segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Aos Niteroienses e quem mais interessar: Para ler, procurar saber, pensar e agir!!

por Lucas Leitão, sexta, 24 de setembro de 2010 às 00:09

O povo desconhece o tamanho e a força destrutiva do impacto provocado pelos planos que são tramados e travados a quatro paredes dos gabinetes dos poderes públicos. Decisões que, num sistema de gestão democrática, ainda que representativa, deveriam ser tomadas em audiências públicas, assembleias, referendos, e/ou outros instrumentos de participação coletiva que não apenas o uso e a posse do poder conferido pelo voto em famigeradas épocas de eleição.
Niterói está sofrendo um duro e criminoso golpe de proporções gigantescas e ainda silenciosas. Como se não bastassem o mega-projeto milionário da torre panorâmica, o eterno e infindável Caminho Niemeyer, o Museu do Cinema (que deve já inclusive, virar ele a própria peça de um futuro que até hoje não se realizou), a Estação Cantareira fechada há quase uma década, o antigo Prédio dos Correios, abandonado, esperando uma obra que não começa, o saudoso Cinema Icaraí, também abandonado, do antigo Mercado Municipal, hoje depósito público, o fim do gabarito de São Francisco, a reserva ecológica Darcy Ribeiro, que passados 13 anos ainda não foi regularizada, a tentativa de se construir uma garagem subterrânea por baixo do Campo de São Bento, a explosão demográfica e especulação imobiliária, para citar alguns dos entraves (a lista não teria fim, tal qual o caminho acima referido), agora, desapropriações absolutamente arbitrárias, falsamente fundadas em argumentos de utilidade pública, que se utilizam demagogicamente dos vitimizados pela tragédia das chuvas (tragédia diga-se de passagem já anunciada há 20 anos), estão tomando curso a todo vapor de um governo com características de populismo fascista. (Aliás, é curioso que tenha-se tornado prática comum das instâncias de poder atuais, ações fundadas em uma lei de 1941, cujo o governo era fascista. Um fascismo embotado, é verdade, e ainda o é).
Tais desapropriações anteriormente citadas, correspondem a grandes áreas de mata atlântica virgem, intocada, cuja o especial interesse de conservação (que não consta do plano urbanístico da região oceânica) inclui, além de importantes rios (que já vão mal, quase secando, não sem antes terem virado extensas latrinas a céu aberto), nascentes de água ainda pura, espécies faunísticas e florísticas como Bicho-preguiça, Pau-brasil, Jacarandás, Sapotis de interesse histórico, Cedros, e mais.
Indo não só na contramão da Agenda 21 e de todas as discussões mundiais acerca de projetos renováveis, sustentáveis, de crescimento, de manejo de florestas e biomas, a prefeitura, que  há cerca de 20 anos vendeu o slogan de 1ª cidade em qualidade de vida, hoje colhe os frutos do caos que daí se instalou. Hoje essa mesma prefeitura não consegue dar conta do trânsito, do esgoto, do transporte, da cultura, não consegue explorar efetivamente o potencial turístico, e ainda quer nos fazer acreditar que dará conta de um bairro modelo. (vale aqui um exercício de memória: o Bumba, foi construído dentro de um processo de urbanização que à época se propunha a solução para todos os males, uma espécie de programa para o futuro, e que levava a alcunha de "Uma luz na escuridão", que tinha como lema "cada família um lote").
Hoje, a prefeitura de Niterói, junto ao estado e o governo federal, propõe, a semelhança, o(s) bairro(s) modelo, com um lema muito parecido: "Minha casa, minha vida".
Perguntas: esse bairro modelo seguirá que modelo? Os da Alemanha, Dinamarca, Espanha, Suiça, que utilizam fontes de energia como a eólica, a solar, sistemas de transporte alternativos como veículos leves sobre trilhos, sistemas de ciclovias, bicicletários e aluguel (simplório) de bicicletas, inclusive elétricas, hortas comunitárias, sistema de reaproveitamento de águas de chuva, etc? Ou seguirá os modelos das periferias de New York, das periferias londrinas, feitas a baixo custo (superfaturadas), sem nenhuma novidade em termos de desenvolvimento projetado para um novo futuro e voltadas para o “refugo” social? Para onde irão as pessoas desapropriadas? O valor das indenizações será de fato justo e lhes permitirá “correr” para um lugar digno? Qual, se Niterói está saturado, como dizem (que há déficit habitacional)? ou será o suficiente apenas para adquirir um barraco e aumentar a favelização em áreas que permanecerão esquecidas até uma próxima tragédia?
Que o povo busque ler e se informar, pensar, fazer as relações entre as pessoas e interesses envolvidos para não ficar a ver navios, chupando dedo entre suspiros póstumos e reclamações ressentidas de um passado que poderia ter sido diferente.

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