domingo, 19 de junho de 2011

Só em Niterói!: Utilidade Pública - de quem?!

   Alegar utilidade pública para desapropriar área ambiental e com atividade econômica sustentável que emprega 45 pessoas, e que já tem sua utilidade pública, é um absurdo.
Conheço o SITIO CARVALHO, lugar que os niteroienses levam suas crianças e seus velhos para ver o céu, e apreciar a natureza que foi preservada sem nenhum incentivo governamental. É um  ato COVARDE de um governo ensimesmado, que governa para si e  para um pequeno grupo. Grupo este que sustenta grandiosas campanhas eleitorais que visam inebriar o povo pobre com promessas vãs que depois só servem para perpetuar a grande farsa do "CASO DE AMOR”.

   Niterói descobriu da pior forma, na hora difícil, na catástrofe, que nunca foi amada. 
É nos momentos difíceis que se conhecem as pessoas, quando a tragédia se abateu sobre as pessoas (para quem não sabe ou não se lembra mais pelo tanto de tempo que ficaram no poder, um município é feito de PESSOAS). E essas pessoas viviam encantadas por certo príncipe encantado que virou sapo assim que o resultado de sucessivas gestões nefastas terminaram por produziram 167 corpos.

   Usar a desgraça alheia como desculpa para conseguir atingir objetivos pessoais e ou eleitoreiros, é lugar comum na política brasileira e parece que aqui em Niterói não é diferente. Depois de passados mais de 400 dias da tragédia, boa parte das pessoas que tiveram suas casas inviabilizadas ainda não recebem aluguel social, muitas voltaram às casas condenadas em área de risco. Contenção de encostas feitas pela PMN só a do Maquinho (seria um vexame deixar aquela obra feita em área de risco desabar), ou contenções onde a justiça obrigou exemplos: Estrada Fróes e em um condomínio em Charitas. De resto o que foi feito é obra do Governo do Estado.  Durante todo esse tempo os atingidos pelas chuvas tiveram assistência de Deus, dos parentes e amigos, dos bombeiros para retirar dos escombros mortos e sobreviventes.
   
   A desgraça do povo desta cidade está sendo tratada como business, mais um negócio: o “modelo” escolhido, um grande projeto, para minimizar o déficit habitacional no fundo, tem como finalidade maximizar os lucros das construtoras que não queriam construir pequenos conjuntos habitacionais que dão menos lucros. Por outro lado as terras que o prefeito quer desapropriar são áreas ambientais, são ocupadas, e (aprox. 5000 pessoas correm risco de remoção) e se não bastassem têm problemas de disputas fundiárias e estão em área de restrição à ocupação urbana pelo próprio Plano Diretor do Município. Segundo Nota Técnica do IAB-Instituto dos Arquitetos do Brasil, na melhor das hipóteses só 10 a 20% da área que o prefeito quer desapropriar poderia ser usado para o projeto. E aí fica a pergunta que ainda está sem resposta: por que o contribuinte que paga caros tributos municipais, e pisa na lama, e não tem esgoto, e não tem transporte digno, e que tem péssimo serviço de saúde, deve pagar a  desapropriação de um mundo de terras “enroladas” que o município não poderá usar para construir casas populares?

 O governo levou tanto tempo sem nenhuma resposta real aos atingidos pelas chuvas, porque estes nunca foram prioridade para esta administração.  E agora com este infeliz projeto de “Bairro Modelo” que como está destina-se a dar um viés social, para um governo que nunca governou para o povo. É uma tentativa desesperada de salvar a pele de quem abusou do descaso, abusou do desrespeito com uma população que durante quase 30 anos elegeu o senhor Jorge Roberto Silveira acreditando que a cidade estava em boas mãos.

Este cidadão na verdade não gosta do povão, gosta mesmo é de obras faraônicas que possam ligar sua imagem à arte, e ao bom gosto. Mas nós o povo, lembraremos que cada centavo  que o senhor e o grupo que lhe dá sustentação politica  consumiu nesses monumentos, faltou na saúde, na educação,  no transporte, em urbanização e principalmente na habitação, que se tivesse tido a devida atenção, não estaríamos agora contabilizando tantos desabrigados e 167 mortos.
Pedro Guimarães.

Um comentário:

  1. Resta saber qual é o público a ser beneficiado.
    Jorge Carvalho

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