quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ruas em Niterói - Quem muda seus nomes?

Quem muda os nomes das ruas? Suponho serem uns vereadores que propõem e outros tantos aprovam. Parece uma bobagem, mas...
Nomes carregam a história e a memória, no caso de uma cidade.
Se são os vereadores que aprovam, aprovaram baseados em critérios políticos e por conseguinte, temporais. 

Relacionamos abaixo três casos onde consideramos da maior importância que se reavalie os critérios utilizados, especialmente dado o estranho andar da carruagem que esta cidade vem tomando nos últimos 20 anos, em particular nos últimos 2 e meio. 
Vimos alertar para nomes que nos remetem a momentos não tão nobres assim em uma cidade que se vê assolada pelo descaso e abandono. 

Buscando retomar de forma simbólica estas rédeas, este blog propõe a reflexão da alteração dos nomes de algumas ruas, aliás, mais que isso, estradas, vias marcantes na cidade, cada uma a sua maneira.

Vamos a elas.


1. A Estrada de Itaipu sempre foi  Estrada de Itaipu até que um dia um-não-sei-quem mudou seu nome para Estrada Francisco da Cruz Nunes.  
Ora, quem era esse senhor Francisco? Alguém conhece?
Reza a lenda que Cruz Nunes é nome de grileiros em Niterói desde os tempos de Araribóia e atuais devedores de altos IPTU's na cidade - só no Sapê num montante de 10 milhões de reais - e em vista de virem a ter parte de suas terras desapropriadas tanto no Sapê como no Cantagalo, tanto para a tal construção de 5mil unidades habitacionais para o Bairro Modelo, como para o alargamento da Estrada de Itaipu, no Cantagalo...

Assim sendo a homenagem a um integrante desta família, é no mínimo um ultraje.


2. Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, alguém sabe onde fica? 
Este é nome oficial dado à, desde sempre, Praia de Icaraí
Esse senhor jornalista comprou O Fluminense em 1954, o periódico que hoje faz campanha deslavada para o atual prefeito, chegando em alguns grupos a ser jocosamente tratado como 'assessoria de imprensa de Jorge Roberto Silveira'. 
Ora, faça-me o favor..
Ainda que desconheça em particular dados sobre este senhor, assim como o Francisco anterior, esse nome faz referência a aspectos que vivemos na cidade que não valem a pena serem lembrados.

Em contrapartida, a Praia de Icaraí sempre foi um endereço e referência nobre na cidade, e suspeitamos que valeria ser mantida esta tradição ao invés de se tentar empurrar goela abaixo dos niteroienses o convívio diário com esta nem tão nobre assim lembrança.


3.A avenida Roberto Silveira.
De acordo com o link
:
"o nome da avenida mudou devido à morte do governador fluminense, em fevereiro de 1961".

Novamente a pergunta: quem pediu? Quando a população de Niterói foi sondada e ouvida se queria que o principal corredor viário da cidade, a avenida Estácio de Sá, popularmente conhecida como 'a Estácio', tivesse seu nome mudado? Quem concordou? Alguns vereadores mancomunados com o filho do homenageado?
Quem foi o senhor Roberto Silveira, além de pai do excelentíssimo atual prefeito? 
Corrijam qualquer equívoco na avaliação, mas até onde é sabido, o governo Roberto Silveira (1959-1961) regia a cidade com mãos populistas, bem próprio à época pós getulista..

“Venceu as eleições em outubro com uma expressiva votação, pela inusitada coligação do PTB com a UDN fluminese. Tomou posse em janeiro de 1959. Faleceu vítima dos ferimentos causados pela queda do helicóptero em que viajava para verificar as áreas inundadas do Norte Fluminense.
Entre os fatos ocorridos durante seu governo destaca-se um "quebra-quebra" na Estação das Barcas, defronte à Praça Araribóia no centro de Niterói, em protesto contra o aumento das passagens das barcas, no ano de 1959, quando houve a necessidade de intervenção de forças militares para controlar a situação.”  http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Silveira

