sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Niterói sofre consequências de superaquecimento imobiliário

Niterói sofre consequências de superaquecimento imobiliárioPublicado em: 26/10/2010
Texto: Liliandayse Marinho
Foto: Bruno Eduardo Alves

Enquanto o IBGE contabiliza quantos moradores a mais Niterói ganhou desde o ano de 2000, quando foi feito o último censo, empreendedores do mercado imobiliário dão conta de que o número de habitantes da cidade é sinônimo de lucros e muitos investimentos. O crescimento demográfico e condições de financiamento convidativas são fatores que fizeram o município ganhar, somente este ano, 51 novos empreendimentos imobiliários de grande porte (13,7% a mais que em 2009 e 64,7% a mais que no ano de 2006), 24 dos quais em Icaraí, segundo a Associação das Empresas de Mercado Imobiliário em Niterói (Ademi).
Quando em 4 de novembro o IBGE divulgar oficialmente as estatísticas sobre a população das cidades brasileiras, os moradores antigos de Niterói podem ter certeza que ganharam novos vizinhos. Segundo a Ademi, até o final de dezembro está prevista a construção de seis a sete empreendimentos por mês.
O crescimento populacional está se refletindo nas contas do IBGE. Em Niterói, foram alvos do censo 417.381 moradores até sexta-feira, o que representa 93% da estimativa populacional para a cidade, que é de 479.381 pessoas. Foram feitas pesquisas em 144.201 domicílios, com a média de 2,89 habitantes por unidade. Em 2000, o número de habitantes chegou a 459.451, um crescimento populacional de 50% em 30 anos, desde que a Ponte Rio-Niterói foi construída em 1970.
Por sua vez, a construção civil, desde 2006, vem crescendo literalmente na vertical em toda a cidade, que é apontada por especialistas como uma boa opção de negócios em função da proximidade com o Rio de Janeiro, atrativos naturais, e a construção do Complexo Petroquímico de Itaboraí. O crescimento populacional, no entanto, já encontra um município com sérios problemas de trânsito e um planejamento urbano da década de 50, o que pode ser sinônimo de preocupação de especialistas.
"Se num determinado local existia um número de moradores e hoje continua com a mesma estrutura, só que recebendo unidades com cerca de 60 famílias com mais duas vagas na garagem, por exemplo, a tendência é que ocorram problemas estruturais em todos os sentidos na cidade e os impactos negativos poderão acontecer", analisa o professor Gerônimo Leitão, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Segundo ele, a cidade deve estar pronta para rever seus planejamentos. "A questão é que as concessionárias de água e esgoto dão o parecer favorável à demanda gerada, sinalizando que ali existem condições para subir mais uma edificação de grande porte. O volume de veículos também aumenta na medida que novas unidades vão sendo construídas, só que o tamanho da caixa de rua continua igual a de décadas passadas e aí não sabemos até quando isso será possível de se aguentar", diz.
Na opinião do professor, as novas unidades vêm para preencher uma carência de ofertas de determinados imóveis na cidade, mas, ao mesmo tempo, a verticalização deveria vir acompanhada com a melhoria da malha viária, transporte de massa eficiente, para evitar o número excessivo de carros nas ruas, e cuidados com o meio ambiente, sob pena inclusive de haver um aquecimento maior na cidade em função do aumento das construções.
"Grandes metrópoles no exterior já trabalham com construções sustentáveis em unidades habitacionais deste porte, com aproveitamento de água da rede pluvial para determinados tipos de utilização como descarga de banheiros e o telhado verde. No calor, um exemplo claro de sua eficácia é como se colocar os pés no cimento e depois na grama. Com esse exemplo pode-se ver os benefícios do telhado verde", sugere o professor.

Ademi avalia crescimento
"A atual fase de crescimento da construção civil de Niterói se deve, principalmente, à expansão do crédito imobiliário. Além disso, o bom momento econômico vivido pelo país e o planejamento de dois eventos esportivos internacionais — a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio de Janeiro — são fatores determinantes para tal alta”, diz o presidente da Ademi-Niterói, José Carlos Monteiro André.
Ele explica que houve um grande aumento no mercado, mas, em um primeiro momento, tal crescimento na demanda foi verificado principalmente no que se refere aos lançamentos comerciais. Nos últimos dois anos, segundo José Carlos, a vinda de novas empresas e a ampliação das existentes fez crescer o número de lançamentos deste tipo na região do Comperj. Já os empreendimentos residenciais têm passado por um aumento mais recente. A tendência é que a busca por imóveis residenciais aumente de acordo com a proximidade do lançamento do Comperj.

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