segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Arrogância de Cancun

texto postado por Cláudio Oliver no blog Na Rua Com Deus http://naruacomdeus.blogspot.com/2010/12/arrogancia-de-cancun.html



O texto abaixo foi traduzido do original que pode ser lido aqui e expressa de maneira muito clara as agendas com as quais estou pessoalmente envolvido. Ler Gustavo Esteva, a quem considero um mestre querido e um amigo oriundo dos contatos durante minhas pesquisas, é um privilégio especial. Inseri links em cada citação caso o leitor deseje aprofundar seu conhecimento sobre os temas citados.
As lições deste fraco acordo climático? Os Governos tem brincado de Deus e falharam. Agora é com os ativistas.
No esforço de proteger o planeta de nós mesmos… As discussões de alto nível em Cancún eram nossa última chance ... e elas falharam. Mas podemos aprender com este triste episódio: devemos parar de pedir aos governos e às organizações internacionais soluções que eles não querem - e não podem - implementar. E devemos parar de fingir ser Deus pensando que podemos “consertar” o planeta.
Dezoito anos atrás, a pressão do movimento ambiental obrigou a ONU a convocar a Cúpula da Terra (RIO 92): 120 chefes de Estado, 8 mil funcionários e inúmeros ambientalistas se reuniram no Rio; e uma imagem da orquestra tocando enquanto o Titanic afundava inevitavelmente vem à mente.
A conferência, como a Ecologist relatou na época, apenas reforçou a mitologia predominante e destacou os poderosos investimentos disfarçados trabalhando contra uma solução. Com efeito, os cordeiros foram colocados para cuidarem dos lobos. “Após chegarem à conferência, cada caminho tomou um rumo para baixo”, observou o líder ambientalista Juan José Consejo. Ele alertou os ambientalista para o fato de que sua causa havia sido cooptada e que as políticas e ações tomadas em nome da ecologia eram de fato muito danosas ao ambiente.
Mas ainda não aprendemos o suficiente. Continuamos olhando para os poderosos para resolver as coisas. A conferência de Kyoto, em 1997, foi um passo tímido na direção certa, mas as promessas nunca foram cumpridas. Este ano, na Conferência do Povo, em Cochabamba, Bolívia, propostas interessantes foram apresentadas, mas Cancún não levou isso em consideração, e o fraco acordo, eventualmente remendado, não conseguiu superar o fracasso do ano passado em Copenhague. Conforme observou a Via Campesina, o movimento camponês internacional: chegar a nenhum acordo teria sido bem melhor do que um assim tão pobre.
Enquanto isso, o Fórum Internacional de Justiça Climática, convocado por centenas de organizações de vários países, fez outra declaração de Cancún, alternativa e mais valiosa. Com o slogan “Vamos mudar o sistema, não o planeta”, a declaração revelou a verdadeira natureza contra-produtiva das propostas oficiais, que estavam presas no “mercado ambiental”. A declaração defende que deveríamos abandonar o desenvolvimentismo, estabelecer limites, concentrar-nos em espaços locais, e regenerar tradições válidas. Tudo isso, entretanto, cai na armadilha política e intelectual da mentalidade dominante por ainda se pendurar nas instituições e em seus slogans abstratos.
Afirmar ou negar a mudança climática pressupõe que nós compreendemos bem o nosso planeta, Que sabemos como o mesmo reage – tanto agora como nos próximos 100 anos – e que nós possuímos a tecnologia apropriada para o consertar. Isso é pura e simplesmente sem sentido, e intoleravelmente arrogante.
Continuar depositando nossa confiança e esperança em instituições que esperamos que façam as coisas certas vai contra toda nossa experiência e foca a nossa energia no lugar errado. Sim, nós ainda precisamos lutar algumas batalhas institucionais. Por exemplo, nós podemos celebrar o acordo recém assinado em Nagoya, onde 193 membros das Nações Unidas criaram uma moratória de fato para projetos de geoengenharia, condenando qualquer tentativa de alterar o termostato do planeta. Mas devemos entrar em tais batalhas sem rendermos nossa vontade aos administradores governamentais do capital, que continuarão protegendo os principais causadores da destruição ambiental.
Todos os governos, mesmo os mais majestosos, são compostos de mortais comuns, presos em labirintos burocráticos e brigando contra interesses disfarçados que atam suas mãos, cabeças e ideais. Mesmo se Evo Morales governasse o planeta inteiro nós não seríamos capazes de consertar os atuais problemas ambientais.
Precisamos olhar para baixo e para a esquerda, como dizem oszapatistas do México: para as pessoas, e para o que nós mesmos podemos fazer. Por exemplo, parar de produzir lixo em vez de reciclá-lo. Isto requer uma série de coisas, de rejeitar sacolas plásticas e embrulhos até abandonar radicalmente o uso do vaso sanitário com descarga – um dos hábitos mais destrutivos do mundo, absorvendo 40% da água disponível para o consumo doméstico e contaminando tudo que passar por seu caminho. E, em vez do excesso de uso de veículos poluentes, vamos recuperar a auto-mobilidade, a pé ou em bicicletas. Assim como nos esforçamos para comer e beber de forma sensata, vamos viver nossas vidas de uma maneira diferente.
Se definirmos as questões nesses termos, lidar com elas estará em nossas mãos, não nas mãos daquelas criaturas globais institucionais que nunca farão o que é necessário. ELAS NÃO PODEM FINGIR SER DEUS, NÃO IMPORTA O QUANTO ELAS TENTEM.
O tempo veio para mudar o sistema, não o planeta. Só depende de nós, não daqueles que ganham status e renda do sistema. Como o escritor brasileiro Leonardo Boff observou, ativistas deixaram Cancún muito decepcionados com o resultado, mas estavam determinados a finalmente tomar o controle de toda a questão e a viverem suas vidas de seu modo, não da maneira ditada pelo mercado ou pelo Estado.
* Gustavo Esteva é um amigo, um intelectual dos mais brilhantes que o México já produziu, desinstitucionalizado, fundador da Universidade da Terra, em Oaxaca, México. Foi estudante e depois amigo de Ivan Illich e uma das mentes mais influentes no pensamento anti-sistêmico.

