segunda-feira, 11 de abril de 2011

Crescimento a qualquer custo – poucos se beneficiam, mas todos pagam


As melhores e as piores coisas feitas pelo homem, ou foram justificadas pelo bem estar do próprio homem ou para glória de Deus. O trato com o meio ambiente não é diferente.
Em nome do progresso e da geração de empregos, drenam-se pântanos, rios, lagoas, derrubam-se florestas de rico bioma sem mesmo conhecer as espécies que serão extintas, para alocação de poucas espécies comerciais, ou para assentamentos humanos.
Com a justificativa de prover melhores condições de vida para nós humanos, avançamos sobre os biomas, como quem combate um inimigo numa guerra. A natureza segue seu curso próprio a despeito de nosso ignorância e arrogância, e com freqüência somos atingidos por desastres naturais provocados pela forma que que nos relacionamos com a mãe natureza. Recursos tecnológicos nos permitem hoje intervir rapidamente na natureza de forma definitiva, moldando-a a nossos interesses e gostos.

A trajetória humana está cheia de exemplos de civilizações que prosperaram tanto que extinguiram os recursos naturais de seus domínios e desapareceram.
O exemplo que mais gosto e que mais se parece com nosso mundo globalizado é o da Ilha de Páscoa, que teve uma próspera civilização e após a exploração sem controle de suas matérias-primas, não restou sequer madeira para construir barcos para se fugir da Ilha.


Nos dias atuais experimentamos uma expansão desenfreada do consumo... nosso caso não é muito diferente. Se um dia nosso planeta ficar inviável, também não teremos como fugir do da Terra.
Fingimos que os recursos são infinitos para não sairmos do nosso “conforto”, e assim deixamos a “conta para alguém pagar”.
Nosso planeta é pequeno e delicado, não resistirá por muito tempo à expansão sem controle de nossa sociedade. O que é pior: poucos se beneficiam da descaracterização do meio ambiente em .


Peguemos o exemplo do mega empreendimento que vai dobrar a população de Camboinhas usando a mesma infra-estrutura atual.
Ganha a prefeitura com aumento de arrecadação, ganham os empreendedores, e as empresas prestadoras de serviços . Para absoluta maioria da população, sobram os passivos sócio-ambientais.

Quando os problemas advindos do aquecimento ambiental se intensificarem com aumento do nível do mar e das tempestades tropicais, a própria Camboinhas que foi erguida sobre área de restinga,  um grande areal,  poderá desaparecer.
Com certeza quem projetou tal empreendimento, quem vendeu, quem autorizou, sem levar em conta os impactos ambientais, de vizinhança e de sustentabilidade, estarão a salvo, em lugar sequinho e seguro.
Jorge Carvalho

Um comentário:

  1. [...]Se um dia nosso planeta ficar inviável, também não teremos como fugir do da Terra.[...]

    Às vezes, pensando sobre a destruição da natureza, acho que estão apostando nessa saida.

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