sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Comentando matéria de Raquel Rolnik: Em Niterói acontece algo no mínimo curioso...

Em Niterói acontece algo no mínimo curioso... 
Enquanto a Prefeitura faz desapropriações em áreas de risco, totalmente comprometidas e contra indicadas pelos mais diversos laudos técnicos, e/ou em evidentes áreas ambientais, inclusive planejando remover uma população de posseiros que vão muito bem obrigada em suas moradias sólidas e bem construídas substituindo seu modo de viver - inclusive com criação de pequenos animais - para apartamentos de 45m2.. 
Essa mesma Prefeitura quer 'revitalizar' o centro da cidade, muito degradado, querendo incentivar lá  a construção de grandes prédios comerciais e atrair classes mais abastadas para ir morar em novos prédios residenciais...
Diz assim parte da reportagem n'OFluminense de 9/01/2011:

(..) “"O Centro de Niterói tem um grande potencial, pois é um local plano, com toda a infraestrutura necessária para receber os moradores (ênfase minha!) e conta com uma bela vista da cidade do Rio. Há a possibilidade de construção tanto de empreendimentos residenciais, voltados para as classes média e alta, quanto de prédios comerciais”, avalia.

Prefeitura de Niterói começa a revitalizar o Centro
De acordo com o diretor da Ademi-Niterói, a Prefeitura está começando a implementar medidas de revitalização na área, mas é necessário atrair moradores para a região e, consequentemente, mais investimentos. Segundo ele, é necessária uma revisão na legislação construtiva do Centro." (..) 

Pergunta: por que não alterar a legislação, caso necessário, e implantar lá o Programa Minha Casa Minha Vida, para receber os desabrigados e o dito deficit habitacional niteroiense?? As características são excelentes para a população que mais precisa de atenção a pelo menos 9 meses!!...
Para quê atrair novos moradores para uma área que já foi residencial, de classe mais baixa, e revitalizar para esse mesmo segmento? Basta aproveita a infraestrutura, a localização, tudo que eles se esforçarão para atrair NOVO público!!!... Não é preciso. Basta juntar o bom senso com a vontade de comer!
A única resposta que tenho é: pra ganhar dinheiro! Muito dinheiro!! Não culpo empresários da construção civil em querer ganhar muito dinheiro...pelo menos seu objetivo é claro, ainda que questionável... Mas... mais uma pergunta: a Prefeitura de Niterói deve investir na sua população carente por movimento, no mínimo há 9 meses, ou apoiar o empresariado da construção civil?! 

veja a íntegra da reportagem citada em http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/habitacao/centro-de-niteroi-se-renova?314400083=1

A gestão e o planejamento do solo parece que não fazem parte da política urbana no Brasil

Ontem à tarde participei do Jornal da Globo News, novamente falando sobre a questão das chuvas. O vídeo está disponível aqui.
A apresentadora Leilane Neubarth começou a entrevista me perguntando o que pode ser feito para mudar essa situação. Segue abaixo a transcrição do trecho inicial:
Essa tragédia tem a ver com o fato de que a ocupação do território se dá de forma completamente negligente. No fundo nós estamos construindo cidades sem nenhuma consideração em relação à vulnerabilidade dos espaços. E quando se fala nisso, imediatamente, as pessoas pensam: “mas por que é que esse povo foi morar em área de risco?”.
Nós precisamos entender que não foi dada nenhuma oportunidade para que os moradores urbanos brasileiros pudessem se instalar num local com qualidade, urbanidade e segurança. Na verdade, a maior parte das nossas cidades foi autoproduzida por seus moradores nos piores lugares, que são os lugares mais baratos, já que o salário dos trabalhadores brasileiros jamais foi suficiente pra cobrir o custo da moradia numa área adequada.
Mas essa tragédia na região serrana do Rio de Janeiro está mostrando que não são só os bairros populares irregulares e autoconstruídos que estão sujeitos a esse tipo de problema. Nós vimos condomínios de luxo desabando, instalados em áreas inadequadas.
E isso leva a uma outra questão, que é a gestão do solo urbano. E esse é um problema ainda não tocado. Fala-se em política de habitação, em construção de casas, em saneamento, em obra disso e daquilo, em dinheiro para isso e aquilo, mas a gestão e o planejamento do solo é um assunto que parece que não faz parte da agenda de política urbana no Brasil.
A gestão é precária e os efeitos disso é o que nós estamos vendo agora, e que se repete todos os anos e vai continuar se repetindo se esse modelo e essa lógica não for superada.

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