Ocupação irregular na encosta do Morro da Viração

Como não sabia a "quem", "onde" ou a "que orgão público" recorrer, resolvi escrever ao Desabafos Niteroienses, onde acompanho registros, protestos e reclamações dos moradores de Niterói com relação a falta de fiscalização das autoridades competentes quanto ao crescimento desordenado da cidade trazendo perda de qualidade de vida para todos.
Venho registrar o início da ocupação irregular na encosta do Morro da Viração, abaixo da rampa de salto do Parque da Cidade. O início verificava-se uma única luz por debaixo da vegetação e, atualmente, já são somam três luzes bem visíveis. Vale destacar que, durante as chuvas de abril, houve o deslizamento de terra nessa área causando prejuízos a moradores do Condominio Aruã. As pessoas que estão construindo moradias nessa área, estão desmatando uma região preservada e, além ilegal não tem consciência do risco que estão submetendo aos que moram abaixo.

Maria Regina Vaz Piña Rodrigues


DN:
Maria Regina,
Primeiro quero agradecer a preferência, ainda que meio 'por exclusão'!! :)
Como você sabe o objetivo do blog é comunicar, denunciar, colocar a 'boca no trombone', 'no mundo'!
Infelizmente nossa cidade continua entregue às traças e nosso prefeito deu uma declaração recentemente onde diz querer fazer de 2011 tres anos em um só... 
Só? só rindo, né?
Bom, a prefeitura tem um canal oficial, a ouvidoria, que não sei ainda como e nem para quê serve, mas sugiro que envie também esta sua denuncia para lá.
Aqui está sendo divulgado para meus 'seguidores' do Facebook e Twitter. 
E algumas 'autoridades' podem ler e tomar conhecimento e quem sabe fazer alguma coisa?! 
Mas pelo estado de desleixo e descaso geral em que se encontra Niterói... recomendo sempre colocar as  barbas de molho, em Ola!

