sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Jaime Lerner – O novo* e caro factóide de Jorge Roberto Silveira


Paulo Eduardo Gomes
** 
(*este texto, embora de maio 2009, é absolutamente atual)
Ao anunciar com pompa a contratação, sem licitação, do arquiteto mágico Jaime Lerner, o prefeito consegue a proeza de agredir ao mesmo tempo os arquitetos e urbanistas da cidade, como também a memória da nossa população.
Com frase de efeito de gosto duvidoso espalha pela imprensa amestrada e acrítica da boa terra: “Chega do trânsito da cidade ser tratado por amadores. Agora será tratado por profissionais”! Será? A resposta é desenganadamente não.
A relação do arquiteto curitibano com o nosso estado e a nossa cidade remonta a 1975 durante o governo de Faria Lima, nomeado por Geisel, em que foi escolhido para presidir a Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana – FUNDREM, período em que conviveu com o também nomeado prefeito de Niterói Ronaldo Fabrício (1975-1977). Seus planos, na ocasião, não sairam do papel. Alguns anos depois o então Prefeito Moreira Franco (1977-1983) o contrata para propor soluções urbanísticas para a cidade. Deste contrato não restou um tijolo ou ferro em pé para contar a história, visto que a única obra realizada, os terminais de ônibus Zona Sul e Zona ao longo da Avenida Rio Branco, construídos com ferro e caríssimos vidros especiais (Curitiba não tem maresia) foram mandados destruir a mando do ex-Prefeito Jorge Roberto Silveira, através do seu Secretário de Urbanismo, o arquiteto e urbanista ex-Prefeito João Sampaio, que em seu lugar construiu o Terminal João Goulart. Tal terminal, diga-se de passagem por uma questão de justiça, com projeto premiado, é, infelizmente, o único da cidade e este é o nosso principal problema para a reorganização dos transportes coletivos em nossa cidade.
Que amadores, portanto, o Prefeito Jorge Roberto se referiu? Os arquitetos João Sampaio, Adyr Mota, Rosane Monteiro e Dayse Monassa, o advogado Ademar Reis, o engenheiro Sérgio Marcolini e demais técnicos da Prefeitura?
Ou estaria se referindo, ainda, ao engenheiro Wiliam de Aquino e toda a sua equipe da empresa SINERGIA que, desde os primeiros anos de Jorge Roberto na Prefeitura (1991-1992), assessora o governo, de Godofredo, inclusive, na busca de soluções para a mobilidade urbana na cidade, que está testemunhando o caos no trânsito há muitos anos? Tal retórica ilusionista, de fato, não convence a ninguém.
Na verdade, Jorge Roberto, no atual governo busca fugir da responsabilidade em relação às sementes que plantou desde a sua primeira passagem pela Prefeitura. Com sua campanha eleitoral à Prefeitura em 1988 financiada por setores representativos da construção civil e do empresariado de transportes coletivos da cidade, Jorge se aliou à tese do
desenvolvimento urbano irresponsável e inconsequente da cidade, visto que não acompanhado do indispensável desenvolvimento da infra-estrutura de suporte à mobilidade urbana, conforme denunciamos à população em nossas campanhas à Prefeitura em 1996 (PT) e 2008 (PSOL). Centenas de casas foram e são derrubadas, até hoje, e transformadas em enormes edifícios. Bom para o IPTU, péssimo para o trânsito. Planos, no papel, sempre existiram.
João Sampaio (1993-1996) elaborou o Plano Integrado de Transporte e Trânsito – PITT e o entregou ao seu sucessor, Jorge Roberto, que o engavetou, já em 1997, porque feria interesses do empresariado de transportes coletivos porque pressupunha a reorganização das linhas de ônibus da cidade, hierarquizando-as em linhas de alimentação de terminais
de transbordo e de entroncamento entre o terminal João Goulart e estes terminais a serem construídos. Tal sistema repartia o bolo desta atividade econômica e os empresários concessionários das linhas mais rentáveis enterraram o projeto. Depois, em 2001 e 2003, o PITT foi atualizado e se transformou no Plano Diretor de Transportes e Trânsito –
PDTT, com as mesmas premissas conceituais e objeto de pedido de financiamento ao Banco Mundial durante o governo de Godofredo Pinto. O conteúdo do PDTT pode ser encontrado, já que desapareceu do atual sítio na Prefeitura na Internet, no sítio do Vereador Renatinho (www.renatinho.org), do Deputado Estadual Marcelo Freixo
(www.marcelofreixo.com.br) ou do PSOL Estadual (www.psol.rj.org.br). É um boa leitura para os preocupados com os problemas da cidade e os céticos.
O que pode, afinal de contas, nos oferecer Jaime Lerner em troca dos R$ 630 mil que tentará levar do nosso tesouro municipal às custas dos impostos pagos pelo povo de Niterói? O futuro imediato nos dirá. De nossa parte, amadores ou não, opino que muito pouco ou quase nada, comparado ao que já foi proposto pela SINERGIA, ao que
poderia e já contribui o Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB Niterói, a Universidade Federal Fluminense, a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia – COPPE da UFRJ, dos quais, sem licitação, Jaime Lerner com seu prefeito amigo abocanhou este contrato em mais uma aventura remunerada em Niterói.
Jorge Roberto provavelmente estava em Paris ou Miami quando, na Revista ISTO É de 13 de agosto de 2007, Jaime Lerner concedeu entrevista para falar sobre política e políticas públicas para o desenvolvimento urbano das cidades. Neste entrevista, que também pode ser encontrada na íntegra nos sítios já mencionados, abordando os problemas de congestionamento no trânsito da cidade de São Paulo e mais especificamente no gargalo existente entre a cidade e seus dois aeroportos. Ele afirma: “Para desafogar Congonhas, por exemplo, ele propõe a criação de terminais remotos, nos quais o passageiro faria o check-in longe do aeroporto e se deslocaria até ele em ônibus circulando por vias exclusivas para embarcar em seu avião”. O ideal, segundo ele, seria a ligação por trem entre os dois aeroportos e propõe “Enquanto não vem o trem, pode-se implantar facilmente linhas diretas de ônibus em corredores exclusivos, como eu fiz em Curitiba. Essa centralização da operação toda num único ponto não tem sentido”. Como pode se depreender, fazendo-se a adequada analogia ao nosso sistema viário e a organização do nosso sistema público de transporte coletivo de massas, tal qual as redes de distribuição de energia elétrica e de
telecomunicações, exige-se pensar que, “enquanto o VLT não chega a Niterói”, há que se tirar do papel tudo aquilo que foi projetado, e já pago, pelo PITT e PDTT.
Desde torre de 60 metros de altura no Caminho Niemeyer, passando por Jaime Lerner, chega de factóide porque o povo tem pressa e paciência e confiança tem limite.

** Paulo Eduardo Gomes, 58 anos, é engenheiro militante do PSOL. Foi Vereador de 2001 a 2008 e candidato a Prefeito pelo PSOL em 2008.

Um comentário:

  1. Rosane Monteiro? fala séerio. Foi minha chefe por 6 meses. Nem escrever direito sabe. Quando abre a boca para falar, só saem grosserias e erros de português grosseiros. Não conheci uma única pessoa que gostasse dessa senhora. Mas como ela vive a lamber as botas dos poderosos e usa isso como adjetivo, todos se calam perante tamanha incompetência. Rosane Monteiro usou o departamento de operações da EMUSA para empregar sociólogas da Pestalozi e assim conseguir apoio para conquistar uma cadeira no conselho gestor desa universidade. Infelizmente nesse governo corrupto, os fins justificam os meios... Assinado: João

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