domingo, 7 de novembro de 2010

As praias e o lixo

Dora Hees de Negreiros
Praia de Charitas
Impossível não reconhecer que a água das nossas praias está melhorando!

Ela está limpa, transparente. Caminhando pela areia, junto à arrebentação, em São Francisco e nas Charitas, vê-se o que há muito tempo não se via: cardumes de peixes – ainda que pequeninos - e vários tipos de siris na areia do fundo. E os pescadores são eloqüentes quanto às tartarugas que nadam na enseada. Falam dos prejuízos que causam ao arrebentar suas redes e garantem que as libertam logo em seguida. Freqüentadores do MAC também relatam ter visto tartarugas e arraias grandes nas águas ao redor.

Agora, quanto ao lixo, ainda tem muito.

Embora as areias sejam sempre limpas com eficiência, à noite pelo serviço da máquina que é complementado pelo dos garis na manhã seguinte, a sujeira não para de ser depositada. Tanto diretamente na areia, quanto a trazida pelo mar.

O mar procura se livrar do lixo que vem dar nele, lavado das calçadas pelas chuvas e trazido pelos rios. Usa o movimento das marés e das ondas para jogar tudo de volta nas praias.

E são muitos os rios que deságuam na Baía de Guanabara, drenando uma área em que moram quase nove milhões de pessoas, em dezesseis municípios, que sabemos, nem sempre têm os cuidados apropriados com o seu lixo.

É interessante que junto com o lixo, o mar traz também sementes de arvores de mangue. Algumas são finas e compridas, tem o feitio apropriado para plantarem-se sozinhas. Chamam-se propágulos, caem da árvore e espetam direto no lodo do manguezal. As que não conseguem se fixar, vão boiando a procura de um outro local que tenha lodo, para crescer.

Misturados às oferendas à Iemanjá, sacos plásticos, copos e pedaços de isopor, havia muitos propágulos na Praia das Charitas, no domingo.
E vieram de longe, pois os manguezais mais próximos estão em São Gonçalo, alguns poucos sobreviventes da chacina verde ocorrida na construção da Niterói-Manilha. Mais adiante, na Ilha de Itaoca há outros,
onde começa a APA – Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim criada para proteger os remanescentes de todos os manguezais que já existiram na Baía de Guanabara.

Continuando o passeio pela areia, que vai ficando mais grossa e fofa depois da Estação das Barcas, até o Clube Naval, vê-se muitas conchas e mais lixo de todo tipo.

Lá no final da praia, próximo ao Clube Naval, há uma área grande, coberta de vegetação rasteira onde são vistas camisinhas e mais camisinhas. Certamente não vieram pelo mar. São resíduos deixados pelas dezenas de carros que todas as noites ficam ali estacionados para, antigamente dizia-se, observar corridas de submarinos.

Como se vê, observar o lixo nas praias dá o que pensar!

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