Seguem os endereços:
PMN - ouvidoria@niteroi.rj.gov.br 
Secretaria  Municipal de Urbanismo - urbanismo@niteroi.rj.gov.br
Secretaria Municipal de Habitação - habitacao@niteroi.rj.gov.br
Secretaria Municipal de Controle Urbano - Sr. Gilberto Almeida Rua São João, nº 214 Centro – Niterói – RJ. (21) 2621-1900 (Direto) / 2719-5986 / 2620-8560
Secretaria Municipal de Defesa Civil  Adilson Alves de Souza (21) 2717-2631

Ou seja no site http://www.niteroi.rj.gov.br/ e no item 'secretarias', 
poderá encontrar muitos nomes, endereços, e alguns telefones..
Sugiro insistir.
Grande abraço, 
CG

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ai que inveja de Itaboraí.. que pelo visto tem prefeito e equipe...

Cláudia CC comentou: "Põe inveja nisso! Isso que dá morar no reino de Ioretin!!...lembra?" 
Francisco FA comentou: "Pelo jeito o prefeito de lá trabalha e se faz presente, aliás se candidatou para trabalhar todos os dias pelo municipio. Pra finalizar, que tal, todos amigos do FaceBook, nos darmos um bom aumento salarial (não importa onde estejamos trabalhando) ao apagar das luzes deste ano ? Proponho, pra começar uns 280% (achei os 140% um tanto acanhado), claro que fora as mordomias, e chegando este aumento até aos amigos mais distantes ! 
Afinal, quase não faltamos ao trabalho, trabalhamos o ano inteiro, pagamos todos os impostos que nos cobram (esses às vezes em cascata), e se o não fazemos a justiça nos perseguirá, somos submetidos aos juros mais caro do mundo, temos uma das mais altas cargas tributárias do mundo, temos uma das piores logistica do mundo, um dos mais altos índices de analfabetismo, falta de saneamento básico, inclusive na barra da tijuca, e por ai vai....Feliz Natal a todos !! Me desculpem o desabafo deste niterioense, angustiado por existirem tantos bandidos soltos !!!" 

Defesa Civil de Itaboraí faz prevenção contra chuvas

ITABORAÍ - O verão começa hoje, 21/12, e com ele a temporada das chuvas. Por conta disso, a Defesa Civil de Itaboraí já está em alerta para evitar que a cidade sofra com os prejuízos e tragédias provocadas pelas inundações desta estação. No início deste mês, o órgão passou a articular, coordenar e gerenciar ações de redução de desastres em nível municipal e oferecer mais agilidade no atendimento à população.
Nesse sentido, a Prefeitura de Itaboraí fez obras de saneamento, construção e ampliação da rede de esgoto, drenagem e dragagem de rios para que novas enchentes fossem evitadas.
O tenente-coronel Edvaldo Côrtes Moreira, coordenador da Defesa Civil do município, afirma que Itaboraí, em caso de desastre, pretende implementar o Plano de Contingência, que irá organizar funções e disponibilizar equipamentos e materiais de apoio das secretarias municipais, associações de moradores e ainda voluntários em caso de inundação. A Defesa Civil pede para que o morador fique atento. Numa tempestade, caso a água invada a residência, é preciso procurar abrigo mais seguro, como igrejas e escolas o mais breve possível.
“Em Itaboraí não há morros que ocasione deslizamento de terra. O que registramos são alagamentos. Recebemos diariamente da Superintendência Operacional da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) a previsão do tempo pela internet, chegada de frente fria e alertas, com previsão de fortes chuvas. Não estamos livres de desastres, mas trabalhamos ao longo deste ano para diminuir a ocorrência e a intensidade dos acidentes”, afirma Edvaldo.
Ainda de acordo com o coordenador, a junção da Defesa Civil com a Secretaria de Saúde irá facilitar a atuação do órgão em ações preventivas. Agentes comunitários poderão orientar a população a não construir moradias em áreas de risco e passíveis alagamento como margens de rios, canais, córregos ou próximos da linha férrea; vistoriar imóveis que apresentem rachaduras ou fissuras; oferecer prioridade de atendimento as vítimas de enchentes, medicando e vacinando os desabrigados e desalojados das áreas afetadas, entre outras atividades.
A Defesa Civil de Itaboraí funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, mas atua em regime de plantão, 24 horas por dia, final de semana e feriados, através do no telefone 2635-1121, para registros de emergências na cidade.

