terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O difícil recomeço das famílias sobreviventes do Bumba

n'OGlobo por Luiz Gustavo Schmitt - 30.01.2011

Ex-moradores do bumba sofrem para arcar com as despesas de conjunto residencial em várzea das moças
Dez meses após a tragédia do Morro do Bumba, as famílias sobreviventes que foram acomodadas em 93 apartamentos de um conjunto habitacional em Várzea das Moças têm dificuldades para se adaptar à vida em condomínio. Elas se dizem abandonadas pelo poder público e reclamam que não receberam orientações para aprender a arcar com despesas de manutenção.
Nos corredores do conjunto e apartamentos, há sinais evidentes de falta de conservação, como infiltrações, paredes descascadas e forte mau cheiro. No início deste ano, um aumento da taxa de manutenção — de R$ 60 para R$ 95 — causou revolta entre os moradores, que não sabem lidar com a administração do novo lar.
— Quando chegamos, autoridades disseram que não pagaríamos nada por cinco anos e prometeram auxílio pa$arcar com as contas que não recebíamos antes. Mas nada disso aconteceu. Muitas pessoas não quitam a taxa de condomínio porque não têm condições. Não sabemos como nos organizar para viver no conjunto habitacional e qualquer problema, por menor que seja, provoca uma grande confusão — conta o autônomo José Carlos Santos de Souza.
"Insegurança" e "medo" são palavras ditas constantemente pelos moradores. Em dezembro de 2010, por um erro da Caixa Econômica Federal (CEF), a desempregada Gilsinete de Oliveira recebeu um boleto de cobrança de financiamento do apartamento no qual mora. Ela foi a uma agência do banco no Centro e recebeu a informação que deveria pagar R$ 51 mil pelo imóvel. 
— Fiquei desesperada. Aqui, ninguém pode pagar contas. Esqueceram que nossas vidas foram destruídas no Bumba — reclama Gilsinete.
Na opinião da antropóloga Alba Zaluar, os sobreviventes da tragédia no bumba precisam do suporte de assistentes sociais e educadores para aprender a resolver seus problemas coletivamente.
_ isso é falta de cultura urbana. Ao contrário do que dizem a favela não cria entre os vizinhos o hábito de viver e resolver problemas de forma coletiva. Prova disso é a falta de coleta de lixo ou de distribuição de água em várias comunidades _ diz Alba.
Em nota, a prefeitura informa que as famílias recebem atendimento do centro de referência em assistência social (cras) da região oceânica, que conta com atendimento psicológico, serviços de saude e atividades recreativas.
“O cras tem o cadastro das famílias que residem nos apartamentos e, por meio de psicólogos e assistentes sociais, acompanha a vida de cada uma delas.todos os serviços estão a disposição dos moradores”, informa a nota.

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