domingo, 15 de maio de 2011

Apareceu a margarida: Prefeito de Niterói em entrevista

15/05/2011 Em entrevista aO FLUMINENSE, Jorge Roberto antecipa como serão as obras que integrarão os meios de transportes e devem beneficiar cerca de 400 mil pessoas. Confira o vídeo na TV O FLU
Em entrevista a O FLUMINENSE, o prefeito de Niterói antecipa como vão ser as obras que integrarão os principais meios de transportes e devem beneficiar cerca de 400 mil pessoas por dia. Foto: Marcello Almo

Um novo terminal, o maior da América Latina, moderno, que integre diferentes meios de transporte (ônibus, metrô e barcas) numa única região, e se harmonize esteticamente ao Caminho Niemeyer. 
Cinco mil novas casas para abrigar quem hoje mora em áreas de risco na cidade. Os projetos listados acima são parte da grande virada que o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, anuncia para os seus próximos 18 meses de mandato. 
Em entrevista exclusiva concedida a O FLUMINENSE, Jorge Roberto fala com entusiasmo do futuro, reconhece falhas e promete deixar um legado de valor inestimável para a população de Niterói.
O FLUMINENSE - Qual é a importância do novo Terminal João Goulart para Niterói?
JRS – O novo terminal representa várias coisas positivas.
Em primeiro lugar, um conforto muito maior para os usuários, já que o atual encontra-se esgotado.
Em segundo, favorece a implantação de um sistema viário mais disciplinado que vai diminuir o tempo de espera dos passageiros e reduzir os engarrafamentos na área.
Em terceiro, será um poderoso fator no desenvolvimento do projeto de revitalização do Centro de Niterói.
Em quarto lugar, este será o maior terminal intermodal da América Latina porque a cidade tem de estar preparada para o advento do Comperj.
E, finalmente, será a intervenção que completará o Caminho Niemeyer, pois os traços arquitetônicos do atual terminal não se harmonizam com a ideia do Caminho.
O FLU - O senhor listou cinco motivos para a construção do novo terminal. Daria para explicar mais detalhadamente cada um deles ?
JRS – Vamos pela ordem, então...
FLU - O primeiro ponto é a questão do esgotamento do atual terminal...
JRS – Isso. Temos de levar em conta o aumento do número de usuários e as alterações que, ao longo dos anos, foram feitas de forma improvisada. Há dezenas de pequenas lojas, por exemplo, que não constavam do projeto inicial e que foram construídas ali, diminuindo consideravelmente uma das coisas mais importantes da concepção original do projeto, que era a ventilação.
Quando foi inaugurado, o terminal era motivo de orgulho por ser confortável, amplo e arejado. Com as lojas, criou-se um corredor estreito e sem ventilação para a população. Eu até acho que deve haver comércio dentro do terminal, mas as lojas têm de ser construídas de modo a melhorar o serviço prestado ao passageiro e não atrapalhá-lo.
O novo projeto prevê várias lojas que não interferem na circulação e, ao mesmo tempo, representam maior comodidade e conforto para os usuários. E vamos ter também uma grande garagem subterrânea para várias centenas de carros.
O FLU – Em segundo, a melhoria do sistema viário.
JRS – Quem passa por ali na hora do rush se espanta com o caos que se implanta na região. É uma tal quantidade de ônibus se espremendo uns contra os outros que chega a assustar. Além de tornar o tráfego moroso e confuso em todo o Centro, provoca uma demora no atendimento ao passageiro muito acima do que seria aceitável.
Organizado o trânsito ali, dentro da concepção do novo terminal, o passageiro vai se beneficiar ao ser atendido com mais rapidez, diminuindo o seu tempo de espera e, consequentemente, diminuindo o tempo que ele perde no transporte de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Um outro fator é que o novo sistema viário vai oxigenar toda aquela área, dando à população mais facilidade para chegar e usar o Caminho Niemeyer.
O FLU – O terminal faz parte, como o senhor falou, da revitalização do Centro.
JRS –
 Sim. Não será difícil revitalizar o Centro na medida em que você tenha o principal polo de transportes da cidade organizado, limpo, seguro, moderno e integrado. Como a própria palavra diz, “revitalizar” é dar vida de novo, ou seja, é colocar gente morando e vivendo no Centro. Para isso, é fundamental termos toda a área do antigo Aterro Praia Grande funcionando de modo a atrair para o miolo do Centro da cidade novos moradores que vão transformar o que hoje é uma parte deteriorada de Niterói  em motivo de orgulho para toda a população.
O FLU – O senhor diz também que o novo terminal leva em consideração o advento do Comperj. Como assim?
JRS –
 É que, na verdade, o novo João Goulart será um grande complexo, o maior terminal intermodal da América Latina. Além dos serviços voltados para o transporte rodoviário, ele terá a nova estação das barcas e a estação da futura Linha 3 do metrô, todas integradas de modo a servir com mais conforto e agilidade a população. A atual estação hidroviária é provisória há mais de 50 anos e já era hora de Niterói ter uma estação definitiva.