Consumo consciente é um desafio neste Natal


André Trigueiro entrevista: Professora Samyra Crespo discute sobre a possibilidade de haver limites para o consumo.

O comércio espera bater recordes históricos neste Natal e está eufórico com isto. A professora Samyra Crespo, secretária de Relações Institucionais do Ministério do Meio Ambiente e uma das mais importantes pesquisadoras do Brasil na área ambiental, fala sobre sobre consumo consciente. A especialista discute sobre a possibilidade de haver limites para o consumo e destaca que pesquisas recentes mostram que o consumo não traz felicidade.



Pesquisas revelam que boas intenções contrastam com ausência de gestos dos consumidores brasileiros

Por Bruno Rezende.

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“De boas intenções o inferno está cheio”, é o que diz o ditado. E também é mais ou menos isso que conclui duas pesquisas publicadas no fim deste ano. Seguindo o mês de dezembro com postagens sobre consumo consciente, resolvi reunir neste post duas pesquisas que traçam o perfil do consumidor consciente no Brasil, a sua preocupação com o meio ambiente e as práticas sustentáveis. Duas pesquisas sérias que trazem dados muito relevantes e de interesse geral.
As pesquisas mostram que a maioria dos consumidores brasileiros defende as causas ambientais, no entanto, partir para a prática propriamente dita não está nos planos das pessoas, acreditam que essa responsabilidade é de empresas, órgãos públicos e das futuras gerações.
Estas pesquisas estão disponíveis gratuitamente para download e terão grande importância para os estudiosos da área, para os empresários entenderem os seus consumidores e para você consumidor entender melhor o seu próprio comportamento e começar a questionar suas atitudes.

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O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial
Esta pesquisa, realizada pelo Instituto Akatu e Instituto Ethos, revelou que os consumidores brasileiros classificados como “conscientes” é de 5%, índice semelhante ao registrado no último levantamento em 2006. Considerando-se o crescimento populacional o resultado torna-se positivo, onde os 5% correspondem a 500 mil novos consumidores conscientes.
Foram ouvidas 800 pessoas, homens e mulheres, com idade igual ou superior a 16 anos, de diferentes classes sociais e regiões do país. 56% destas pessoas nunca ouviram falar em “sustentabilidade” e apenas 16% sabem definir corretamente a palavra. A outra parcela, 19% do total, acha que sustentabilidade tem a ver com auto-sustento, como: “se sustentar sozinho”, “sustentar a família”.
Outro ponto importante da pesquisa mostra que apenas 1 em cada 3 brasileiros acreditam ter responsabilidade sobre as questões socioambientais e 9% do total acreditam que não têm responsabilidade alguma sobre isso. A maioria, 59% do total, acredita que a responsabilidade fica por conta das empresas.

A pesquisa seguinte tem o mesmo ponto em comum, onde o consumidor cobra dos outros, mas não está disposto a mudar seus hábitos individuais. Uma verdadeira hipocrisia / ausência de informação e vontade dos consumidores brasileiros.

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Sustentabilidade Aqui e Agora: Brasileiros de 11 capitais falam sobre meio ambiente, hábitos de consumo e reciclagem
Esta pesquisa, realizada pelo Wallmart em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), revelou que 61% dos entrevistados acreditam que a responsabilidade com o meio ambiente é problema dos órgãos públicos (governos e prefeituras) e apenas 18% responderam que a responsabilidade é do indivíduo.
Foram ouvidas 1100 pessoas em 11 capitais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Outro dado interessante revelado pela pesquisa é que os brasileiros apostam na próxima geração para solidificar uma sociedade mais atuante em prol do meio ambiente: 63% dizem que a escola é o local mais apropriado para a construção de uma consciência ambiental, seguido de comunidades (58%) e igrejas (43%).

As duas pesquisas deixam claras as diferenças entre “intenção” e “gesto”. Fala-se muito sobre preservação ambiental, consumo consciente e sustentabilidade, mas a maioria das pessoas não apresenta disposição para as mudanças hoje, jogam a responsabilidade para as gerações futuras. Há muitos anos as gerações fazem isso e a coisa só piora. 

