terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sobre águas e Niterói..


"Conheço o projeto (se refere à Pendotiba) e realmente é um desrespeito com o cidadão niteroiense que terá que arcar com engarrafamentos cada vez maiores e com problemas de racionamento de água. 
Há mais ou menos três anos, quando o COMPERJ estava para sair do papel, participei de uma reunião de moradores e associação de moradores no Colégio Polivalente - CEPAR - Pendotiba, com o presidente da Águas de NIterói. 
Perguntei a ele de onde sairia toda água necessária ao abastecimento de Itaboraí (acréscimo esperado de 180.000 habitantes); para o próprio COMPERJ, para a ampliação da "Schincariol" (é ruim até para grafar) e para a nova população de Niterói. 
Não tinha resposta. Foi evasivo. Disse que poderiam buscar novas fontes - Juturnaíba em Silva Jardim - contra ataquei argumentando que Juturnaíba já estava reservada para a expansão da "Região dos Lagos". 
Mais uma vez, fiquei sem resposta coerente. 
A Águas de Niterói é uma empresa subsidiária da "Les eaux de France". 
Nosso abastecimento se dá pela linha adutora conhecida como Imunana-Laranjal. Essa linha usa o manancial do sistema Guapiaçu-Macacu, que é o mesmo que a CEDAE usa para abastecer o centro de Itaboraí, parte de São Gonçalo, Ilha de Paquetá e a cervejaria. Não estou contando com o uso rural - hortas irrigadas, por exemplo, que também consome muita água. As vazões dos rios dessas bacias são conhecidas e não dão para sustentar esses acréscimos populacionais. 
Fala-se muito que o COMPERJ está formando um corredor ecológico ao longo dos cursos fluviais interligando manchas de mata Atlântica entre áreas de proteção ambiental. Mas esse milhão de árvores que estão sendo plantadas é uma tentativa desesperada de redução do assoreamento dos rios das bacias do Macacu e do Caceribu (que drena toda área de Tanguá e Itaboraí), e uma forma de manutenção dos níveis freáticos ao longo desses cursos. Venho participando desse debate desde 2004, quando houve a primeira reunião na UFF, para discutir o COMPERJ e fico pasmo quando vejo a total insensatez dos nossos governantes. 
O princípio da precaução que deveria nortear todos os estudos de ocupação dos territórios municipais é desprezado por todos os estudiosos que fazem o EIA-RIMA (estudos dos impactos ambientais). 
O do COMPERJ foi feito a toque de caixa e as soluções apresentadas são esdrúxulas: usar água de reúso no ambiente da refinaria; usar água de reúso da Estação de Alegria no Rio de Janeiro, que seria bombeada para o complexo, aduzir água de Juturnaíba, dessalinizar as águas da Guanabara (essa é ótima! Vai ver que o pré-sal já está nos tornando povo igual aos árabes) e por aí vai. Todas as soluções são paliativas. 
A população aumenta e as vazões dos rios diminuem, em função do desmatamento que será promovido para a ocupação humana com a consequente impermeabilização dos solos pelos novos moradores. 
O nosso governante e o presidente da Águas de Niterói são mui amigos e se faltar água na cidade, eles beberão "Perrier". Não é legal????? 
Abraços,
Roney Costa"

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