O metrô, mesmo que o túnel sob a Baía de Guanabara não seja construído num futuro próximo, terá de ter o trecho de Niterói até Itaboraí concluído no prazo mais curto possível por ser imprescindível ao bom funcionamento do Complexo Petroquímico. E sua estação será ali, integrada a dos ônibus e a das barcas.
O FLU – De onde sairão os recursos para todas essas obras ?
JRS –
 Dentro de cerca de dois meses, faremos a licitação para a construção pela iniciativa privada e posterior administração e exploração do terminal rodoviário. Temos notícia de que já existem vários grupos interessados em participar desse projeto que é baseado em uma Parceria Público Privada. Ou seja, a Prefeitura não colocará um centavo sequer na construção, mas dará a concessão da exploração do terminal por um determinado tempo a quem investir na viabilização da obra.
A estação das barcas será custeada e explorada pela Barcas S/A e a estação do metrô pelo Governo do Estado. Um dos maiores entusiastas disso é o secretário estadual de Transportes, deputado Julio Lopes, pessoa extremamente competente que rapidamente entendeu o alcance dessa obra.
Em suma, todo o novo complexo por onde passarão mais de 400 mil pessoas/dia já está viabilizado do ponto de vista financeiro.
O FLU – Por fim, o senhor falou da importância do novo terminal na complementação do Caminho Niemeyer.
JRS 
– Exatamente. O atual terminal, apesar de ter sido construído por mim e por meu companheiro ex-prefeito João Sampaio, e de ter durante um bom tempo servido bem à população, hoje eu reconheço que já não serve mais como deveria. E suas linhas arquitetônicas entram em choque com a concepção geral do Caminho Niemeyer. Por isso, com a construção do novo terminal a partir de projeto do dr. Oscar, fechamos o conjunto de intervenções que formam o Caminho Niemeyer, faltando apenas o Centro de Convenções já praticamente viabilizado em parceria com o Governo do Estado.
O FLU - Mudando de assunto, passado um ano das chuvas e da tragédia de abril do ano passado, o que a prefeitura tem feito no sentido de evitar novos acontecimentos como aqueles?
JRS –
 Nossa primeira preocupação é com as pessoas. Estamos profundamente empenhados em concretizar o projeto de 5 mil novas casas, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida a fim de que aqueles niteroienses que perderam suas casas ou que moram em áreas de risco possam ter uma solução para a vida toda.  Só que um projeto desta envergadura leva tempo para acontecer. Muita gente nos cobra uma solução imediata como se para construir 5 mil casas bastasse estalar os dedos. É um processo demorado e as pessoas de boa-fé sabem disso.
O FLU – E o Aluguel Social?
JRS – 
A Prefeitura e o Governo do Estado, em parceria, têm procurado fazer o pagamento da melhor forma possível. Lamentavelmente, há poucas semanas houve realmente uma falha da nossa parte, quando ocorreu o atraso de um dia no pagamento, o que gerou uma série de incidentes. Naquele momento, ao avisarmos ao banco da data de pagamento, nós o fizemos com apenas 24 horas de antecedência, quando eram necessárias 48 horas para que isso fosse feito. Fiquei muito triste com a situação toda porque aquelas pessoas merecem todo o nosso respeito e aquilo foi uma coisa indesculpável.
O FLU – As pessoas que estão no abrigo da Prefeitura também têm reclamado da situação em que se encontram...
JRS –
 O abrigo é uma coisa provisória. Não queremos que as pessoas fiquem lá, porque abrigo não é lugar para as pessoas morarem, é um lugar passageiro onde elas ficam enquanto não se encontra uma outra solução. Por isso existe o Aluguel Social a fim de que cada um possa ir normalizando sua vida sem precisar ficar no abrigo. É importante frisar que as pessoas que estão no abrigo também estão recebendo o aluguel social. De qualquer modo, temos feito o possível e continuamos a trabalhar no sentido de uma solução definitiva para essas pessoas.
O FLU – E a Defesa Civil ?
JRS –
 A nossa Defesa Civil, por não existirem em Niterói a tradição nem o histórico de desabamentos como aqueles que ocorreram, era muito pequena e pouco aparelhada. Nós hoje temos os equipamentos necessários disponibilizados e cerca de 100 guardas municipais treinados especificamente para atuar como agentes da Defesa Civil se houver necessidade. Niterói hoje é com certeza um dos municípios mais preparados para enfrentar qualquer ameaça de calamidade. Ao mesmo tempo, estamos em fase final de elaboração de um grande sistema de alerta antecipado para toda a cidade.
O FLU – Para fazer este sistema de alerta antecipado, o senhor chegou a criar a Geonit e depois preferiu substituí-la por uma subsecretaria de Geotécnica. Por que essa mudança?
JRS 
– Porque eu fiz a Geonit baseada na GEO-Rio, criada nos anos 60 no antigo Estado da Guanabara. Só que o que era bom há 50 anos, hoje não serviria para Niterói por ser uma estrutura muito grande e pesada para nós. Daí eu ter optado por uma Subsecretaria de Geotécnica com pouquíssimos funcionários, mas todos eles técnicos gabaritados, para estipular o tipo de serviço a ser feito de forma terceirizada pelas melhores e mais conceituadas empresas do setor. Com isso, teremos menos custos e uma eficiência muito maior no acompanhamento das encostas e na criação de um sistema de alerta que proteja a população.