Estes resultados mostram que nós brasileiros somos carentes de informação. O bombardeio de notícias sensacionalistas e campanhas publicitárias carregadas de “greenwashing” só servem para nos estimular a consumir, nada mais além disso. Não somos estimulados a pensar, a entender que o consumo excessivo está diretamente ligado aos problemas ambientais. A imprensa não nos informa claramente por um único motivo: ela vive da publicidade. Portanto meu caro, não espere ver em um noticiário de grande audiência nacional informações relevantes sobre essas pesquisas, pois continuarão mostrando o degelo das calotas polares no verão do Ártico como se fosse a coisa mais absurda do mundo ou mostrando a Ilha de Lixo do Pacífico como se fosse um problema de descarte correto do lixo, e não do consumo desenfreado estimulado no intervalo comercial deste mesmo canal.

Além dessas duas pesquisas indico também a leitura de um relatório internacional publicado anualmente pelo WWI - Worldwatch Institute, produzido em parceria com o Instituto Akatu. O “Estado do Mundo” é um relatório bem abrangente e detalhado sobre consumismo e sustentabilidade. Clique aqui para ver.

Então é isso, espero que seja um estímulo para vocês repensarem nos pequenos hábitos diários. Nada de jogar a responsabilidade para a geração dos seus filhos ou netos, ok?


Leia mais: http://www.colunazero.com.br/2010/12/pesquisas-revelam-boas-intencoes-mas.html#ixzz192SyYyIb
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como diminuir a emissão de carbono e o que isso tem a ver com nossa vida cotidiana?

14/12/10 por raquelrolnik

O acordo fechado na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 16), que acabou de acontecer em Cancun, no México, é um acordo entre países com o objetivo, basicamente, de diminuir as emissões de gases de efeito estufa para evitar maiores problemas que os que já estão acontecendo em relação às mudanças climáticas no mundo e, também, teoricamente, para promover uma economia de baixo carbono, ou seja, uma economia que emite poucos gases de efeito estufa e que, portanto, poderá cumprir mais facilmente as metas de redução das emissões de que trata o acordo.
Tudo isso, obviamente, está relacionado a uma política global, principalmente com a matriz energética mais utilizada no mundo, que é o petróleo, o grande emissor de gás de efeito estufa. Mas tem a ver também com o elevado padrão de consumo das nossas sociedades.
Eu chamo atenção para esse ponto porque trata-se de uma dimensão da questão da redução da emissão de gases de efeito estufa que tem a ver diretamente com iniciativas locais, mais próximas da nossa vida cotidiana. E tem toda relação, por exemplo, com o projeto Cidades em Transição (Transition Towns), um movimento criado na Inglaterra e que já chegou ao Brasil.
Essas e várias outras iniciativas de redes e organizações internacionais e nacionais procuram introduzir uma nova cultura justamente no nível local, comunitário, com o objetivo de promover uma prática de vida cotidiana e uma economia com menos emissão de carbono.
Essa nova cultura passa pela diminuição do desperdício, pela reciclagem do lixo, e também pela drástica diminuição do padrão de consumo, por exemplo, através das trocas solidárias. Há um incentivo para que as pessoas troquem mais e comprem menos e, portanto, para que se produza menos, pois sem a redução do padrão de consumo, muito dificilmente, mesmo produzindo tecnologias mais verdes, conseguiremos reduzir a emissão de carbono.
Questões como a diminuição da erosão e do desmatamento também têm a ver com essa nova cultura, já que as florestas verticais absorvem o carbono da atmosfera. Tudo isso, portanto, tem a ver com os acordos da COP 16 e também com a soma da prática cotidiana. É importante, então, ter uma dimensão cotidiana e local no acordo de redução de emissão de carbono? É importante introduzir uma nova cultura como propõe o projeto Cidades em Transição? É muito importante. Mas isso basta? Não, não basta.
Podemos usar o exemplo da própria Vila Brasilândia onde o projeto foi lançado sábado no Brasil. A Vila Brasilândia pode ficar superlegal, supersustentável, mas todo mundo, para sair da Vila Brasilândia e ir para qualquer lugar, já que lá não existem os empregos, as oportunidades de consumo e de desenvolvimento humano que estão em outros lugares da cidade, precisará queimar muito gás de efeito estufa nos ônibus e automóveis. Isso não torna o projeto menos importante, mas mostra que ele tem limites.

