quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quem Tem Medo de Marcelo Freixo

no Jornal Plural 30/04 a 14/05/11 www.dizjornal.com
Na cidade existe uma agitação pela possibilidade (mais que evidente) da candidatura do deputado Marcelo Freixo à prefeitura de Niterói.
Aqueles que estão na situação, especialmente os membros do segundo escalão, vêem com muita apreensão esta candidatura, que segundo eles mesmos, ameaça a reeleição de Jorge Roberto Silveira.
Hoje, todos estão convictos que o Freixo é o único capaz de concorrer em pé de igualdade com o prefeito. Marcelo Freixo tem um invejável patrimônio eleitoral de 177.253 eleitores no Estado dos quais, 30.000, aproximadamente, em Niterói, conquistados na última eleição. Ele é economista e professor de história e está no seu segundo mandato como deputado estadual. Antes de ser eleito deputado trabalhou como pesquisador da ONG Justiça Global e como consultor do deputado federal Chico Alencar na área de Direitos Humanos. De 1993 a 1995, foi diretor do Sindicato dos Professores (SINPRO) de Niterói e São Gonçalo. Foi filiado ao PT de 1986 a 2005 e em 2006 conquistou o seu primeiro mandato pelo PSOL, partido que até hoje pertence.


O Marcelo Freixo não tem desgaste pessoal na cidade e chega com uma aura de homem de bem, incansável defensor dos direitos humanos, principalmente dos menos favorecidos, como presidiários, desabrigados e os carentes de justiça. Vem com o glamour de paladino dos injustiçados, comandou a CPI das Mílicias e saiu aclamado. É citado como implacável destruidor de corruptos,e para este fim, encontraremos adeptos, injustiçados e insatisfeitos em todas as camadas sociais. Ele foi o deputado mais votado em Niterói, independente se para a ALERJ ou Congresso Nacional e em todo Estado foi o segundo mais votado, perdendo apenas para o popular e televisivo Wagner Montes, do PDT.
Se na última eleição Jorge Roberto buscou apoio em tantas legendas, desta vez vai ter que ser mais seletivo e objetivo quanto aos aliados. Agora não é uma questão de quantidade e sim de qualidade.

E quais são as possibilidades? Se a eleição fosse hoje, Jorge Roberto enfrentaria Marcelo Freixo com risco de perder a eleição. Marcelo Freixo é um candidato palatável num partido difícil e sistemático. O partido, o PSOL, em nome desta postura de defensor republicano, tem dificuldades de fazer alianças e não
tem recursos financeiros. Se o financiamento de campanha vier, fato muito improvável, poria os dois candidatos em condições quase iguais. Caso contrário, Freixo estará em desigualdade financeira, pois Jorge Roberto Silveira, mais uma vez, virá apoiado pelas empresas do mercado imobiliário, dos transportes e empreiteiras prestadoras de serviço, como as da coleta de lixo.
Se o PSOL flexibilizar e regionalmente aceitar outras alianças, crescem as chances de Marcelo lutar pela vitória. Por sua vez, a reeleição de Jorge Roberto, passa pelo apoio do PMDB; e quando citamos a sigla, estamos falando do PMDB de Moreira Franco. As chances de Jorge Roberto ganhar um fôlego eleitoral estão na entrega das nove mil casas que estão sendo construídas para os desabrigados, com financiamento da Caixa Econômica Federal, via Wellington Moreira Franco e pela Construtora Norberto Odebrecht, onde Moreira tem completa ascendência. Bastará que Moreira sinalize para diminuir o ritmo das obras e o sonho de reeleição de Jorge Roberto acaba. Se os acordos e conveniências saírem a contento, as casas serão entregues, todos esquecerão os problemas atuais e Jorge reformará a sua imagem. Tanto popularmente, quanto com a classe média que sempre o apoiou.
A verdade é que se Jorge Roberto realmente quiser se reeleger terá que arregaçar as mangas desde já, trazendo para si os principais pilares de apoio da cidade, inclusive o PSDB, que é a força política que se renova no momento e poderá ser de grande utilidade aos projetos de Jorge.
No tabuleiro da sucessão em Niterói existe outro ator muito importante que é o governador Sergio Cabral. Ele tem fundamental importância nas decisões partidárias, na fluidez de convênios como o aluguel social, pago aos desabrigados, que está vinculado à secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos  do Estado do Rio de Janeiro, que tem como secretário um dos pretensos candidatos a prefeito de Niterói, que é o deputado estadual licenciado Rodrigo Neves do PT. Nesta última eleição, entre os veteranos, foi o que obteve o menor número de votos na cidade, e apesar do seu desejo, numa disputa com qualquer um dos candidatos perderia fatalmente. É provável que o PT se tiver candidato, determine outro para a disputa. Sergio Cabral tem ainda no seu secretariado dois nomes de possíveis candidatos, caso Jorge Roberto desista da disputa, que são o deputado federal Sergio Zveiter, secretário do Trabalho e Felipe Peixoto, secretário de Abastecimento e Pesca, ambos do PDT. Zveiter certamente seria a escolha do partido no caso de desistência de Jorge Roberto. Ele teve quase 66.000 votos e em Niterói ficou pouco abaixo do Marcelo Freixo.
Já teve uma experiência como candidato a prefeito, disputando e perdendo exatamente para o seu colega de partido, o atual prefeito Jorge Roberto Silveira. De qualquer forma Zveiter é eleitoralmente representativo.
Desenha-se uma nova candidatura apresentando para disputa o desembargador aposentado Mota Machado, pelo PR, partido do deputado e ex-governador Garotinho. 

