este grupo...
O blog só permite o endereço de 10 pessoas para que eu envie automaticamente cada nova publicação.
Portanto vou incluir o endereço dos 10 primeiros que me mandarem email agora...
Os demais interessados deverão passar por aqui quando quiserem saber a quantas andam as coisas...
Ou aqui se inscreverem como seguidores.
Obrigada

o Óbvio!

Só não entendo por que até hoje a mídia e o poder público não fizeram uma maciça campanha educativa sobre o lixo... Quer dizer, saber eu sei...

Falta vontade política!

Projeto Jaime Lerner para trânsito de Niterói

Clique na mãozinha sobre os slides (à direita para o próximo e à esquerda se quiser voltar) para visualizar o projeto do escritório do arquiteto Jaime Lerner para a cidade.

http://www.slideshare.net/felipepeixotobr/niteri-melhorias-para-o-sistema-virio-trnsito-e-transporte-pblico

Quem tiver notícias mais recentes...

Itacoatiara Assim Para Sempre!

Bem vindo! Se você quer lutar pela preservação de Itacoatiara (Niterói, RJ), você veio ao lugar certo! Vamos fechar as brechas na lei para proteger Itacoatiara contra a ameaça de construção de prédios e shopping centers. Aqui você pode mandar uma mensagem para os vereadorese depois assinar a petição !

Acompanhe no nosso site, no nosso informativo, ou pelo Facebook mais notícias sobre nossa batalha para preservar Itacoatiara Assim Para Sempre!

Mãos à obra e não esqueça de avisar aos seus amigos para fazerem o mesmo.Nossa Itacoatiara precisa de ajuda!

Fique por dentro, ASSINE NOSSO INFORMATIVO!

HTTP://WWW.PRESERVEASSIM.ORG/

domingo, 18 de abril de 2010

E aí sr. prefeito?

Estrada Fróes e Notícias de Pendotiba

Estrada Fróes, São Francisco, domingo dia 11 de abril.

Fotos Éder Accorsi



Depoimento de uma moradora do Muriqui, em Pendotiba, no dia 14 de abril, após estar sem energia desde o domingo, dia 4:

(...) "Ainda não temos como sair de carro, mas já posso "fazer trilha " até a estrada de asfalto e pegar um onibus.
Sou um dos poucos telefones que estão funcionando, então virei a central de recados da vizinhança. A coisa aqui foi feia, mas parece que a Prefeitura pensa que Pendotiba se resume a Estrada Caetano Monteiro, onde aliás não sabem, mas caiu uma caixa dágua de um condomínio sobre uma casa, que desabou sobre outra...
O Chibante acabou, nossa estrada acabou, cabos no chão, postes no chão. E fizeram um gatilho para trazer energia para cá, mas não fizeram tudo porque Niterói só tem uma patrol, e parece que também só um trator...
O cara do trator que veio abrir uma brecha para o pessoal que trabalhava para Ampla, fez um desastre maior ainda e sumiu. Os caras nem conseguiram continua nem nada !
Ficamos ilhados literalmente ; muitos deslizamentos que fecharam a estrada; uma ponte destruída (essa ponte tem história longa. Sempre é destruida, mesmo em chuva não muito forte, mas a Prefeitura não sabe disso, acho).
Em menos de 1km de estrada - a do Muriqui Grande - há mais de 6 postes no chão, e no Chibante, foi pior ainda. Mas a Prefeitura também ainda não sabe, acho..
Eles, a Defesa Civil, os Bombeiros, e a CBN para onde minha filha mandou muitos emails, também ainda não leram sobre as ruas e estradas secundárias de Pendotiba!" (...)

Mais fotos..

Estrada da Viração (acesso para o Parque da Cidade), São Francisco
Rua Joaquim Távora, Icaraí
O 'Maquinho' no Gragoatá
Estrada velha pra Itaipu, serrinha
Estrada velha pra Itaipu, serrinha

Atendendo a pedidos...

Fotos dos efeitos da chuva de 6 abril de 2010 em Niterói
Estrada da Cachoeira

Condomínio
Gragoatá

Anúncio da Defesa Civil

Já viram na TV, naquela fatídica semana das chuvas, um dos anúncios da Defesa Civil falando que antes de construir, deve-se procurar saber se o local é adequado etc etc?!

Relououou!!!

Quem constrói em local inadequado é ilegal total!!, não quer perguntar nada, quer achar um pedacinho de terra...e pronto! ali se instalar, como conseguir.

Que cada um faça sua parte...