Olimpíadas truculentas

21/12/10 por raquelrolnik

O plano olímpico da cidade do Rio de Janeiro tem revelado, na última semana, uma forte ambigüidade na qualidade de grande projeto de desenvolvimento urbano. No mesmo ritmo em que são feitos os investimentos públicos em infra-estrutura de transportes, e nas instalações esportivas, têm ocorrido vários episódios lamentáveis de violações de direitos básicos e de desrespeito à condição humana.
Horror e tensão resumem o que inúmeras famílias têm passado na zona oeste do Rio desde o último dia 15. Denúncias recebidas de moradores, observadores e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatam o abuso de poder e o verdadeiro estado de exceção que se estabeleceu às margens da Av. das Américas, que corta as comunidades Vila Recreio II, Vila Harmonia e Restinga no Recreio dos Bandeirantes.
Sem qualquer negociação ou abertura ao diálogo, equipes da subprefeitura da Barra da Tijuca incluindo 40 homens da Guarda Municipal começaram uma operação de remoções sumárias e demolições de lares e pontos comerciais na área para a construção do Transoeste: um corredor de ônibus padrão BRT que fará a ligação da Zona Sul à Barra, região que concentrará a maioria das instalações e modalidades olímpicas em 2016.
Segundo denúncias, retro escavadeiras da empreiteira que constrói o corredor estariam derrubando casas com mobílias e pertences dentro. Durante o dia 15, alguns moradores alegam que tiveram suas casas derrubadas enquanto estavam fora trabalhando e outros que receberam um prazo até meia noite daquele dia para se retirarem e darem espaço às máquinas.
Uma equipe do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro conseguiu, em caráter emergencial, uma liminar que suspendia as remoções forçadas, pois os oficiais da subprefeitura agiam sem ordem judicial de despejo ou intimação. Entretanto o pesadelo para os moradores dessas três comunidades da zona oeste carioca não terminou, já que a liminar da justiça não era válida a todos os imóveis.
Nem as casas de santo – terrenos sagrados à tradição Candomblé, há décadas instalados ali – estão seguras das máquinas. Os moradores e representantes religiosos já realizaram duas mobilizações de repúdio a ação da prefeitura do Rio pelo modo como vem conduzindo as obras das Olimpíadas em detrimento do direito e da dignidade dos que vivem no caminho dos projetos.
Sem muito efeito, na madrugada do dia 17 para o dia 18 policiais arrombaram casas expulsando as famílias e ameaçando todos de prisão. Muitos descrevem as cenas como a de uma batalha: roupas, objetos pessoais, malas, tudo jogado no chão na beira da via por onde trafegam continuamente caminhões, automóveis e agora pessoas sem um lugar para onde ir ou voltar.
Não longe do Recreio dos Bandeirantes, o projeto olímpico também é conduzido, mas em tom menos hostil. No início da mesma semana, a prefeitura do Rio assinou o contrato de construção das mais de 2,4 mil unidades habitacionais de alto padrão, que comporão a Vila Olímpica na Barra da Tijuca e depois serão comercializadas por não menos que R$400 mil. O valor total estipulado para o projeto da vila é de quase R$1 bilhão e deve receber financiamento da Caixa Econômica Federal.
O vídeo a seguir é o trecho de uma gravação feita em uma das manhãs, em que máquinas avançavam sobre casas na comunidade da Restinga.

2 Respostas

  1. E a imprensa em geral ignora esses fatos ..
  2. Quando os carros começaram a explodir pelo RJ eu realmente cogitei a possibilidade mais neurótica, a teoria da conspiração, porque se realmente estavam sabendo das futuras explosões via grampo, porque deixarem ir até o fim?
    Ou seja, acredito na possibilidade de deixarem tudo acontecer para simplesmente poderem fazer coisas do gênero com os moradores de favela, e todos achariam medidas completamente aceitas.
    -E a imprensa em geral ignora esses fatos .. [ignora não... ABAFA, esses fatos.]


