quarta-feira, 17 de novembro de 2010

30,7% das cidades brasileiras que sofrem com as enchentes apontam o lixo na rua como causa de inundação


Situação é mais grave na região Sudeste, onde quase 40% dos municípios indicam descarte errado de resíduos como agravante dos alagamentos
Enchente
Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu

Um em cada três municípios brasileiros sofreu algum tipo de enchente provocada por chuvas entre 2004 e 2008. O lixo urbano jogado em ruas, avenidas, lagos, rios e córregos é apontado pelas prefeituras como a causa da retenção das águas das chuvas em 30,7% dessas cidades. Significa que mais de 600 cidades brasileiras evitariam as enchentes ou reduziriam as inundações se a população descartasse corretamente seu lixo e o poder público cuidasse melhor da coleta de resíduos urbanos.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008, divulgada em 20 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A região Sudeste registra o pior quadro: em 39,6% das cidades que sofreram com inundações e alagamentos, as prefeituras declararam que a causa foi descarte inadequado do lixo urbano. No Norte 32,7% das cidades passaram pelo mesmo problema. No Nordeste, 30,3%; no Centro-Oeste, 29,8%, e no Sul, 26,4%.

Além do lixo, foram apontados também como fatores agravantes para inundações: obstrução de bueiros e bocas de lobo por motivos diversos, como falta de manutenção e conservação, quebras, resíduos (em 45,15% das cidades), ocupação intensa e desordenada do solo (43,1%), obras inadequadas (31, 7%), dimensionamento inadequado de projetos de construção (30,7%) e interferência do sistema de drenagem (18,6%). A soma ultrapassa os 100% porque a pesquisa apresentava respostas múltiplas.  

“O lançamento inadequado de resíduos sólidos como fator agravante das inundações apareceu na pesquisa quando buscamos saber sobre os serviços de manejo de águas fluviais existentes no país. Onde o serviço existe, há esse problema atrapalhando”, explica Daniela Barreto, técnica do IBGE. 

“Mais uma vez, fica evidente que as ações individuais sobre o meio ambiente causam danos coletivos. Esses dados mostram que uma mudança de comportamento dos consumidores é necessária no sentido de descartarem corretamente seus resíduos e desse modo diminuir os impactos negativos do seu consumo sobre o meio ambiente, à sociedade e à economia”, declara Heloisa Mello, gerente de Operações do Instituto Akatu.

Em 2009, o governo federal reservou R$ 647 milhões do orçamento para obras de combate e prevenção a enchentes. Com o devido funcionamento dos sistemas de drenagem, parte desse recurso poderia ser aplicada em outros programas, como os de saúde, educação ou segurança.

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