Resposta à Flávia em: Um desabafo pros amigos

Oi Flávia!
Queria dizer que concordo com todos seus argumentos! É mesmo um absurdo a nossa cidade estar a tantos anos sendo administrada por pessoas que só investem em "fachada" e deixam os verdadeiros projetos para dia de são
nunca. E uma pena que a maioria de nós, moradores de Niterói, acreditemos com o alto índice de qualidade de vida que é tão falado, que alias me fez pensar muito nesses últimos dias. Se Niterói é uma cidade tão desenvolvida quanto se fala por aí, pq estamos enfrentando todos esses desastres?!
Acontece que infelizmente, não consigo entender muito bem o que leva a maioria de nós ainda votar no Jorge Roberto, esse argumento citado por você (do ..., mas faz) não faz o menor sentido para mim! Mas fico com um
sentimento de egoísmo da classe média/ média alta de Niterói que enche os olhos com propostas como a "linha azul" que ligaria a Região Oceânica à Ponte Rio-Niterói, solução extremamente individualista e ruim para cidade, que não teria melhoria no transporte coletivo e incentivaria a maior uso dos carros particulares. Chegamos ao ponto do consumo consciente, cuidado com o meio ambiente, que vc também falou. Mas esse não é o meu ponto, o ponto é que é notório que o prefeito não realiza projetos de melhoria para a população pobre ou mantêm as políticas
públicas que dão certo. Entregando, por exemplo, um imóvel para o funcionamento da assistência social sem ligar a energia elétrica do local, ou deixando grande parte dos funcionários da saúde mental meses sem receber seus salários, indo trabalhar por sua responsabilidade pessoal pelo trabalho com pessoas que sofrem.
Bom, esse também é só um desabafo meu, inspirado no seu, que eu aproveito para dizer que de fato precisamos trocar a administração da nossa cidade nas próximas eleições, porque Niterói parece ainda estar presa no tempo do coronelismo, onde o Roberto da Silveira passou a galinha dos ovos de ouro para seu filho.
Beijos, Maria Fernanda

Um desabafo pros amigos..

“É mesmo um caso de amor, desses que ninguém destrói, Jorge Roberto Silveira e o povo de Niterói”... (vinheta da campanha do então candidato Jorge R Silveira à Prefeitura de Niterói em 2008)

Nascida e criada em Niterói, foi muito duro pra mim ter vivenciado essa última semana (se refere à semana de 6 de abril) . A chuva que deixou o Estado do Rio de Janeiro davastado teve a cidade de Niterói como uma de suas principais vítimas. Obviamente isso não foi uma implicancia de São Pedro com a cidade mas sim um descuido total do Jorge Roberto Silveira que há alguns anos é o prefeito de Niterói. Depois de alguns dias “ilhada” na Região Oceânica resolvi escrever esse texto como um desabafo.

Moro numa região privilegiada de Niterói, a Região Oceânica. Os acessos que levam até esta área sofreram graves desmoronamentos e a região ficou isolada. Sem internet e telefone, tentei acompanhar todo esse caos pela televisão. Mais uma vez a mídia dominante se mostrou eficiente para aquilo que se propõe: comercializar a pobreza, legitimar o extermínio e ocultar as reais razões dos fatos. Fiquei pensando em como a máquina de captura é eficiente, pricipalmente depois de assistir o Fantásticodeste domingo. O programa mostrou durante um tempo significativo cenas de favelas que foram completamente soterradas e as equipes de resgates nesses locais. Depoimentos de pessoas que perderam suas casas, familiares, amigos e histórias fizeram lágrimas rolarem do meu rosto de maneira desenfreada. E é exatamente por isso que eu afirmo que a captura é eficiente. Em nenhum momento da reportagem foi noticiado o que realmente importa: porque essa chuva foi violenta? Quais foram as políticas públicas que foram ignoradas e propiciaram essa tragédia? Porque só filmaram as áreas de risco da população pobre? Quais serão as medidas adotadas agora para essas tantas famílias que estão sem suas casas? Usar o sofrimento humano para tocar as pessoas (comercializando a pobreza) e a partir disso desviar as perguntas essenciais é uma violência tão cruel quanto a força das águas que deixaram o Rio de Janeiro aos pedaços.

A limpa nas favelas é um tema que vem de outros carnavais, ou melhor, de outros jogos esportivos. A chacina ocorrida no Complexo do Alemão em julho 2007, durante o governo do Sérgio Cabral, teve como desculpa a segurança para os jogos pan americanos. Apesar do apoio da mídia dominante e de grande parte da população, esse ato teve como resposta manifestações de repúdio contra essas ações. Com os jogos Olímpicos a caminho foi preciso pensar em novas formas de limpezas (poderia falar das UPP´s mas isso tiraria o foco da onde quero chegar) e de desculpas para as mesmas. Neste sentido parece que as chuvas vieram a calhar, elas estão sendo o evento que precisava para legitimar o extermínio total das favelas. Sou uma pessoa a favor da vida e não nego a necessidade da retirada de famílias de áreas de risco. O que me deixou surpresa foi perceber que no mapeamento das áreas de risco só haviam favelas. E as áreas nobres, porém também de risco, em São Conrado? E as grandes casas da Estrada Fróes de Niterói? Repito, não estou negligenciando aqui a necessidade de remoção de certas famílias de suas casas mas acho que devemos pensar cuidadosamente para que não haja uma nova forma para um mesmo extermínio.