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quem sabe responder: O que foi feito do projeto Linha 3 do metrô?!.. E que tal um Impeachment?!

JR Silveira diz que 2011 será um ano decisivo para Niterói n'OFluminense por: Thaís Sousa 19/12/2010
(Imagens postadas por este blog)

Para o prefeito, os próximos 12 meses serão fundamentais para o município e, segundo ele, "três anos de governo serão feitos em um''. * Assista ao vídeo na TV O FLU (www.tvoflu.com.br)

“Vamos fazer três anos de governo em um”. Foi parafraseando o ex-presidente Juscelino Kubitschek e seu otimismo desenvolvimentista que o prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) fez, esta semana, uma espécie de balanço de 2010 e falou das perspectivas para os próximos anos de seu governo, sobretudo 2011, que será decisivo, na sua avaliação. Após inaugurar a Fundação Oscar Niemeyer, ele anunciou mais novidades para o Caminho Niemeyer e voltou a citar o projeto de revitalização do Centro. Durante a entrevista, Jorge Roberto não fugiu de questões delicadas como as chuvas de abril e das consequências da tragédia para seu governo e sua imagem política e fez um “mea culpa” de sua atuação no episódio. O setor da Saúde também foi tema de discurso e alvo de duras críticas por parte do prefeito.
Caminho Niemeyer
Para o prefeito, a conclusão do Caminho Niemeyer trará de volta a autoestima dos niteroienses. A conclusão do complexo estaria ligada ao projeto de revitalização do Centro. Um novo Terminal Rodoviário seria construído com orçamento previsto em R$ 80 milhões, para substituir o já esgotado Terminal Rodoviário João Goulart. O empreendimento será projetado próximo à nova estação hidroviária. Ambos seriam viabilizados com investimentos da iniciativa privada.
Na última terça-feira, o governador anunciou investimento de R$ 40 milhões para a construção de um centro de convenções. Já a Torre Panorâmica também deve ter suas obras iniciadas em breve e contará com investimentos de R$ 20 milhões, repassados pelo Estado e pela União.
Somente a conclusão do Centro BR de Cinema seria custeada pelo Município e deve consumir mais R$ 2 milhões até março. Em seguida, será aberto o processo de licitação para definir a empresa que vai explorar comercialmente as salas de cinema. A contrapartida da vencedora será equipar os espaços com recursos próprios. A finalização e início das operações devem acontecer entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012.
torre-panoramica-niteroi
Rio-Niterói
Jorge Roberto também falou brevemente sobre a possibilidade de se criar uma nova ligação entre o Rio e Niterói. Alegando não ter detalhes sobre o projeto, o prefeito apenas informou que se trata de um traçado antigo, idealizado por D. Pedro II. O projeto seria ligar os bairros de Gragoatá e Flamengo, com distância de apenas 3 quilômetros. Uma reunião entre o governador Sérgio Cabral Filho, o prefeito do Rio Eduardo Paes e o prefeito de Niterói já estaria agendada para janeiro, para tratar do assunto.

Saúde
A Rede Municipal de Saúde foi abertamente criticada pelo prefeito. Ele reafirmou a intenção de devolver a administração dos hospitais Orêncio de Freitas e Getúlio Vargas Filho para União e Estado respectivamente. Juntas, as unidades custariam aos cofres públicos cerca de R$ 28 milhões anuais, um valor que a Prefeitura não teria como arcar. A intenção é utilizar esses recursos para melhorar o atendimento nos postos de saúde e ampliar o Programa Médico de Família.
“Raríssimas prefeituras administram um hospital. Nós administramos dois. Essas unidades estão atendendo mal, assim como os postos de saúde. Nem o Programa Médico de Família funciona como antes. Queremos devolver os dois hospitais e focar nos postos”, admitiu.
Chuvas
Jorge Roberto Silveira também falou sobre a tragédia que atingiu a cidade em abril. Em tom de autocrítica, ele reconheceu sua fragilidade no gerenciamento da crise e o abalo político que sofreu. Mas também defendeu a necessidade de Niterói “virar a página ao seu caminho de desenvolvimento”, como o próprio prefeito disse.
Jorge citou a criação da Geo-Nit e a emancipação da Defesa Civil de Niterói como o legado positivo que a crise trouxe à cidade. Ainda de acordo com o prefeito, a Defesa Civil será bem preparada. A ideia é utilizar a mão de obra de guardas municipais para trabalharem no órgão. Os interessados receberiam treinamento junto à Defesa Civil Estadual.
“Agora, nossa Defesa Civil vai dar banho. Serão mais de 100 pessoas trabalhando”, prometeu.

