sexta-feira, 13 de julho de 2012

Itaipu: MAR DE LIXO NÃO DÁ PEIXE


 UM CRIME AMBIENTAL COM LICENÇA DO INEA
PESCADOR ARTESANAL DE ITAIPU RECOLHE TONELADAS DE LIXO 
DESCARTADAS TODO DIA NO MAR
O bota-fora dos sedimentos dragados na Baía de Guanabara, licenciado pelo INEA, continua a ser descartado na área dos estoques pesqueiros buscados pelo pescador artesanal de Itaipu. Hoje, sexta-feira – 13, as redes chegaram mais cheias ainda, de lixo, muito lixo! Dezenas de sacos de lixo foram retirados cheios e ainda havia muita rede lotada, destruída.

Corvina? Xerelete? Espada? Olho de cão? Sardinha? NADA! Nas redes: calotas de carro, roupas, embalagens plásticas, sacos plásticos, latas... Tudo que não se come, que não se vende! E que nem se reutiliza ou se recicla mais. Reduzir, reutilizar, reciclar, os três “rrr” nem sequer são considerados pelo órgão que licencia o bota-fora do lixo no mar. Lixo, lixo jogado na praia vizinha, em Niterói. Resultado: biodiversidade e pesca artesanal em extinção.

“Por que não largam o lixo nas praias cariocas, Ipanema – Copacabana – Leblon?”, questiona o pescador Rômulo Alves da Silva e acrescenta: “Dependo do meu trabalho e não de político nenhum, desses que prometem muito e só querem mesmo é voto.” Houve unanimidade entre os pescadores, e muitos outros concordaram com o companheiro de pescaria, desesperançados, mostrando suas redes destruídas. Adilson e Edson Vilaça faziam a conta do prejuízo da rede, fora a perda do pescado e das horas perdidas no mar e na areia da praia, reparando e limpando os apetrechos de pesca. Assim, somavam os custos: “uma rede dessas leva uns 30 ‘panos’ e cada pano (malha) custa R$117,00; e mais 150 k de chumbo, a R$13,00 o quilo; e ainda tem que ver o preço da corda e da cortiça, o que não é pouco”, comentavam preocupados com a sobrevivência de suas famílias. Preocupação compartilhada por todos reunidos ali na praia, sem qualquer esperança nas políticas públicas.
Agora estão mais preocupados ainda com a última investida do secretário estadual do ambiente, Carlos Minc, que anunciou em entrevista ao Globo Niterói (1/7/2012): -“As ilhas do Pai, Mãe e Filha, serão anexadas ao Parque Estadual da Serra da Tiririca. Vamos realizar audiência pública sobre o tema, ouvir moradores e pescadores. Mas o processo está em fase adiantada. Queremos anexá-las e também preservar o turismo ecológico nas ilhas”. Além disso, o secretário disse que planeja implantar uma reserva extrativista marinha na região e que essas medidas serão uma esperança para a revitalização da atividade pesqueira. Na mesma matéria, Minc anunciou que o novo ponto de descarte para os sedimentos dragados na baía já estaria operando: a cerca de 15 km da orla da Região Oceânica de Niterói e afirma que o novo ponto não oferece riscos à atividade pesqueira. Fala sério, Carlos Minc!?
Essa declaração de Carlos Minc provocou reações dos pescadores, que querem convidar o secretário a ver de perto, muito de perto, o bota-fora de todo dia, que não parou e ainda acontece várias vezes ao dia. “O lixo jogado no mar daqui afeta todas as nossas praias, Itaipu, Itacoatiara, Camboinhas, Sossego, Piratininga, e é um absurdo”, destacou José Ronaldo Amorim da Silva, ao lado de Advaldo Soares do Nascimento, Anderson Machado, Jairo Augusto e Jorge Nunes de Souza, o ‘seu Chico’, que complementou: “o que é preciso fazer aqui é garantir a preservação dos estoques pesqueiros; além da infraestrutura para melhorar a rotina dos pescadores, com cobertura para suas atividades de reparo e também com frigorífico e fábrica de gelo, para a conservação do pescado. Um ‘acordo de pesca’ precisa ser criado para controlar e afastar os barcos de pesca industrial e os navios do setor petroleiro, e também as lanchas e iates, que lotam nossa enseada, sem qualquer tipo de fiscalização, prejudicando não só a pesca, mas o banhista inclusive”. Para Seu Chico, a ideia de anexar as ilhas ao Parque da Tiririca é polêmica, porque o pescador poderá ser proibido de pescar no entorno, como já acontece na enseada do Bananal.
O vereador Renatinho, do PSOL, esteve na manhã de hoje na Praia de Itaipu e acompanhou de perto a limpeza das redes dos pescadores, ouvindo suas reivindicações. Autor da lei municipal que reconhece a pesca artesanal de Itaipu como patrimônio cultural de Niterói, Renatinho cobrou: “Esse verdadeiro crime, autorizado pelos órgãos ambientais, é inaceitável. A comunidade tradicional de pescadores de Itaipu merece respeito. Niterói merece respeito! Que licença é essa, Carlos Minc? Fala, Carlos Minc!"
Vereador Renatinho acompanha Seu Chico mostrando a rede perdida, cheia de lixo!


  



  

















  



5 comentários:

  1. Minc, de colete à la Evo Morales, de passado turbulento, de fala malandra, deve ter-se compensado da disfunção psíquica quando era ministro de estado.


    PC

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    1. CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS! Esse é o retrato fiel fisiológico e psíquico de Minc.

      PC

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    2. PC

      Minc é um fanfarrão. ‘cheirou’ todas...

      http://oglobo.globo.com/blogs/blogverde/posts/2012/07/20/minc-banhistas-poderao-mergulhar-em-praias-da-guanabara-em-2-anos-456261.asp

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  2. Vira-colete! Passou de ambientalista performático a desenvolvimentista sorumbático.

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  3. Se já não bastassem todos os problemas socioambientais que ameaçam a biodiversidade e os ecossistemas marinhos, além de afetarem as comunidades tradicionais que sobrevivem da pesca, tudo ainda pode piorar, também por conta de licença 'ambiental' concedida pelo INEA, com o aval do secretário estadual do ambiente, Carlos Minc. Vale perguntar a ele também sobre a licença para o COMPERJ despejar seus efluentes petroquímicos diretamente no mar, em Itaipuaçu, na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra da Tiririca, bem ao lado das praias de Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas, Sossego e Piratininga. Carlos Minc está se tornando um expert em jogar sujeira pra baixo do tapete, quer dizer, pra baixo das ondas, pro fundo do mar, como se não fosse deixar marcas... Atenção, Minc, você já deveria saber que o 'lixo político' também é muito visível, escorre pelos porões dos bastidores oficiais e ralos dos gabinetes... Basta de conversa fiada de marqueteiro. Basta!

    Laura França

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