quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Relato de um casal que visita o Brasil 20meses depois...

Após 20 meses longe do Brasil retornamos para rever a família e amigos. Enquanto longe do Brasil esquecemos de todas as falhas e detalhes que nos fizeram sair do país em busca de uma vida melhor. Fica na memória apenas a família, os amigos, o gostinho da comidinha brasileira, do cafezinho e pão de queijo. Mas basta estar apenas um dia no Brasil que parece tudo voltar rapidamente. Na verdade a decepção e o impacto das coisas negativas no Brasil aumentaram e ressaltam aos nossos olhos com maior facilidade. No entando, quem mora no Brasil, não vê as pequenas mudanças (muitas vezes para pior) que o país vem sofrendo.

Não dá para entender o ritmo alucinante no qual taxistas e motoristas dirigem seus carros. Parecem estar numa corrida de Fórmula 1. Um cortando o outro e quase batendo os carros, uma falta de respeito não só com a lei mas principalmente com a vida humana. Pra quê tanta pressa? Tanto estresse? Parece irônico falar sobre isso, mas são nos pequenos detalhes que a gente nota a qualiade de vida de um pais. 
Na Austrália, país onde moramos, shoppings e varejistas (exceto supermercados) fecham suas lojas a 5:30 da tarde. Parece cedo né? Claro que numa sociedade regida pelo consumo incontrolado onde ter é sempre mais que ser isso parece loucura. Uns dizem que este não querem vender, ter lucro. Outros porém dizem que o empregado também tem uma família e também tem direito ao descanso e que a sociedade não deve ser regida pelo consumo descontrolado, mas pelo equilíbrio onde todos podem ter um trabalho e um tempo para descanso ou recreação.

O mais impressionante é que lá não só o empregado sai mais cedo do trabalho mas também ganha melhor que no Brasil. Aliás os serviços nos países desenvolvidos são geralmente mais caros que em países de terceiro mundo. 
Agora fica a pergunta. Se nós no Brasil trabalhamos mais horas, ganhamos menos, portanto uma mão-de-obra mais barata, como é possível ter buraco na rua? Como é possível ter ruas sujas? Como é possível não ter segurança? Será que é falta de vontade do governo de fazer as coisas ou somos péssimos trabalhadores que com mais recursos fazemos muito menos?! Minha impressão é que a primeira é verdadeira e a segunda falsa.

Veja o exemplo da Malásia. Um país parecido com o nosso em termos de desenvolvimento, mas não tem um buraco na rua, com estradas excelentes. O mais impressionante é perguntar as pessoas o que elas acham e acharam que está melhorando.
Para nós tudo parece ter piorado. Principalmente preço de roupas e alimentos e custo de moradia. Como pode alguém pagar numa blusa R$79 reais na Renner? Como pode alguém pagar R$ 500 reais de celular por mês? Como pode? Você logo pensará que isto é normal, mas na verdade achamos um absurdo de caro. Minha esposa queria comprar sapatos (pois os brasileiros são os mais confortáveis e bonitos certo?), mas não tem como. Tudo aumentou de preço. Um sapato que custava R$ 150 a dois anos atrás, hoje custa R$ 300. Para vocês terem um exemplo concreto de como tudo está mais caro, fomos a um restaurante em São Paulo onde o prato, a dois anos atrás, custava em torno de R$45 - R$50, hoje custa em torno de R$75. Um aumento de 50%. Agora pergunto a vocês, qual salário aumentou este tanto?

São muitas coisas que notamos que levam a ter uma qualidade de vida no Brasil menos que ideal, mas para finalizar um último comentário sobre a televisão brasileira. Além das novelas e do futebol o que temos nas notícias? Violência. É impressionante como desde ao acordar estamos envolvidos no Brasil pela violência. O sensacionalismo da violência parece gerar mais violência. Na Austrália, o noticiário raramente amanhece com violência, geralmente acordamos com notícias do cotidiano, como por exemplo um café da manhã beneficente realizado por uma escola de primeiro grau para ajudar crianças com cancer. No Brasil, estamos tão acostumados a ver e viver na violência que nos parece normal. 
Posso dizer-lhes com certeza, não é normal. 
Normal é acordar ter café com a família, ir trabalhar ou ir ao parque passear com a família e aproveitar a vida sem o estresse de se sentir perigo ou pressionado por não ver uma luz no fim do tunel. Normal não é trabalhar 10-12 horas por dia, nem 44 horas por semana. Normal é trabalhar no máximo 8 horas por dia, ter férias, ganhar bem e poder ir ao teatro 1 vez por mês. Fazer uma viajem internacional, estudar outra lingua. 
Mas no Brasil, escolhemos por ser normais do nosso jeito, pois o jeitinho brasileiro não se encontra em lugar nenhum do mundo. É verdade, não mesmo, mas tem coisas melhores. Quem sabe não devêssemos aprender um pouco com outras culturas e melhorar nosso jeito normal de ser?
Nicolas Pontes

Um comentário:

  1. Obrigada Nicolas!! Tá perfeito! Grande presente. Colei uma fot, tudo bem? beijos Cynthia

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