domingo, 13 de março de 2011

Escassez de água exige mudança de hábitos

n'OGlobo por Renata Leite -  12.3.2011

Consciência da população e fim do desperdício são soluções a longo prazo, segundo o grupo Niterói Como Vamos
Se não fosse a água presente em abundância no planeta, certamente a vida não teria se desenvolvido na Terra. Ainda assim, a população tem desperdiçado esse recurso valioso e limitado sem remorços. O movimento Niterói Como Vamos aproveita o Dia Mundial da Água, em 22 de março, para analisar como o município foi abastecido ao longo dos anos e chamar a atenção para o risco da escassez em breve, com racionamento e aumento de tarifas.

— Mesmo sem estiagem no (Rio) Macacu, faltou água em diversos bairros, pelo simples aumento do consumo neste verão. A demanda deve crescer ainda mais com a instalação de empresas atraídas pelo Comperj. A única solução é a mudança de hábitos da população — alerta Dora Negreiros, que realizou a pesquisa com Dalva Regina Gonçalves, Cibelle Arcanjo e Carolina Carvalho, todas participantes do movimento.

Até o final do século XIX, os moradores de Niterói se abasteciam de água em fontes naturais, localizadas em diversos pontos, como na Rua da Conceição e na Praça Martim Afonso, no Centro; e no Ingá. No entanto, logo essas fontes se tornaram insuficientes. A água usada por Niterói, hoje, é transportada por 33 quilômetros, desde o Rio Macacu.
— Precisaremos, em breve, buscar água ainda mais longe, o que significa encarecer esse recurso — analisa Dora.

Uma solução depende do engajamento da população, ao evitar desperdícios e optar por equipamentos econômicos. Cerca de 15 empreendimentos imobiliários de Niterói, a maioria ainda em construção, incluíram um sistema de reuso das águas cinzas, que gera até 30% de economia de água. Após tratamento, a água utilizada em chuveiros, máquinas de lavar roupas e tanques é reaproveitada para descarga sanitária,
lavagem de pátios e automóveis e torneiras de jardim.

O Fiori di Itacoatiara, condomínio com 40 apartamentos em fase final de construção, será lançado já com o sistema desenvolvido pela SRA Engenharia, que não consome energia elétrica nem exala mau cheiro.

— O investimento não passa de 1% da construção e retorna em cerca de dois anos, com a economia de água — diz Alexandre Santos, sócio da SRA.

Outro cliente da empresa é a Auto Lotação Ingá, que utiliza águas cinzas tratadas e águas pluviais para lavar seus ônibus. Diariamente, ela economiza 35 mil litros de água, o suficiente para abastecer cerca de 70 famílias.

A iniciativa da Auto Lotação Ingá foi incentivada pela tramitação do Projeto de Lei 1326, que obriga postos de combustíveis, lava-jatos, transportadoras e empresas de ônibus urbanos intermunicipais e interestaduais, localizados no Rio de Janeiro,a  instalarem equipamentos de tratamento e reutilização da água usada na lavagem de veículos.

O avanço da legislação voltada para a sustentabilidade é um agente motivador de mudança de hábitos. Em Niterói, a Lei Municipal 2630, de 2009, disciplina o armazenamento de águas pluviais nos empreendimentos lançados a partir de então. Há ainda, a Lei Estadual 4393, de 2004, que obriga empresas de construção civil a instalar dispositivo para captação de águas da chuva nos imóveis comerciais e residenciais.



Um comentário:

  1. O reuso, ou qualquer outro tipo de reciclagem é muito importante visto que a população só aumenta e os recursos são finitos. Devemos pensar que a água que vertemos pelo esgoto, um dia poderá fazer parte do nosso corpo.
    A situação de Niterói é delicada no que diz respeito ao abastecimento de água potável. A cidade cresce a um ritmo alucinante, sem nenhum planejamento, e toda a água que consome vem de outros municípios. Com o início das atividades do comperj centenas de indústrias que virão para o entorno disputarão a mesma água que a cidade hoje compra da Cedae, e esta não tem nenhum contrato que a obrigue a aumentar a quantidade fornecida para Niterói. Os poucos corpos hídricos que a cidade tem estão convertidos em vazadouro de esgoto e lixo, seja por maus hábitos da população ou pela nefasta administração municipal. A mesma administração que pretende construir quase 10.000 residências populares em áreas de Mata Atlântica da cidade o que eliminará algumas nascentes na Fazendinha no Sape e comprometerá o Rio Jacaré no bairro do mesmo nome. O cenário não é dos melhores, e sinaliza para uma provável escassez de água a curto e médio prazo.
    Jorge Carvalho

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