quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ditadura? Esse nome é mais atual do que deveria..

Muito interessante - e triste ao mesmo tempo - percebermos o quanto a ditadura ainda - ou até, para os que não a viveram à época! - faz parte de nós...
Presente à tentativa de entrada na reunião ordinária do compur dia 12, a princípio impedida, sabe deus por quê!!, me deparo com algumas situações aparentemente 'normais', numa primeira mirada, mas depois, poeira acalmada, vieram algumas reflexões.
Como quando cheguei já havia uma pequena multidão na escadaria, não tive oportunidade de presenciar o evento 'impedimento' desde seu início, mas.. 

A primeira questão é: em que momento, em que circunstância, a entrada das pessoas foi barrada? Sob que alegação?
Porque se estamos - pelo menos teoricamente - vivendo em uma democracia, onde o direito de ir e vir deveria ser assegurado pelas 'autoridades', por que alguém pode pensar na hipótese de barrar o acesso da população a uma reunião que É pública?!

Houve algum tipo de barbárie? alguém apedrejou algo? Alguém cuspiu em alguém, quebraram vidraças, jogaram cadeiras pelas janelas?! alguém deu algum tiro?? Alguém tava armado?! Da população não...
Portanto nada disso acontecia.
A informação que tenho de quem estava lá desde mais cedo é a de que não havia nada além de um grupo de pessoas querendo entrar numa reunião pública. Apenas.


Quando cheguei umas 19:20, havia um grupo diante da escadaria e as portas controladas por funcionários e guardas da prefeitura. Havia dois rapazes no alto da escada segurando um cartaz feito em cartolina. Só. E o burburinho que corria é que não poderíamos entrar..
Liga pra um, liga pra outro, faz um abaixo assinado para encaminhar ao ministério público, liga-não-liga-já pro ministério público e.. aparece na porta um funcionário avisando que os conselheiros entrariam primeiro e 'eles' - funcionários - poderiam liberar a entrada de 10 pessoas, 'está bom?', pergunta. A grita é de 'não, não', o que aumenta o tumulto, provocado pela própria prefeitura que não deixa o grupo entrar na reunião que é pública!! Parece piada, não fosse vergonhoso.
Em seguida um jovem traz notícias lá de dentro. E diz que havia acordado - como acordado?! - que poderíamos entrar todos "desde que garantido que não haveria quebradeira, nem confusão, nem nada parecido"...
O secretário de interesse social - é esse o nome da secretaria?! - vem mediar o absurdo imposto pela prefeitura pedindo calma e avisando que no grito ele também sabe fazer.. ou seja, são tantas as idiossincrasias, são tantos os absurdos presenciados em tão breves 40 minutos..
Enfim o acordo é firmado.
Na hora era tudo normal. Embora constrangedor. O acordo, a fila organizada, afinal havíamos 'conseguido' o óbvio ululante: entrar na reunião pública, todos. Ainda que tivessemos que subir em grupos de 10, escoltados por um guarda no elevador. Fora os guardas todos na porta da sala onde haveria a reunião. 
Mas depois pensando: que acordo era necessário para entrar em uma reunião pública?? quem eram os vândalos presentes?..

A ditadura parece que permeia os atos dos que a impõe, ou tentam impor, e assim também dos que a 'sofrem' pois parecem 'aceitar' aquela situação toda, aquele constrangimento como 'normal', ainda que tivessem gritos, apelos, tumulto, revolta..
Parecia haver um acordo tácito onde todos sabíamos que estávamos vivendo uma ditadura, não importava o lado que estivessemos, nem a idade ou vivencia. O status quo era de repressão. E ninguém acordou disso e falou: pára com isso!
Foi tudo provocado pelos funcionários da prefeitura, ainda que em sua ignorância, e medo. Caso contrário, estariam todos lá, no nono andar, sentados no auditório aguardando a reunião começar. Posso apostar!


A prefeitura recuou no sábado, supostamente devido ao enorme movimento que houve na internet e redes sociais sobre o escândaloso projeto de lei para o 'novo centro expandido'.
Essa é a novidade.
A convocação era feita pela internet e eram respondidas e apoiadas com muitas manifestações de protestos. A população dizia que ia comparecer à reunião.
Será que a prefeitura estava tão ciente do nivel de absurdo proposto pelos bois de piranha da secretaria de planejamento que temeu um motim? que temeu um ato de violência por parte da população sempre tão acomodada? calma prefeito, tua batata tá assando sim. Até nos restaurantes sua presença instiga o mal estar dos cidadãos que já ultrapassam os limites do convívio e reagem além da etiqueta, do que seria considerado fino, ou educado.. Prefeito, a população tá acordando. A população tá começando a se dar conta que a prefeitura ultrapassou qualquer limite possível.
As eleições estão aí..

Cynthia Gorham

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