Curiosa a possibilidade de comparação que temos com os fatos atuais e a concessão de mesmo serviço que a Barcas SA oferece, sem que a atual administração, tanto estadual como local, movam um só dedo. Mistério? De jeito nenhum...
Um governo sem mãos firmes - ou interesse - permite  que uma empresa prestadora de serviço siga tão mal em sua operação que a população se viu obrigada a agir de forma como é conhecida a revolta dos Carreteros... Quebra-quebra, incêndios, baderna..
Fica a dúvida: será que um governo sadio, um governo adequado às suas funções administrativas não teria resolvido a questão, tomado uma atitude antes que  a população se visse forçada a fazê-lo por suas próprias mãos?! 
Parece que hoje caminhamos pelo mesma história...
Essa cidade está viciada em mandos e desmandos há 20 anos. Está na hora da população de Niterói tomar as rédeas na mão de sua cidade e dar um basta a tanto descalabro que hoje nem mais se precisa ler jornais para se ter notícia dos fatos. Porque os engarrafamentos estão no nosso caminho todo dia, as buzinas do tráfego parado sob nossas janelas; os impostos vultuosos saem dos nossos bolsos todo ano e a contrapartida tem sido os desabrigados de abril de 2010, continuando desabrigados; o aluguel social só acontecendo de vez em quando para os que conseguiram ter o comprovante da Defesa Civil de 'sem teto'; a maquiagem de sempre nem acontece mais, com pinturas fajutas sobre o asfalto mais irregular que nunca provocado pelo tráfego pesado de tantos caminhões decorrentes de tanta especulação imobiliária na cidade, pinturas de faixas sobre buracos, pinturas de cones de bicicletas em qualquer lugar à guisa de ganhar quilometragem e 'amanhã' - quem sabe? - ter publicado mais um índice hipócrita de um 'IDH' de ciclovias no país; as passagens dos transportes só aumentam a olhos nus e ninguém faz nada. O Bilhete Único só vai favorecer os empresários das viações; as pretensas melhorias para o tráfego são uma piada porque ao mesmo tempo que se atrapalham ao alargar ruas, só incentivam o aumento de carros na cidade, através da espoliação das características urbanas da cidade e deterioração flagrante dos seus serviços, sem nenhuma contrapartida para a população.
Niterói está como Araribóia na praça: de braços cruzados. Hoje em dia nem dá mais para reclamar do nosso símbolo voltado de costas para a cidade, tamanha é a vergonha que é melhor ficar de costas mesmo.

Em nome da memória do niteroiense, este blog sugere que, caso nenhum vereador queira levantar a questão de retomar o amor próprio do niteroiense por sua cidade e seus valores, que a população num rasgo de decência e honra recupere os nomes originais e volte a se referir à estrada para a Região Oceânica, como de Estrada de Itaipu, resgatando a vergonha na cara da população que não quer ser mais espoliada de cara limpa e à luz do dia;
Que voltemos a chamar a Estácio de Sá, de Estácio de Sá, trazendo inclusive essa informação e memória afetiva aos mais jovens e mais novos habitantes, pós anos 60;
e a Praia de Icaraí, essa nem precisa porque lá 'o fluminense', de 1912, não colou mesmo!
Alguns dados pesquisados:


O interventor do estado, Ernani do Amaral Peixoto realizou o aterro da Praia Grande (aterro da faixa litorânea central entre a ponta da Armação e a Praia das Flechas) e a abertura da Avenida Amaral Peixoto, iniciada em 1942 e completada apenas na década de 50, indo da Praça Araribóia até a rua Marques de Paraná, e que veio a constituir-se a principal via do Centro de Niterói.


O primeiro prefeito de Niterói: Paulo Pereira Alves (jan/nov 1904) idealizou a Avenida na Praia de Icaraí (que correspondia então ao fundo dom quintal das chácaras palaceanas da rua Moreira César) indo até São Francisco e daí alcançando as Praias Oceânicas pelo prolongamento da Estrada da Cachoeira. Essa avenida se destinava a implantação de hotéis, cassinos, praças de esportes e outros centros de lazer, na orla de Icaraí e São Francisco. 

De 1948 até 1954 ocorreu a retificação da Avenida Estácio de Sá, atual Avenida Roberto Silveira, ligando o Centro à zona Sul. http://studyingarchitecture.wordpress.com/2011/04/24/niteroi-fundacao-e-urbanismo/



Será que amanhã teremos que, por exemplo aturar o nome de Jorge Roberto Silveira também na Praça Araribóia, substituindo o verdadeiro índio, por 'outro'?! Preferimos o autêntico.