Esta candidatura terá muitas dificuldades, principalmente pela pouca popularidade do candidato e apesar da militância achar que o deputado Garotinho reverte qualquer quadro eleitoral, em Niterói a dificuldade de vencer a resistência do eleitorado será sempre maior.
Todas estas considerações refletem apenas um quadro eleitoral da atualidade. Daqui para outubro de 2012 muitos aspectos mudarão e quem hoje lidera a popularidade poderá estar pleno de sucesso ou perder muitas colocações no ranking do pleito. Niterói tem uma forte tendência bairrista, fato que sempre conferiu facilidades ao prefeito Jorge Roberto, que por realizações anteriores a este governo gozou certamente de índices de popularidade nunca vistos antes na história da cidade.

Marcelo Freixo como político é uma realidade e poderá atingir altos índices de popularidade, principalmente pelas insatisfações da grande a maioria do eleitorado que se sente acuada pelos inúmeros e especulativos “lançamentos imobiliários”, realizados por empresas estranhas e sem nenhum compromisso com a cidade; pela deteriorização urbana, com o trânsito cada vez mais caótico, sem investimentos e ações que possam minorar os danos já causados. A sensação de caos urbano é o que mais compromete Jorge Roberto, que como todos imaginam está guardando toda sua munição para gastar no ano eleitoral; embora esta estratégia possa ser tardia e dar errado. O eleitorado anseia por realizações, obras de significado objetivo e visível.
O deputado Freixo representa o terror para os especuladores e vendilhões da cidade, que não vêem neste político a menor chance de concordância a continuarem com o processo destrutivo que impuseram a esta
cidade.
Por algum tempo vai ficar a pergunta: Quem tem medo de Marcelo Freixo?

2 comentários:

  1. Triste contexto político, onde empresas podem alavancar ou embarreirar campanhas eleitorais, onde se pode reverter a rejeição provocada por atitudes criminosas com relação aos mais pobres (sobretudo os flagelados), simplesmente fazendo afagos pré-eleitorais com dinheiro público e, sobretudo, privado. Este último, para os empresários, é investimento de retorno seguro, pelas facilitações conquistadas no trato com a coisa pública. Esta, a coisa pública, está imersa na privada. Pra isso é sabotada a educação pública, pra isso a mídia privada controla o espaço das comunicações, pois é a ignorância plantada e a narcotização midiática o que permite essas articulações em torno do poder dito "público" mas, há muito, privatizado nos bastidores. Mesmo o Freixo é obrigado a compor com essas forças empresariais, em detrimento da população. O trabalho essencial de conscientização real fica em último plano.
    Em minha pequeneza, sou um micróbio caminhando nesta direção, plantando nogueiras que não se destinam à minha própria colheita, mas à coletiva - embora isto seja um pouco pretensioso. Confio em outros "micróbios" que vejo por aí, trabalhando na mesma direção. Uma hora a população há de acordar. Este é o pesadelo dessa corja desumana que se serve do que deveria ser público.
    Abraço,
    Eduardo Marinho.

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  2. Como simples eleitora e moradora da zona norte de Niterói, vejo esperanças no Marcelo Freixo. Independente que haja Marcelo Freixo ou não na concorrência pela Prefeitura, Jorge Roberto pode dar adeus de vez à sua reeleição. Não há nada e nem ninguém que mudará a opinião do povo em relação e este homem! Pode dar adeus a Niterói...

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