Outro ponto que pensei foi sobre as assistências que as autoridades estão dando as famílias que estão sendo removidas. Isto porque, com a ajuda da mídia dominante, mais uma vez, está se implantando a idéia de que os pobres não querem sair de suas casa mesmo sabendo que estas estão em áreas de risco, logo a culpa é deles. Essa premissa poderia até ser considerada verdadeira se não fosse pelo fato do ser humano ocidental ter um histórico de buscar adiar a morte ao máximo (basta prestar a atenção nas tecnologias da medicina) e ser “adestrado” na sociedade pela busca de sua estabilidade (instituição família, o trabalho, os estudos). Se viver no limiar da morte é a “escolha” de algumas pessoas, quais foram as opções dadas a elas? Em Niterói e em Maricá os prefeitos abriram escolas e outros espaços públicos para servirem de alojamentos como medida emergencial. No Rio, Eduardo Paes disponibilizou para algumas famílias uma bolsa de 400 reais durante um ano para cobrir o aluguel de suas moradias (gostaria de saber onde encontrar aluguel a esse valor no Rio de Janeiro). Mais uma vez a população pobre fica vulnerável ao assistencialismo enquanto deveriam estar amparados por políticas públicas. Essa é uma história antiga e que se repete: 1888, a abolição da escravatura é uma data importante marcada por lutas e resistências. Mas também foi marcada por um descaso com os escravos que foram soltos pelas ruas sem amparos de políticas públicas inalgurando no Brasil uma significativa população de rua e também instituições e estratégias de esconder/eliminar essa população.

Assim como tivemos no verão temperaturas acima do normal, estamos passando agora por chuvas também nunca antes vivenciadas. Essas transformações não são ao acaso, isso tem um motivo. O planeta é um grande organismo vivo, um grande sistema. Quando algum fator o desiquilibra, todo o sistema é modificado. A natureza está nos alertando pra algo que já deveriamos estar mais atentos: é necessário ter um olhar ecológico para guiar nossas vidas. Para isso é preciso consciencia ambiental (educação, no mais amplo sentido da palavra. Educação nas escolas, educação dos afetos – percebendo a si e ao outro -, educação para compreender as diversidades e a vida). Também é preciso modificar o modelo capitalista/do consumo que vivemos e isto é uma tarefa do cotidiano, dos hábitos. Todas as leis, os modelos, as culturas, as moralidades e imoralidades dentre tudo que nos cerca na vida foram construidas por nós, seres humanos. Por isso temos que nos perguntar que tipo de sociedade queremos, de fato, construir. Com essa fala eu não quero desculpabilizar prefeitos, governador e presidente e colocar a “culpa” da chuva no povo. Muito pelo contrário, quero reforçar que a ecologia é uma linha que caminha junto com a política, elas são a solução – ou não – para o nosso país. Por isso é necessário prestar a atenção nas ações e propostas de candidatos, principalmente neste momento de eleição.

Para finalizar gostaria de comentar sobre a fala do secretário de obras de Niterói, Mocarzel. Quando questionado sobre o porque de Niterói ter sido a área mais devastada de todo o estado do Rio de Janeiro, ele respondeu que isso aconteceu pelo fato de Niterói ser espaço geográfico com muitas montanhas e pelas chuvas tão fortes e inesperadas. A explicação dele teria sido irônica se o assunto não envolvesse tantas vidas. Como secretário de Obras e Serviços Públicos, diretor da Fundação Parques e Jardins e conselheiro da Secretaria estadual de Urbanismo e subsecretário estadual de Integração Social, eu esperava dele apenas a sinceridade: problemas devido a especulação imobiliária, pelas obras “furrecas” para uma boa aparência a cidade e um descuido com aqueles que só são cidadãos de direito quando convém. O caso de amor entre Jorge Roberto Silveira e o povo de Niterói, que já estava destruido há muito tempo mas que só foi trazido a tona agora precisa ser rompido de vez! Apesar de achar que ele tem responsabilidades neste caso da chuva, não o culpo como único elemento nesta história, mas acredito que ele é um simbolo forte que ajuda em uma típica crença niteroense: “Sr. Prefeito Fulano pode até ... mas pelo menos ele faz”. Vamos parar com isso galera! Vamos “aproveitar” essa tragédia pra nos fortalecer e lutar, cada dia mais, por uma sociedade que respeite a vida e legitime os direitos sociais. Vamos gritar, denunciar, exigir e transformar.

Obrigada a todos que tiveram paciência de ler até o fim,

Flavia Villa Verde.

(Flávia é estudante de Psicologia, PUC-RJ)