DN: O que foi feito do projeto Linha 3 do metrô??
POLÍTICA
Quarta-feira, 03 de Junho de 2009 - 18:05
Obras da Linha 3 do Metrô em Niterói começam em um mês 
O Fluminense - O Instituto Estadual de Ambiente (Inea) vai liberar, até o final da semana, a Licença de Instalação para inicio de obras da Linha 3, que vão começar a partir da antiga estação de trem do Barreto, em Niterói, seguindo em direção a Guaxindiba, em São Gonçalo. Para instalação do canteiro de serviços e inicio de obras, a Secretaria de Transportes está negociando com o Ministério das Cidades a contratação de um novo convênio de R$ 300 milhões.

O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, apresentou, ontem, aos secretários estaduais Júlio Lopes (Transportes) e Marilene Ramos (Ambiente), projeto de estação hidroviária, metrô e ônibus no Caminho Niemeyer. A intenção, segundo Jorge Roberto, é alterar o traçado original da Linha 3 do Metrô no centro da cidade, visando causar menor impacto no trânsito. Marilene Ramos disse que a ideia é viável. 


O projeto original da Linha 3 do Metrô passando pela Avenida Visconde do Rio Branco, causaria muito transtorno ao trânsito de veículos no Centro. Sugerimos aos secretários, a construção de uma estação intermodal, interligada ao Terminal Rodoviário João Goulart, de onde sairia o metrô, no Caminho Niemeyer. O projeto da estação seria de Oscar Niemeyer", explicou Jorge Roberto, acrescentando, que a nova estação substituiria, ainda, a atual estação das barcas. 

- O terminal integrado vai gerar um ganho extraordinário para o sistema, facilitando a circulação das pessoas, que ganharão tempo e terão maior comodidade na transferência de modal. Será um salto qualitativo para toda estrutura de transportes da cidade – argumentou o prefeito. 

Marilene disse que poderá conseguir uma licença informal para o projeto até o final desta semana. 

"Acredito que o projeto seja perfeitamente viável. Consultarei o Inea e até esta sexta-feira, terei uma resposta sobre a viabilidade da estação multimodal", explicou a secretária, adiantando que o licenciamento sobre o trecho Barreto-Guaxindiba (São Gonçalo) da Linha 3 sairá hoje. 

"Gostei do projeto. Faz sentido. Sobre o trecho Barreto-Guaxindiba, com a licença, poderemos instalar o canteiro de obras imediatamente", afirmou Júlio Lopes. O diretor-executivo do Caminho Niemeyer, Selmo Treiger, também presente à reunião, afirmou que, com o licenciamento do Inea, o projeto definitivo da nova estação deverá ficar pronto em 30 dias. (Anderson Carvalho) 


DN: Que tal um Impeachment? Ou em português claro: impugnação de mandato?
  • Impeachment - A Constituição republicana de 1891, seguindo os preceitos da norte-americana, incorporou-o entre os seus artigos, obedecendo os mesmos princípios. O Impeachment é um processo político, não criminal, que tem por objetivo apenas afastar o presidente da república ou qualquer outra pessoa do executivo sem que por isso ele seja condenado penalmente. Na atual Constituição de 1988, o artigo 85 especifica as várias ocasiões em que o presidente pode vir a ser processado. Se ele cometer um crime comum ele será julgado pelo Supremo Tribunal federal, se foi por um crime considerado de responsabilidade (de falta de probidade administrativa, por exemplo) o encaminhamento é outro.