sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Proposta para São Paulo: Tarifa zero e o direito à cidade

Publicado 25/10/2010 
No sábado, dia 23, aconteceu no Centro Cultural São Paulo, na Vergueiro, um debate sobre transporte público e alternativo  em São Paulo, como parte da 4ª edição do Urbânia. Foram discutidas ideias para melhorar o sistema de mobilidade e, desta forma, ampliar o direito à cidade. Conciliar transporte público de qualidade com melhorias para o pedestre e o ciclista são conceitos com pontencial transformador.
A primeira palestra foi do ex-secretário de Transportes da capital, Lucio Gregori, um entusiasta da Tarifa Zero. A proposta é simples e tem uma lógica quase irresistível. Como o nome sugere, a ideia é que não haja cobrança direta para utilização do transporte público. Assim como a saúde, a segurança e a educação, o direito ao transporte deve ser custeado de maneira indireta por meio de impostos pagos principalmente por quem mais se beneficia da rede pública que permite o deslocamento de consumidores e trabalhadores para todos os lados: empresários e comerciantes.
Veja o vídeo da palestra, acesse o site TarifaZero.org e tire suas conclusões sobre a viabilidade do projeto.
Lucio Gregori não só explicou em detalhes como executar tais propostas, como também comentou a experiência política que teve ao tentar tirá-las do papel quando esteve na secretaria. A reação de alguns setores poderosos impediram avanços que poderiam ter sido decisivos para a alteração da lógica da cidade.
A defesa do rodoviarismo em São Paulo foi construída com base sólidas e reúne grupos poderosos contrários a alterar: 1) o grande negócio que virou transportar gente na capital, 2) a lógica de investimentos bilionários em ampliações de túneis e avenidas, 3) a priorização de obras que facilitem o fluxo de carros em detrimento de melhorias nos sistemas coletivos (metrô, corredores de ônibus, trens…).
Ele não está sozinho, porém, na defesa do Tarifa Zero. Conta com amplo apoio do Movimento Passe Livre, coletivo formado por gente jovem e entusiasmada que tem sido responsável pelas principais mobilizações contra o aumento constante no preço das passagens nas principais capitais do Brasil.
Direito à cidade
E Gregori também tem companhia na defesa por alterações na lógica das cidades. No mesmo debate, Thiago Benicchio, diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) e autor do blog Apocalipse Motorizado, completou o questionamento à priorização do transporte individual.

Com exemplos práticos da inviabilidade de se apostar no livre trânsito em uma cidade em que cada um tenha seu automóvel, Benicchio apresentou propostas de, integrando o transporte coletivo ao alternativo, alterar a configuração de bairros e pessoas. Contou sobre o movimento internacional de questionamento à imobilidade das cidades para automóveis, falou sobre as Massas Críticas (Critical Mass), também conhecidas por aqui como Bicicletadas, falou sobre a esperança de transformar São Paulo em uma cidade mais humana, acessível e democrática.

E foi na veia ao lembrar que tal política rodoviarista está longe de mudar. Os projetos de mobilidade alternativa existem na capital (e o UseBike é um ótimo exemplo), mas são migalhas e paliativos dentro de uma política de asfaltar tudo e priorizar o fluxo em detrimento da (qualidade de) vida. Benicchio lembrou do exemplo da Avenida Jacu-Pêssego, recém-inaugurada para os carros, mas não para os moradores dos bairros que ela rasga (leia no Estadãoe no G1).

Tem gente querendo mudar a cidade, em vez de só reclamar do trânsito, da poluição e da falta de humanidade nas ruas. E você?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Lembre de assinar! Só comentários COM NOME serão postados.
Obrigado por participar!