Vereadores e políticos em geral, querem homenagear estes supracitados senhores?

Sugerimos que comprem uma casinha em Búzios, ou onde quer que prefiram, e coloquem uma plaquinha na porta com nome dos ilustres familiares. 
Niterói agradece. 

6 comentários:

  1. Poxa parece que eu tenho participação nesse texto ...Eu penso assim tbm é uma falta de respeito com a cidade esta troca troca maluca de nomes de ruas e escolhas ...Nome de rua é tradição cultural faz parte da HISTORIA da cidade sair trocando e simplismente um crime contra a cultura de nossa ciddea ..

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  2. Por favor, de uma próxima vez, assine! Assim saberei com quem 'escrevi junto'!.. ;)

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  3. ...e desde quando a população é consultada para qualquer coisa ou evento importante?

    PC

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  4. Meu nome é SERGIO FRANCISCO DA CRUZ NUNES, Professor, Engenheiro. NETO DE FRANCISCO DA CRUZ NUNES. FILHO DE ENÉAS DA CRUZ NUNES. Venho por meio desse e-mail pedi que quando por no seu panfleto de propaganda eleitoral com o nome dos CRUZ NUNES. De os nomes dos verdadeiros donos das terras em questão. Se o senhor não sabe existe uma família CRUZ NUNES que não tem nada haver com as terras ou terreno de Niterói. Essa parte da família descendente de FRANCISCO DA CRUZ NUNES que leva o nome da estrada que liga o Largo da Batalha a Itaipu nada tem haver com as terras em questão. FRANCISCO DA CRUZ NUNES foi comerciante da região, Funcionário Municipal, festeiro nas festas de Itaipu e Piratininga, muito conhecidas e estimadas por todos. Quando do seu falecimento em 1960 seus filhos: ENÉAS DA CRUZ NUNES era secretário do governo de Roberto Silveira, EDÉSIO DA CRUZ NUNES era deputado e secretário do governo de Roberto Silveira, EVANDRO DA CRUZ NUNES vereador de Niterói. Foi uma homenagem para a família. Que essa estrada tivesse o nome de ESTRADA FRANCISCO DA CRUZ NUNES dado pelo Governo Municipal.

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  5. O FRANCISCO DA CRUZ NUNES, não é o mesmo em questão o FRANCISCO DA CRUZ NUNES em questão é o JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ NUNES conhecido na região COM ZÉ LOPES.
    Quando o MEU AVÔ faleceu, foi uma homenagem que fizeram a ele e a família CRUZ NUNES (de Enéas meu pai, Edésio meu tio, Evandro meu tio políticos atuantes que eram os mais conhecidos) pelos serviços prestados, a população como comerciante e outras atividades paralelas que exercia e que muito ajudou no crescimento da região. Por esse nome ficou conhecida a então nova estrada que ligava o Largo da Batalha a Itaipu como Estrada FRANCISCO DA CRUZ NUNES.
    O FRANCISCO DA CRUZ NUNES o nome da estrada vem a ser primo de JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ NUNES, esse sim dono das terras em questão.
    Por isso pediria que fosse feita essa retificação para a população compreenda que tem dois ramos de família ai envolvida na questão, sendo que os atuais donos não tem como sobrenome CRUZ NUNES no nome e são os verdadeiros herdeiros. Muito Obrigado.

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  6. Adorei ver esse blog e concordo plenamente com os absurdos nomes de ruas. Irreal... politicagem pura.
    Aliás sou muito favorável que obedecendo a uma sequencia as ruas tivessem números ao invés de nomes. Facilita o deslocamento pois seguiria um lógica e acabaria de vez com essa sem vergonhice de ficar mudando de nome a cada novo político que passa pelos porões do poder. Super fácil andar em Brasilia pela lógica sequencial dos endereços. Deveria ser assim no país todo. Fui à Paraíba recentemente e apesar da linda cidade que João Pessoa, fiquei chocada ao ver que a grande maioria das ruas não tem placa de identificação. Você tem que adivinhar ou andar com o GPS ligado. Me poupe né?

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