sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O meio ambiente começa dentro de casa

n'OSão Gonçalo por Priscila Andrade 2/2/2011


A tendência mundial das empresas do ramo da construção civil é a sustentabilidade. Cada vez mais, os empreendedores buscam transformar seus produtos em algo que não agrida a natureza e seja, também, benéfico para os consumidores. Em Niterói, duas sócias perceberam a necessidade do mercado e resolveram investir em tijolos ecológicos. Feitos com saibro, cimento e água, o tijolo é prensado e a obra consegue ser 30% mais barata que com tijolos comuns. Embora tenha vários benefícios, segundo Sheila Cristina, a região ainda não tem a consciência dessa necessidade. 

“O mercado e as pessoas não têm consciência de que é um benefício para elas e para a natureza”, lamenta.

Tijolos - O tijolo ecológico é um pouco mais pesado que o comum (que é temperado em fornos a lenha), e é um tipo de material que se adapta ao ambiente. Segundo a empresária Ligia Maria, sócia de Scheila, uma casa feita com esse material é mais fácil de ser cuidada. 

“Existe uma maior facilidade para pintar os tijolos, por exemplo, e até mesmo para fazer texturas. A obra fica pronta em dois, três meses. Esse material não abafa o ambiente e nem o deixa muito frio no inverno”.

Telhas - A loja Ferri Madeiras, em São Gonçalo, vende telhas ecológicas da marca Oduline, umas das mais conhecidas no país. São telhas ecológicas, mais leves e práticas para instalar. Facilitam a mão de obra e dão mais leveza à estrutura do telhado. 
“De acordo com a vendedora Queila da Silva, esse material está com uma boa saída. “Ultimamente, estamos vendendo muito bem esse produto, mas vale ressaltar que é muito importante saber colocar esse tipo de telha, senão, pode quebrar”.
Residência sustentável e ecológica em Niterói

Há 4 anos, a arquiteta Camille Santowsky passou a se dedicar a projetos diferentes de arquitetura. A bioarquitetura é um novo conceito fundamentado em construções sustentáveis através de obras de baixo impacto ambiental, em harmonia com o meio-ambiente. Ao entrar no mundo das ideias ecológicas, Camille recebeu uma oportunidade de trabalhar na ONG Tibá, voltada para esse tipo de trabalho e cursos envolvendo a natureza. Três anos depois, ela criou um site para a divulgação de seus projetos. 
“Quando comecei era muito idealista, achava que as pessoas iam aceitar meus projetos por serem uma nova ideia de arquitetura ecológica, mas não é bem assim. As pessoas só decidem fazer um projeto de casa ecológica se já tiverem essa consciência ambiental. Não adianta forçar nada. Vem de cada um”. 

Um dos projetos de destaque feito por Camille é uma casa ecologicamente correta em Itaipú, Niterói. A arquiteta projetou a casa da amiga, a engenheira florestal Melina Goulart, 25. Entre as características principais do imóvel estão o teto verde, o bosan (sanitário seco), além de uma iluminação basicamente proveniente da claridade do dia.
“Pensei nesse projeto visando a circulação do ambiente e a iluminação. Nessa casa conseguimos mostrar de forma simples um projeto completamente sustentável”. 

Melina e seu marido, o geógrafo Matheus Barreto já vinham com ideais ecológicos. Sempre voltados para a natureza, ambos decidiram fazer da sua casa um lugar em que eles pudessem sempre reaproveitar.
“Na nossa casa plantamos de tudo, temos 12 espécies de frutas, mandioca, milho, banana, tomate, criamos galinha e consumimos os ovos. Tem carambola, couve e alface. Além disso, nosso lixo é todo reciclável”, assegurou Melina.

Investimento - A casa, de 146m², levou seis meses para ser construída e custou R$ 80mil. O chão é feito de cimento queimado e a estrutura do imóvel é basicamente feita de madeira reflorestada.
Novidades ecológicas

No projeto de Camille há duas novidades ainda pouco conhecidas na região. Uma delas é o telhado verde. Aquele espaço sem vida que cobre a casa externamente, na casa ecológica toma outra proporção. O telhado é revestido por plantas. Se engana quem pensa que isso trás infiltrações. Para isso, o teto é revestido com uma camada impermeabilizante e construído de forma inclinada, evitando o acúmulo de água. Segundo Camille, o teto verde trás inúmeros benefícios para a casa. 
“As plantas deixam o ambiente embaixo mais agradável, quanto mais vegetação, melhor. O teto segura a água da chuva”. 

Outro destaque inusitado é o Bosan, um sanitário seco. A casa de Melina não utiliza descargas, portanto não há esgoto. A estrutura é um tanto inusitada, mas bastante interessante. A urina é recolhida por um recipiente inclinado e as fezes vão direto para outro recipiente escuro. Após a utilização os resíduos devem ser cobertos com cinzas. Após uns dias esse material vira adubo e pode ser reutilizado no cuidado com as plantações. O recipiente ainda tem um cano escuro que impede que o odor se espalhe pelo banheiro.


Sanitário 'seco' fabrica adubo
O Bason (sanitário seco) desenvolvido pelo holandês Johan Van Lengen, é um protótipo baseado na tecnologia consagrada em diversos países do mundo, que transforma os dejetos humanos em adubo orgânico. É “seco” porque não utiliza água, e “compostável” pois se vale de um processo bioquímico que, por meio da ação de bactérias e microorganismos, converte os dejetos em composto orgânico fértil e isento de patogênicos. É “ecológico” por se aproveitar dos ciclos biológicos naturais, não tendo como produto o esgoto e, portanto, não contaminando a água.


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