O FLU – O senhor tem recebido críticas por aparecer pouco nos lugares. Dizem que o senhor está sumido. Isso é em função do problema de saúde que o senhor enfrentou no ano passado?
JRS –
 Olha, eu realmente tive de tratar de um câncer na laringe e ninguém fica muito feliz de enfrentar uma coisa assim. Felizmente estou totalmente curado depois da cirurgia e do tratamento radioterápico que fiz. Mas em nenhum momento esse problema impediu que os expedientes da Prefeitura que dependem do prefeito ficassem em dia. Não ficou nada atrasado.
Quanto à minha presença física nos lugares, eu sempre disse que quem tem de aparecer é a Prefeitura, não o prefeito. Eu não sei fazer política-espetáculo e demagogia, as pessoas sabem disso. Os niteroienses sabem disso, tanto que me elegeram deputado por três vezes e prefeito por quatro, mesmo eu sendo desta forma. Por exemplo, apesar de termos realizado mais de 4 mil obras, poucas delas eu inaugurei.
No meu modo de ver, na hora em que uma obra fica pronta e a população começa a usá-la, ela está inaugurada sem a necessidade de maiores festividades.
O FLU – Mas por que as críticas?
JRS -
 O que acho que está ocorrendo agora é que, ao contrário dos meus outros governos, este atual tem enfrentado um volume de dificuldades sem precedentes na história da cidade e isso tem feito a Prefeitura realizar menos do que normalmente acontecia nos meus outros períodos à frente da Prefeitura.
Mas nós ainda temos quase dois anos para realizar a administração que o povo de Niterói espera de seu prefeito. As críticas que eu tenho recebido, eu as recebo com humildade porque acho que fazem parte do processo político. Da mesma forma que recebi tantos elogios, hoje encaro as críticas como uma coisa normal e espero que, quando tudo voltar à normalidade, e vai voltar, aqueles que me criticam agora possam ter a satisfação de acompanhar os acertos do governo.
O FLU – E como está a relação com o governador Sergio Cabral?
JRS –
 Ótima. O governador Sergio Cabral tem tratado Niterói com o maior carinho e atenção. É nosso parceiro no Caminho Niemeyer, é nosso parceiro em várias outros projetos como o Projeto Bairros, por exemplo, que vai sacudir Niterói dentro de pouco tempo. É parceiro em tudo que propomos para a cidade. Ele vem tratando Niterói como eu acho que eu próprio trataria se fosse governador.
O FLU – Recentemente o senhor teve uma reunião com ele para tratar do Caio Martins. Como foi essa reunião ?
JRS -
 É óbvio que a cidade precisa ter um Caio Martins modernizado porque como ele está hoje não serve à população. O estádio não comporta mais jogos profissionais, o ginásio está ultrapassado e o parque aquático não suporta receber mais nenhuma competição por estar fora dos parâmetros técnicos modernos. Niterói tem de ter um complexo esportivo à altura da sua população.
O Caio Martins, construído há 70 anos numa época em que Niterói era completamente diferente, não pode ser extinto, é claro,  mas tem de ser reformulado, tem de ser modernizado. Só os retrógrados não veem isso.
O governador poderia muito bem ter elaborado um projeto e executado do jeito que bem entendesse, mesmo porque o complexo Caio Martins pertence ao Governo do Estado. Mas, não. Ele chamou as lideranças da cidade, vereadores, deputados, o prefeito, e pediu sugestões de como usar melhor o Caio Martins. Não chegou com nenhuma ideia preconcebida. Apenas disse que gostaria de servir melhor a Niterói. Logo nesta primeira reunião ficou acertado que não se abriria espaço para a construção de prédios residenciais, mas que qualquer outra proposta poderia ser estudada.
Decidiu-se, então, que o Governo fará um edital para que vários projetos e ideias possam ser apresentados e uma vez escolhido um deles provisoriamente, possa ser debatido exaustivamente com a população de Niterói. Frase textual do governador Sergio Cabral: “Não farei absolutamente nada que a população não queira”. Ou seja, o governador quer possibilitar que o povo niteroiense tenha o Caio Martins renovado do jeito que o povo quiser.
O FLU – A parceria Prefeitura e Governo do Estado, então, tem funcionado como o senhor esperava?
JRS –
 Completamente. E o bom é que há uma integração total da minha equipe com a equipe do Estado. Posso considerar, hoje, como amigos e companheiros, auxiliares próximos do governador Sergio Cabral como o Regis Fichtner, o Wilson Carlos, e, em particular, o vice-governador Pezão.
Eu gosto de trabalhar com o Pezão porque além de ele saber das necessidades de um município por ter sido prefeito de Piraí, ele tem um carinho especial com Niterói. Basta ver o número de vezes que ele tem vindo aqui. E não faz isso só por obrigação de ofício, faz isso porque realmente gosta de Niterói.

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